Candidato ao governo do Rio Grande do Sul ligado ao bolsonarismo, o deputado federal Luciano Zucco (PL-RS) sobe o tom contra o atual governo, comandado por Eduardo Leite (PSD), e seu sucessor, o vice-governador Gabriel Souza (MDB), pela falta de articulação com o governo federal e pela resposta dada ao desastre causado pelas chuvas. Como palanque no estado para o senador Flávio Bolsonaro (PL), o parlamentar está em empate técnico com a ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT), que concorre na chapa apoiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PDT).
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Zucco afirma que Leite, durante seus anos de gestão, não priorizou o estado por tentar se candidatar ao Planalto em 2022 e neste ano. Em um eventual governo, o candidato tem a segurança pública como bandeira e diz que defenderá a adesão do estado ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, sem mexer na arrecadação de impostos.
O parlamentar também minimiza os atritos no passado com integrantes da esquerda e diz que sentará com o presidente eleito para renegociar a dívida gaúcha com a União. Após assistir ao ex-ministro Onyx Lorenzoni perder a eleição para Leite em 2022, o deputado afirma que neste ano terá uma campanha mais competitiva por conta da composição de sua coligação e de seu tempo de TV. Na última pesquisa Quaest, divulgada na semana passada, ele apareceu em empate técnico com Juliana Brizola, mas pontuou, pela primeira vez, a frente da pedetista.
A última Quaest mostra que 35% querem uma transformação completa na gestão estadual, mas 47% desejam a mudança somente do que não está bom. A sua campanha tem o descrito como alguém que quer ruptura total com o atual governador, Eduardo Leite. O que objetivamente o senhor quer fazer diferente da atual gestão?
A gente vai respeitar aquilo que está dando certo, logicamente. O estado não é terra arrasada, mas faltou liderança, faltou protagonismo. Grandes parcelas das pautas que a gente precisa hoje são resolvidas em grande parte no governo federal, e o governador, infelizmente, não teve essa habilidade e essa liderança. Ele tinha um projeto pessoal. Por duas vezes ele tentou isso. Na primeira vez, ele deixou o estado. Na segunda vez, ele acabou perdendo a disputa política [dentro do PSD] para o Ronaldo Caiado. Então, é um governador que estava olhando de costas para o estado e não estava 100% focado na gestão.
As enchentes de 2024 afetaram, segundo o IBGE, mais de 6 milhões de pessoas e causaram 185 mortos. Na sua avaliação, qual foi o erro cometido pelo governo na época para controlar o desastre?
Na verdade, eu faria uma força-tarefa para tirar as pessoas das áreas de risco, junto às prefeituras, Ministério Público e Justiça. Logicamente, nós temos que brigar pelas obras de prevenção, começando por aquelas que não dependem de licenciamento, como desapropriações e áreas de alagamento controlado. O estado patinou nisso. Eu acho que eles estavam extremamente desorganizados, despreparados. O estado tem sido reativo e não preventivo.
No seu plano de governo, o senhor tem como uma de suas bandeiras a segurança pública. Qual a principal ameça que o senhor exerga no estado e que pretende resolver caso eleito?
O gaúcho ainda se sente inseguro, mas uma coisa que chama muita atençãom é sermos o Estado campeão em feminicídio. A nossa ideia é implementarmos um protocolo único que não foi feito ainda, com a notificação imediata do agressor, suspensão do porte de arma, bloqueio de comunicação e redes sociais do agressor para com a vítima, adoção de um botão de pânico. Eu também não tenho dúvida que além de fortalecer os órgãos de segurança pública, mas o vamos estar alinhado com a questão de inteligência e tecnologia para o combate do crime organizado.
E de onde virá o recurso para essas mudanças?
Sei que existem os fundos constitucionais do Centro-Oeste, do Norte e do Nordeste. Já estou em contato com os outros governadores para que a gente possa pleitear também esse fundo constitucional do Sul e Sudeste; isso daria em torno de R$ 4 bilhões. Logicamente, também é preciso uma boa gestão, cortando secretarias e enxugando a máquina. Também vão sobrar recursos para que a gente possa investir na segurança pública.
O senhor também se propõe a resolver a situação fiscal do estado, que inclui uma dívida com a União que ultrapassa R$ 103 bilhões, sem aumentar a arrecadação dos impostos? Como o senhor pretende resolver essa questão?
Nós precisamos sentar com o próximo presidente e renegociar, aderindo ao Propag. Já existe diálogo avançado tanto com o presidente Lula quanto o Flávio Bolsonaro sobre isso. Não entendo que seja por meio de taxas e de impostos que a gente deva obter esse tipo de recurso.
O vice-governador Gabriel Souza, seu adversário, tem dito que o senhor e a candidata do PDT, Juliana Brizola, têm um “jogo combinado” para tirá-lo do segundo turno. Como o senhor avalia essa questão levantada por ele?
Na última eleição, o Lula apoiou o Eduardo Leite aqui no estado, e o Eduardo Leite e o Gabriel Souza o apoiaram. Eu sou o único candidato ao governo que combate o PT e a esquerda. É mais um factoide que ele está tentando produzir por estar atrás das pesquisas, com todo o respeito, e não sabe como chamar a atenção. Eu tenho como foco estar com pessoas e falar do Rio Grande de forma propositiva.
Recentemente, o senhor foi acusado de violencia política de genero contra a ex-deputada federal Manuela D’Ávila por ter usado um adesivo em que ela aparecia com o rosco riscado. Em 2023, durante uma discussão na CPI do MST, o senhor disse que a deputada Samia Bomfim (Psol-SP) precisaria de “um hambúrguer ou um remédio”. Caso eleito, esse é o tratamento que o senhor pretende dar aos seus adversários e adversárias?
O adesivo era da candidata Júlia Zardo, do Novo, que tinha a foto e o nome dela também na imagem. Era um evento em que eu, como candidato a governador, estava ali com esse adesivo dela, que tinha colocado a Manuela. Não houve absolutamente nenhuma ofensa desse tipo. Sobre o caso da Sâmia, foi num momento em que ela disse que o meu irmão tinha sido demitido ou afastado do Exército, sendo que ele estava de licença para tratar de um câncer. Nessa hora, ela também usava a estratégia contra o agronegócio, dizendo que era coisa de fascista direitista e tinha falado da alimentação. Aqui no estado e no Congresso Nacional, eu tenho uma relação de respeito com os deputados de esquerda.
Em 2022, um candidato também da direita, o ex-ministro Onyx Lorenzoni, concorreu ao governo e perdeu no segundo turno para o Eduardo. O que faz o senhor acreditar que a história nesse ano vai ser diferente e vai levá-lo a ser eleito?
O Onix tem as suas características, que eu respeito, mas tenho. A gente está fazendo uma campanha com seis partidos e, se eu não me engano, ele teve dois partidos. Na semana passada, começou tempo de televisão. O nosso tempo é praticamente o dobro do tempo de televisão da candidata do Lula. Ou seja, dá tempo de a gente mostrar o nosso plano de governo com mais calma, de forma propositiva.
Na disputa presidencial, o senhor apoia o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que tem sido alvo de suspeitas de envolvimento no caso Master em função do pedido de financiamento feito por ele ao banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse. O senhor não tem receio de que a sua proximidade com o Flávio vire tema da eleição estadual, já que o senhor é palanque dele no RS?
Eu não tenho dúvida de que tem muita narrativa envolvida nesse sentido. Tanto é que não foi, não avançou nenhuma investigação ou condenação, diferente do governo Lula, condenado em todas as instâncias. Recentemente, a gente está vendo, inclusive, o Flávio crescendo nas pesquisas. Agora, eu tenho que também deixar muito claro que sou, é, eu sou de direita, conservador nos costumes, liberal na economia, mas o meu foco é o Rio Grande do Sul.

