O petróleo Brent se aproximava dos US$ 100 por barril depois que a Arábia Saudita informou que as operações em várias instalações de energia no sul do país foram suspensas após sofrerem ataques. O petróleo de referência mundial estava a menos de US$ 1 de atingir a marca de três dígitos, depois de avançar na semana passada devido à escalada das hostilidades no Oriente Médio e ao aumento das compras da China, o maior importador mundial.
A agência estatal Saudi Press Agency informou que os ataques ocorreram na terça-feira e deixaram vários feridos. Os militantes houthis, apoiados pelo Irã, disseram que voltaram a atacar a refinaria de Jazan, com capacidade para processar 400 mil barris por dia, e outras instalações que abastecem o mercado interno. Os houthis estão bloqueando os fluxos de petróleo da Arábia Saudita em resposta ao cerco de Riad à capital do Iêmen, Sanaa, e realizaram repetidos ataques nas últimas semanas.
A campanha contra o maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) aumenta a preocupação de que o fornecimento de petróleo bruto continue enfrentando interrupções como consequência tanto dos ataques houthis quanto da guerra com o Irã. Os estoques globais diminuíram rapidamente, e os preços dos combustíveis refinados, como o diesel, estão disparando em todo o mundo.
O Brent acumula uma alta de mais de 60% no ano, enquanto o preço de referência do diesel europeu se aproxima de US$ 200 por barril.
“Os mercados estão incorporando cada vez mais a possibilidade de um conflito prolongado no Oriente Médio”, disseram analistas do Goldman Sachs, entre eles Daan Struyven, em uma nota, ao elevarem moderadamente as projeções do banco para o preço do petróleo, sob a premissa de que as interrupções no transporte marítimo persistirão até 2027. “Os riscos para nossa previsão de preços continuam significativamente inclinados para cima.”
Além das tensões no Oriente Médio, os operadores de petróleo estão prestando cada vez mais atenção às perspectivas dos combustíveis refinados.

