Basta uma temporada de mais sol para as manchas do melasma ganharem destaque no rosto, mas a relação com a radiação é apenas uma parte da história. A condição, marcada pelo surgimento de áreas escurecidas, tem origem multifatorial e também pode ser influenciada por alterações hormonais, predisposição genética, calor, inflamações e exposição à luz visível. Por isso, nem sempre reduzir a exposição solar, por si só, é suficiente para evitar o aparecimento ou o retorno das manchas.
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O tema também ganhou novas evidências nos últimos anos. Um consenso internacional publicado em 2025 no Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology (JEADV), elaborado por 40 especialistas de 11 países, reforça que o tratamento deve ser individualizado, levando em conta as características de cada caso e as evidências disponíveis. O documento também destaca que o melasma é uma condição crônica e apresenta alta taxa de recorrência, o que torna a manutenção dos cuidados parte importante do acompanhamento.
“Nem todo ativo é adequado para todo tipo de pele ou para todas as apresentações de melasma. O uso excessivo ou inadequado de substâncias clareadoras pode provocar irritação e inflamação. Uma pele inflamada pode responder com alterações de pigmentação. Além disso, combinar vários produtos por conta própria não significa necessariamente potencializar o resultado. Alguns tratamentos eficazes, como as combinações à base de hidroquinona, devem ser utilizados com acompanhamento médico, justamente para definir indicação, concentração, tempo de uso e estratégias de manutenção. O consenso internacional de 2025 reforça que esse cuidado deve ser supervisionado e individualizado”, explica a dermatologista Marcella Alves, da Onne Clinic (RJ).
O sol não é o único fator
A exposição à radiação ultravioleta está entre os principais fatores associados ao surgimento e à piora do melasma, mas não explica sozinha por que algumas pessoas desenvolvem as manchas e outras não. A resposta da pele também depende de características individuais.
“O melasma é multifatorial, e a exposição à radiação ultravioleta está entre os principais fatores de desencadeamento e agravamento, mas não atua sozinha. Existe uma interação entre predisposição genética, alterações hormonais e diferentes tipos de exposição à luz, incluindo a luz visível. O calor e os processos inflamatórios da pele também podem contribuir para a piora em algumas pessoas. Por isso, duas pessoas submetidas a uma exposição solar semelhante podem apresentar respostas bastante diferentes. Entender esses fatores é importante não apenas para controlar as manchas já existentes, mas também para reduzir os estímulos que favorecem sua recorrência”, avalia Marcella.
Essa combinação de fatores ajuda a entender por que o controle da condição não termina quando as manchas ficam menos aparentes. A pele pode voltar a pigmentar diante dos mesmos estímulos, mesmo depois de uma resposta satisfatória ao tratamento.
Mais creme não significa mais resultado
Outro ponto que costuma gerar confusão é o uso de produtos clareadores. A lógica de que combinar vários ativos ou aumentar a frequência de aplicação pode acelerar o resultado pode acabar tendo o efeito contrário, especialmente quando provoca irritação.
A pele inflamada pode apresentar alterações na pigmentação, dificultando o controle das manchas. Por isso, a escolha dos produtos, a concentração dos ativos e o período de utilização precisam levar em conta as características de cada pessoa. Mesmo substâncias eficazes, como a hidroquinona, não devem ser usadas indiscriminadamente.
Por que o tratamento varia de pessoa para pessoa?
Não existe uma única estratégia para todos os casos. A avaliação dermatológica considera aspectos como a extensão das manchas, sua profundidade, o tipo de pele, tratamentos realizados anteriormente e hábitos de exposição.
“A escolha começa pela avaliação clínica e pela identificação das características do melasma, incluindo sua extensão, profundidade e resposta a tratamentos anteriores, além do tipo de pele e dos hábitos de exposição. A partir disso, podemos definir uma estratégia que combine fotoproteção, tratamentos tópicos e, quando houver indicação, procedimentos. Essa associação pode ser interessante porque diferentes abordagens atuam sobre mecanismos distintos da pigmentação e podem complementar seus efeitos. Procedimentos como peelings e microagulhamento, por exemplo, podem ser utilizados como terapias adjuvantes em pacientes selecionados, enquanto tecnologias como lasers devem ser reservadas para situações específicas, especialmente casos mais resistentes”, detalha.
Isso também ajuda a colocar os procedimentos em perspectiva. Peelings, microagulhamento e tecnologias como lasers podem fazer parte do tratamento em situações determinadas, mas não substituem a avaliação individual nem são indicados da mesma forma para todas as pessoas.
E depois que as manchas melhoram?
O desaparecimento ou clareamento das manchas não significa necessariamente o fim dos cuidados. Como o melasma pode voltar, a etapa de manutenção é importante para prolongar a resposta obtida.
“A manutenção é parte fundamental do tratamento, porque o melasma é uma condição crônica e apresenta tendência à recorrência. O principal cuidado é manter uma fotoproteção rigorosa e consistente, inclusive contra diferentes tipos de radiação que podem estimular a pigmentação. Também é importante seguir a rotina prescrita pelo dermatologista e não interromper os cuidados assim que as manchas melhoram. O acompanhamento permite ajustar produtos e procedimentos ao longo do tempo, além de identificar precocemente sinais de retorno do melasma. Mais do que buscar um resultado rápido, o objetivo é estabelecer uma rotina de cuidados que possa ser mantida a longo prazo”, ressalta.
Por isso, falar em “cura” definitiva pode ser enganoso. O melasma é uma condição crônica que pode ser controlada, mas exige uma rotina de cuidados mesmo quando a pele apresenta uma aparência mais uniforme. Nesse processo, a fotoproteção consistente ocupa papel central, ao lado do acompanhamento e da estratégia indicada para cada caso.
Melasma: o que pode estar por trás das manchas além da exposição solar
Magnific
Mais do que encontrar um produto capaz de clarear as manchas, o cuidado passa por entender o que estimula a pigmentação e agir sobre esses fatores ao longo do tempo. Quando se trata de melasma, manter os resultados também faz parte do tratamento.

