Quase três décadas depois de estrelarem “Da Magia à Sedução”, Sandra Bullock e Nicole Kidman voltaram a aparecer juntas e movimentaram as redes com o reencontro. Aos 60 anos, as duas retomam os papéis de Gillian e Sally Owens em “Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor” e ajudam a colocar em pauta uma discussão que vai além de Hollywood: o que significa envelhecer bem?
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Mais do que discutir quantos anos seria possível retirar visualmente do rosto, a conversa hoje passa pela preservação das características individuais e por resultados que não apaguem a expressão. Essa perspectiva começa a ganhar espaço entre especialistas, que defendem que os procedimentos estéticos não precisam ter como objetivo fazer uma mulher madura parecer décadas mais jovem, mas acompanhar as transformações que acontecem naturalmente ao longo dos anos.
Para o cirurgião plástico facial Yuri Moresco, entender essas transformações é fundamental para que qualquer intervenção respeite as características individuais.
“Envelhecer não significa necessariamente perder beleza. O que muda é a anatomia da face. Existe perda de elasticidade, alterações na distribuição da gordura, queda dos tecidos e mudanças na estrutura óssea. O tratamento precisa entender esse processo para preservar identidade e proporção, e não simplesmente tentar fazer uma mulher de 60 anos parecer uma mulher de 30”, explica
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Reprodução Instagram
A expectativa em relação aos resultados, por sua vez, é outra. Durante anos, uma aparência muito esticada, com pouca movimentação e sem marcas de expressão esteve associada à ideia de rejuvenescimento. Hoje, segundo o cirurgião plástico facial e otorrinolaringologista André Baraldo, a busca tende a se concentrar em intervenções que mantenham as características do rosto.
“O rejuvenescimento facial contemporâneo está muito mais relacionado à qualidade do resultado do que à quantidade de anos que conseguimos retirar visualmente da face. Queremos uma pessoa descansada, com estruturas bem posicionadas e aparência natural. O objetivo não é criar um rosto artificialmente jovem, mas recuperar harmonia”, afirma.
O que muda no rosto depois dos 50?
O envelhecimento facial não acontece apenas na pele. Com o passar do tempo, diferentes estruturas da face sofrem alterações, incluindo a distribuição de gordura, os músculos, os ligamentos e a estrutura óssea. A pele também perde elasticidade e muda de qualidade.
Por isso, não existe uma única forma de tratar os sinais que aparecem ao longo dos anos. Em algumas pessoas, a principal queixa pode estar relacionada à flacidez; em outras, à perda de volume ou às mudanças na pele. Muitas vezes, mais de uma dessas características aparece ao mesmo tempo.
“O rosto precisa ser analisado como um conjunto. Uma paciente pode apresentar flacidez em uma região, perda de volume em outra e alterações de qualidade da pele ao mesmo tempo. Por isso, não existe um único procedimento ou uma receita de rejuvenescimento que funcione para todas as mulheres”, avalia Yuri.
A avaliação individual também ajuda a colocar em perspectiva outro debate frequente na estética: o excesso de intervenções. Para André Baraldo, existe uma diferença entre suavizar determinadas características e tentar eliminar completamente os sinais associados à idade.
“Existe uma diferença enorme entre tratar os sinais do envelhecimento e tentar eliminar completamente qualquer característica de uma pessoa madura. Quando começamos a perseguir a ausência absoluta de linhas, volume ou movimento, podemos perder justamente aquilo que torna aquele rosto único”, acrescenta.
Uma outra maneira de olhar para a maturidade
A presença de mulheres maduras em papéis de destaque também acompanha uma transformação na maneira como a idade é percebida na cultura e na publicidade. No caso de Sandra Bullock e Nicole Kidman, o reencontro das personagens quase 30 anos depois do primeiro filme coloca as atrizes novamente em evidência, agora em uma fase diferente da vida.
Para Yuri, essa mudança de perspectiva também pode influenciar a relação das mulheres com a própria aparência.
“A medicina estética pode ser uma aliada da mulher que deseja cuidar da aparência, mas precisa existir uma diferença entre autocuidado e uma obrigação de parecer mais jovem. O tratamento deve partir do desejo da paciente e respeitar sua anatomia, sua história e suas características”, defende.
As possibilidades de intervenção também se ampliaram, mas, para André Baraldo, isso não significa que mais recursos devam necessariamente resultar em mais procedimentos.
“Hoje temos recursos muito mais sofisticados para tratar a face. Isso é positivo, desde que a tecnologia esteja a serviço da anatomia e não o contrário. O melhor resultado é aquele em que as pessoas percebem que você está bem, descansada e saudável, mas não necessariamente sabem dizer qual procedimento foi realizado”, conclui.

