O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizou a interlocutores nesta terça-feira que não pretende dar andamento a pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo diante da pressão renovada da oposição após a divulgação de mensagens entre o magistrado e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A posição foi transmitida a aliados enquanto senadores bolsonaristas ampliavam a ofensiva contra Moraes e passaram a mirar também o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Um integrante da cúpula do Congresso avalia que as revelações tornam mais difícil para Alcolumbre conter a pressão pelo impeachment de Moraes, mas afirma que o presidente do Senado não deverá tomar nenhuma decisão neste momento. A avaliação é que o aumento da tensão entre os Poderes também pode provocar desgaste para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), diante da proximidade do petista com o Supremo e com o próprio Moraes.
A pressão chegou ao plenário do Senado. Em discurso nesta terça-feira, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) dirigiu-se diretamente a Alcolumbre para cobrar uma reação da Casa diante das mensagens encontradas pela PF no celular de Vorcaro.
— Eu ouvi alguns discursos em defesa da democracia, mas não ouvi ninguém tratando deste dia triste para a democracia, tratando sobre as mensagens do Banco Master. É inadmissível que tenhamos pessoas da cúpula do poder suspeitas de cometer vários crimes e isso não seja o assunto principal— afirmou.
Flávio acusou Moraes de atuar como articulador político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva junto ao próprio Alcolumbre.
— Olha o ambiente que os Três Poderes respiram hoje. O presidente da República tem que se servir de Alexandre de Moraes para fazer a articulação política, Davi, com Vossa Excelência — disse.
O senador também afirmou que as conversas indicariam uma suposta obstrução de Justiça e voltou a defender uma reação do Senado.
Ao final do discurso, Flávio fez um apelo diretamente a Alcolumbre e atribuiu à “omissão” do Senado responsabilidade pela situação atual.
— Tenho certeza que o senhor pensa da mesma forma, Davi. Como seus filhos vão ver o que fizemos no dia de hoje? Então, uma súplica: vamos aqui resgatar a nossa democracia. O Brasil não tem mais tempo a perder e é responsabilidade nossa. Foi por causa da nossa omissão que as coisas chegaram neste nível — disse.
A movimentação da oposição não se restringiu a Moraes. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, afirmou que, além de um novo pedido de impeachment de Moraes, ele enviará um ofício ao governo federal solicitando a demissão de Andrei Rodrigues do comando da PF.
O coordenador da campanha de Flávio também se queixou da decisão de Alcolumbre de não dar andamento aos pedidos de impeachment.
– Infelizmente o nosso Senado da República não cumpre o seu papel. Aliás, precisa ser reformado o regimento do Senado para permitir que essa decisão não seja apenas do presidente do Senado, mas seja do colegiado ou pelo menos da Mesa Diretora. Nós estamos aqui renovando um novo pedido de impeachment do senhor Alexandre Moraes.
Afastado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por meses, desde a rejeição pelo Senado da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), Alcolumbre se reaproximou do petista no início de agosto, após uma reunião promovida na casa de Moraes. O ministro do STF é aliado próximo do presidente do Senado e os dois costumam fazer reuniões e participar de jantares regularmente.
Marinho também disse que vai protocolar uma notícia-crime na Procuradoria-Geral da República pedindo a investigação de Moraes e do diretor-geral da PF. De acordo com ele, a solicitação será enviada para o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand. O senador declarou que, como o chefe da PGR, Paulo Gonet, foi citado nas mensagens de Vorcaro, o pedido não podia ser feito a ele.
Segundo as mensagens, no dia 30 de outubro do ano passado, Vorcaro disse a Moraes que pediria ajuda com “Andrei e Paulo”, em referência ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
“O Bacen (Banco Central) está sendo muito pressionado pela PF e MP, alegando que farão algo contra mim. É importante reforçar com Andrei e Paulo para não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem, que aí vai tudo pro saco. Estou disponível para tratar e explicar qualquer coisa, só não pode ter sacanagem”, diz a mensagem enviada por Vorcaro.
As novas investidas ocorrem depois da divulgação de um relatório da PF produzido a partir da análise do celular de Vorcaro. O documento mostra uma sequência de mensagens enviadas pelo banqueiro a Moraes durante 13 dias, em novembro de 2025, no auge da crise do Master. Nas conversas, Vorcaro buscava informações e fazia pedidos diante do avanço das investigações e do risco de liquidação da instituição financeira.
O episódio também provocou uma reação dentro do próprio Supremo. Nesta terça-feira, o ministro André Mendonça indicou que levará ao plenário da Corte o relatório da PF. Mendonça determinou que a discussão seja realizada em sessão presencial e pública, e a data deverá ser definida pelo presidente do STF, Edson Fachin.
Apesar da escalada da oposição, Alcolumbre tem indicado que não pretende abrir caminho para um processo de impeachment contra Moraes. Cabe ao presidente do Senado decidir sobre o andamento de pedidos desse tipo apresentados contra ministros do Supremo.

