A apresentadora de televisão egípcia Sarah Khalifa, de 39 anos, foi condenada à morte por enforcamento por envolvimento em um esquema de fabricação e tráfico de drogas sintéticas. A decisão foi tomada no sábado (5) por um tribunal criminal do Cairo, que também condenou outros 11 réus à pena capital. Khalifa nega as acusações e ainda pode recorrer.
Conhecida no Egito por apresentar o programa policial “Mission Impossible”, exibido pelo canal privado Al-Mehwar TV, Khalifa ganhou notoriedade ao tratar de temas relacionados a crimes e segurança. Segundo a imprensa local, ela também mantinha negócios fora da televisão, incluindo uma clínica de cirurgia cosmética e uma empresa de organização de festas e eventos.
Khalifa foi presa no Cairo em abril de 2025, quando passou a ser investigada no caso. De acordo com a acusação, ela fazia parte de uma organização criminosa que importava matérias-primas utilizadas na fabricação de drogas sintéticas, além de produzir e distribuir os entorpecentes. Os investigadores apreenderam mais de 750 quilos de drogas sintéticas e materiais usados na produção em imóveis utilizados pelo grupo.
A acusação foi apresentada com base em depoimentos de 20 testemunhas e em provas eletrônicas, incluindo mensagens, fotografias e vídeos que, segundo o Ministério Público, registravam atividades criminosas dos envolvidos. A investigação apontou que os integrantes do grupo tinham funções diferentes, como importar matérias-primas, fabricar as drogas e distribuí-las.
Durante um depoimento ao tribunal, Khalifa negou envolvimento com o tráfico. Segundo relatos da imprensa local, ela afirmou que nunca havia visto drogas até ser fotografada com os entorpecentes dentro dos escritórios das autoridades antidrogas. Seu advogado anunciou que pretende recorrer da sentença.
Programa policial e negócios
Além da carreira na televisão, Sarah Khalifa construiu uma presença relevante nas redes sociais, com mais de dois milhões de seguidores no Instagram. Em 2024, a apresentadora também participou do programa de entretenimento “Sarah and Beka”, no YouTube, ao lado do cantor egípcio Hamo Beka. A atração recebeu personalidades conhecidas e influenciadores.
Khalifa também teve seu nome associado ao futebol egípcio por causa de seu casamento com Mahmoud Abdel Moneim, conhecido como Kahraba. O jogador, nascido em 1994, atua como ponta-esquerda e iniciou a carreira profissional no ENPPI. Ao longo da trajetória, passou por clubes como Zamalek, Al-Ittihad, da Arábia Saudita, e Al Ahly, além de ter defendido a seleção egípcia.
Khalifa e Kahraba teriam se casado discretamente em 2016, mas a união durou cerca de seis meses antes da separação.
Julgamento do caso
A investigação envolveu inicialmente 28 réus. Além das 12 condenações à morte, nove acusados receberam prisão perpétua e sete foram absolvidos, segundo o tribunal. Khalifa e outros envolvidos também foram condenados a cinco anos de prisão em um processo separado relacionado ao sequestro e à agressão de um jovem.
Antes da sentença definitiva, o tribunal encaminhou o caso ao Grande Mufti do Egito, autoridade religiosa responsável por emitir pareceres sobre condenações à morte. A consulta é obrigatória em processos que podem resultar em pena capital, mas o parecer do Mufti tem caráter consultivo e não é vinculante para o tribunal.
A pena de morte é aplicada no Egito em crimes como homicídio premeditado, terrorismo, estupro e tráfico de drogas. A sentença contra Khalifa, porém, ainda não é definitiva: os condenados têm direito de recorrer ao Tribunal de Cassação, a mais alta instância criminal do país.

