Os Houthis, grupo rebelde do Iêmen apoiado pelo Irã, lançaram uma ofensiva contra a Arábia Saudita nesta terça-feira, mirando alvos do setor de petróleo, em uma ação que deixou 73 feridos, segundo os anúncios oficiais das fontes nos dois países. O ataque ocorre em meio a uma escalada de tensões no sudoeste do Iêmen, entre os rebeldes e o governo iemenita internacionalmente reconhecido, apoiado por Riad, que retomaram combates de alta intensidade na quinta-feira, em uma disputa pelo controle de áreas próximas ao estratégico Estreito de Bab el-Mandeb — via navegável estratégica que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. Autoridades sauditas prometeram retaliação.
Contexto: Confronto entre Houthis e tropas do Iêmen por área perto do Estreito de Bab el-Mandeb deixa mais de 300 mortos
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Drones e mísseis foram disparados pelos Houthis contra o Aeroporto Internacional de Abha, a base Rei Khalid e instalações do grupo petrolífero saudita Aramco em Abha e Jizan, segundo o Ansarollah, um meio de comunicação próximo aos rebeldes. O porta-voz militar Yahya Saree reivindicou pouco depois a operação “de grande envergadura e de longo alcance”, afirmando se tratar de uma resposta a “121 bombardeios” efetuados por Riad no Iêmen nos últimos três dias.
Em um comunicado, a coalizão militar internacional liderada pela Arábia Saudita e aliada ao governo do Iêmen informou que os bombardeios tiveram como alvos “locais civis e econômicos”, e deixaram 73 civis feridos. O grupo também anunciou que tomará “todas as medidas e ações necessárias para responder à origem da ameaça e neutralizar o perigo que representa”.
Estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb
Editoria de Arte
As regiões sudoeste da Arábia Saudita e do Iêmen são banhadas pelo Mar Vermelho, que se converteu em um campo de disputa militar e estratégica entre Riad e os Houthis. Com a guerra entre EUA, Israel e Irã, que fechou o Estreito de Ormuz, os sauditas redirecionaram a operação de exportação de petróleo para portos a oeste, cruzando a produção pelo Canal de Suez e para o Estreito de Bab el-Mandeb, que os Houthis prometeram bloquear.
Embora já tivessem atacados navios petroleiros, os rebeldes pró-Irã parecem ter tomado uma decisão estratégica de ampliar o controle sobre a área. Na quinta-feira, os Houthis lançaram uma operação por terra contra áreas controladas pelo governo internacionalmente reconhecido na faixa litorânea perto de Bab el-Mandeb. Um levantamento feito pela AFP apontou que mais de 300 pessoas, entre militares e civis teriam morrido até domingo. A ONU mencionou cerca de 1,8 mil famílias nos primeiros dias.
Deslocados montam acampamento após fuga de área de conflito entre Houthis e tropas do Iêmen
Ahmad al-Basha/AFP
Tanto os ataques contra as tropas pró-Riad, quando os disparos contra o território saudita e os navios-petroleiros sancionados são prioritariamente executados com foguetes e drones — uma capacidade desenvolvida pelos houthis com colaboração iraniana. Contudo, o controle territorial na área adjacente ao estreito poderia facilitar uma tentativa de fechá-lo, assim como Teerã fez em Ormuz.
Apesar da correlação com o conflito envolvendo o Irã, os Houthis citam razões próprias para a atual escalada de violência. A agência de notícias Saba, vinculada ao movimento rebelde, noticiou que as forças sauditas, usando mísseis e bombardeios aéreos, atacaram as províncias iemenitas de Jawf (norte), Al Bayda e Marib (centro) e Taiz (sudoeste), atingindo uma série de alvos. Um deles teria sido a prisão de Al Hazm, onde 11 pessoas teriam morrido, incluindo uma criança que visitava um parente. (Com AFP)

