O desejo de aumentar a família levou Isis Valverde a se deparar com uma questão que pode fazer parte da trajetória reprodutiva de mulheres que optam pela maternidade mais tarde. Aos 39 anos, a atriz contou que está tentando engravidar do empresário Marcus Buaiz, com quem se casou em 2024, e revelou que o processo tem sido mais difícil do que imaginava.
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Mãe de Rael, de 7 anos, Isis decidiu tentar uma nova gestação depois que o filho passou a pedir um irmão. Diante dos resultados negativos, chegou a suspeitar de menopausa precoce, possibilidade posteriormente descartada. Durante a investigação, descobriu alterações hormonais associadas à doença celíaca e uma reserva ovariana abaixo do esperado. Após o tratamento, seus ciclos menstruais voltaram a ficar regulares, e ela segue tentando engravidar naturalmente.
A experiência da atriz chama atenção para um aspecto da saúde reprodutiva que muitas vezes só ganha espaço quando surge o desejo de ter filhos: a fertilidade feminina muda ao longo do tempo, e a idade é um dos fatores considerados na avaliação das chances de uma gestação.
Segundo o ginecologista e obstetra César Patez, a quantidade e a qualidade dos óvulos sofrem alterações com o passar dos anos.
“Existe uma redução natural da quantidade de óvulos ao longo da vida e, com o avanço da idade, também ocorre uma queda da qualidade desses óvulos. Isso não significa que uma mulher próxima dos 40 anos não possa engravidar naturalmente, mas as chances tendem a diminuir e o tempo passa a ter um peso maior. Por isso, quando existe desejo de gestação nessa fase, é importante não postergar uma avaliação”, explica.
Reserva ovariana baixa significa infertilidade?
A descoberta de uma reserva ovariana reduzida pode causar preocupação, mas o resultado de um exame não determina, isoladamente, a possibilidade de engravidar. Os testes de reserva ovariana são usados para estimar a quantidade de óvulos disponíveis e podem auxiliar, principalmente, na avaliação de tratamentos de reprodução assistida.
“Reserva ovariana diminuída não é sinônimo automático de impossibilidade de gravidez. Ela é uma informação importante, especialmente para estimarmos a resposta dos ovários a uma estimulação. Fertilidade é muito mais complexa e envolve idade, qualidade dos óvulos, ovulação, trompas, condições uterinas e também fatores masculinos”, afirma.
A ginecologista e especialista em reprodução humana Larissa Abib Daun destaca que a avaliação da saúde reprodutiva pode ajudar mulheres que pretendem adiar a maternidade a conhecer melhor suas possibilidades. “O planejamento deve ser individualizado, considerando idade, reserva ovariana, planos de vida, histórico familiar e condições de saúde. Não existe uma idade ou uma indicação que seja exatamente igual para todas as mulheres”, avalia.
Congelamento de óvulos é uma opção?
Para quem deseja ter filhos no futuro, mas não pretende engravidar no momento, o congelamento de óvulos é uma das estratégias disponíveis para preservação da fertilidade. O procedimento envolve a estimulação dos ovários, a coleta dos óvulos maduros e a criopreservação para uma eventual utilização posterior.
A técnica, no entanto, não oferece garantia de gravidez. “O congelamento de óvulos não significa uma garantia de gravidez no futuro, mas pode ser uma estratégia importante de preservação da fertilidade. A idade da mulher no momento do congelamento é um dos fatores que influenciam a qualidade dos óvulos e, consequentemente, as possibilidades futuras”, ressalta Larissa.
Por isso, a decisão de preservar os óvulos deve levar em conta o momento de vida, os planos reprodutivos e a avaliação médica. “Mais do que congelar óvulos, é importante que a mulher tenha acesso à informação para entender sua saúde reprodutiva, suas possibilidades e as limitações da técnica. O planejamento deve ser individualizado e feito com acompanhamento médico”, acrescenta.
O que muda em uma gestação depois dos 35?
A atenção à idade não termina quando a gravidez acontece. A partir dos 35 anos, alguns riscos obstétricos passam a ser mais frequentes, entre eles diabetes gestacional, hipertensão, pré-eclâmpsia e alterações cromossômicas. Isso, porém, não significa que uma gestação nessa faixa etária necessariamente apresentará complicações.
Para a ginecologista e obstetra Alyk Vargas Alcobia, o acompanhamento pode começar antes mesmo da concepção. “Uma avaliação pré-concepcional é muito importante. É o momento de identificar fatores de risco, revisar medicamentos, atualizar vacinas, avaliar exames, hábitos de vida e condições de saúde que podem interferir na gestação”, orienta.
Segundo a médica, a idade não deve ser encarada isoladamente nem transformada em sinônimo de risco. “Não devemos transformar a idade em um motivo de medo. O mais importante é conhecer os riscos, identificar precocemente o que pode ser prevenido e acompanhar cada gestação de acordo com as necessidades daquela mulher”, pondera.
A experiência relatada por Isis coloca em evidência uma conversa que pode começar antes das tentativas de engravidar. Conhecer a própria saúde reprodutiva, falar sobre planos de maternidade durante as consultas ginecológicas e entender as possibilidades e limitações das técnicas de reprodução assistida são caminhos para tomar decisões com mais informação.
“Quando falamos de fertilidade feminina, informação também é uma forma de planejamento. Não se trata de pressionar a mulher a engravidar mais cedo, mas de permitir que ela conheça o impacto do tempo sobre a reprodução e saiba quais caminhos estão disponíveis para suas escolhas”, defende Patez.
