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Críticas a Ruas e à esquerda que apoia Paes: veja cinco pontos da sabatina de William Siri ao GLOBO, Extra, Valor e CBN

Em sabatina realizada nesta quarta-feira pelo GLOBO, Extra, Valor e CBN, o candidato do PSOL ao governo do Rio, William Siri, admitiu dificuldades para atrair o eleitor de esquerda em meio ao apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à candidatura de Eduardo Paes (PSD). Siri buscou se contrapor ao ex-prefeito da capital […]

Críticas a Ruas e à esquerda que apoia Paes: veja cinco pontos da sabatina de William Siri ao GLOBO, Extra, Valor e CBN


Em sabatina realizada nesta quarta-feira pelo GLOBO, Extra, Valor e CBN, o candidato do PSOL ao governo do Rio, William Siri, admitiu dificuldades para atrair o eleitor de esquerda em meio ao apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à candidatura de Eduardo Paes (PSD). Siri buscou se contrapor ao ex-prefeito da capital em relação a alianças políticas e no trato com servidores públicos, temas que costumam ser ressaltados em campanhas da esquerda.
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Siri também buscou associar o candidato do PL, Douglas Ruas, sabatinado na terça-feira, a políticos investigados por envolvimento com o crime organizado. Em suas respostas, ele procurou fazer acenos às forças policiais, mas também criticou operações em favelas.
A sabatina teve transmissão ao vivo na rádio CBN, nos sites dos jornais e no Youtube (confira a íntegra no link abaixo).
A série de entrevistas com os candidatos ao governo continua nesta quinta-feira, com Anthony Garotinho (Republicanos), e termina na sexta, com Paes. Veja a seguir os principais pontos da sabatina de William Siri:
1- Dificuldades para ter apoio na esquerda
Um dos principais temas da sabatina foi a tentativa de Siri de explicar as dificuldades para crescer nas pesquisas de intenções de voto, o que passa pela falta de apoio da própria esquerda até aqui. Questionado sobre o fato de apoiar a reeleição de Lula enquanto o atual presidente está no palanque do Paes, o candidato do PSOL disse que “a vida é difícil”, e buscou acenar a seu campo político:
— Imagina eu ter que apoiar no primeiro turno alguém que faz com que a cidade do Rio, após quatro vezes prefeito, tenha vários bairros da Zona Sul aumentando o aluguel em mais de 100% em um intervalo de dois anos? É uma lógica de cidade articulada pela especulação imobiliária. Ele assinou uma carta compromisso dizendo que ia dar reajuste todos os anos (aos servidores), e não deu — disse Siri, referindo-se às gestões de Paes como prefeito.
Siri também disse ver “contradições” de integrantes da esquerda que apoiam Paes, como o ex-deputado e ex-integrante do PSOL Marcelo Freixo, que concorreu à prefeitura do Rio como seu adversário e hoje apoia sua candidatura ao governo.
— Freixo tem as contradições que ele vai ter que carregar, por estar apoiando o Eduardo Paes. Ele, como professor, sabe que o Paes jogou bomba em professores.
William Siri diz que PSOL segue competitivo e cita “contradições” de Marcelo Freixo
Apesar de dizer que o apoio de Lula a Paes gera “confusão” na esquerda, Siri afirmou em diferentes momentos que apoia a reeleição do atual presidente porque “não dá para ter Flávio Bolsonaro” na Presidência.
— (Flávio) É o cara que teve a mãe e a esposa do Adriano da Nóbrega em seu gabinete, um cara que era o chefe do Escritório do Crime. A gente precisa derrotá-lo. Paes vem com a possibilidade de acabar com isso, e por isso (atrai) boa parte do campo progressista… mas tenho certeza que no médio e curtíssimo prazo vão se arrepender — alegou Siri.
2- Associação de Ruas a investigados por crime organizado
Em diferentes momentos, Siri criticou parlamentares da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) que são investigados por envolvimento com o crime organizado e procurou vinculá-los a Douglas Ruas, atual presidente da Alerj.
O candidato do PSOL referiu-se a Ruas como “pupilo” do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União), preso e cassado após operação da Polícia Federal apontar indícios de envolvimento com a facção Comando Vermelho. Antes de o PL lançar Ruas como candidato ao governo, Bacellar era tido como favorito para receber o apoio do partido e do ex-governador Cláudio Castro (PL) na campanha:
— Se a PF não fizesse a Operação Unha e Carne, Bacellar seria o governador, o Comando Vermelho estaria governando no Rio de Janeiro — disse Siri, que acusou ainda os ex-deputados TH Joias (MDB) e Thiago Rangel (Avante) de ajudarem facções criminosas a se abastecer de armamentos.
Siri diz que ‘não existe poder paralelo’ e que ‘o crime está dentro da Alerj’
Questionado sobre o fato de o PSOL também ter apoiado a reeleição de Bacellar à presidência da Alerj, no início de 2025, antes de sua prisão, Siri disse “não ter dúvida que o partido errou”, mas evitou dizer se faria diferente. Ele argumentou que o apoio a Bacellar deu ao partido o comando de comissões relevantes da Assembleia, e que “essa é a forma como a política hoje é organizada”.
Siri, por outro lado, argumentou que seu partido votou “de forma unânime” pela manutenção da prisão de Bacellar, e criticou partidos como o PL, de Ruas, e o PSD, de Paes, por darem votos pela revogação da prisão.
3- Reclamações sobre mobilidade urbana
O candidato do PSOL também fez referências em diversos momentos a episódios da própria vida para justificar sua candidatura. Vereador em seu segundo mandato na capital e morador de Campo Grande, na Zona Oeste, Siri fez críticas ao funcionamento da concessão dos trens do Rio e disse “sentir na pele” o sucateamento do serviço.
Os problemas de mobilidade na capital e no estado também foram citados por Siri como justificativa para ter chegado com alguns minutos de atraso à sabatina do GLOBO. Ele afirmou ter saído por volta das 8h de casa, em Campo Grande, mas que o engarrafamento o impediu de chegar no centro do Rio antes das 10h30. Em outro momento, Siri também afirmou já ter “passado perrengue” nos trens pela falta de banheiro em estações.
William Siri diz que pretende reestatizar as linhas ferroviárias
O candidato do PSOL defendeu a reestatização dos serviços de trens, barcas e metrô, começando pelo espólio da Supervia, antiga concessionária do trem — substituída neste ano pela Trens RJ.
— Hoje para ter a manutenção e gerir a antiga Supervia dá cerca de R$ 860 milhões por ano. (É possível custear) Cortando as renúncias fiscais, com a lógica de acabar com a corrupção, e também redesenhar o orçamento. Vamos reestatizar, só que não é de uma hora para a outra.
4- Com caveirão e sem helicóptero em operações policiais
Na sabatina, Siri também disse que o governo estadual deveria proibir o uso de armas letais a partir de helicópteros da Polícia Militar em operações. Ele argumentou que esse tipo de operação é “aterrorizante para as famílias” que vivem em áreas de conflito.
Por outro lado, Siri não descartou o uso de veículo blindado, conhecido como “caveirão”, em operações policiais. Ele disse que, em determinadas situações, o equipamento poderá ser necessário, mas criticou o que chamou de repetição da mesma política de segurança há décadas. Segundo Siri, o modelo atual de operações é usado por rivais “para ganhar voto”.
— Essa última operação falida no Complexo do Alemão e na Penha (em outubro de 2025, com mais de 120 mortos) gerou tanta mídia e tanto poder que ficaram o (ex-secretário de Polícia Civil, Felipe) Curi e o (ex-secretário de Polícia Militar, coronel) Menezes brigando para ver quem era o pai da coisa. E agora os dois são candidatos a deputado — criticou Siri.
William Siri descarta, inicialmente, uso de helicópteros em operações policiais
O candidato do PSOL afirmou ainda que pretende unificar as secretarias de Polícia Civil e Polícia Militar em uma única Secretaria de Segurança, se for eleito governador, e argumentou que é preciso mirar a classe política para “desarticular o crime”.
— A operação vai acontecer. Mas o governador precisa fazer as políticas paralelas. A primeira questão é desarticular o crime. Drogas e armamentos não são fabricados dentro das comunidades. Vamos começar asfixiando a entrada de munições e drogas, onde o bandido tem o fuzil que vai trocar tiro com a polícia. (…) Quem está vendendo essa arma é quem está no poder hoje — argumentou.
5- Corte em cargos comissionados e renúncias fiscais
Instado na sabatina a explicar de onde viriam recursos para propostas mais ambiciosas de seu plano de governo, como a implementação da tarifa zero no sistema ferroviário e a colocação de 30 Cieps em funcionamento, com ensino em tempo integral, Siri defendeu medidas como reduzir cargos comissionados e renúncias fiscais para empresas, além de fechar o que chamou de “ralo da corrupção”.
Ele elogiou o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça e governador interino do Rio desde a renúncia de Castro, por promover cortes em cargos no Poder Executivo. Segundo Siri, as medidas de Couto são “apenas 10%” do que o PSOL pretende fazer no governo.
O candidato do PSOL defendeu um corte de 30% em renúncias fiscais, e projetou um aumento de arrecadação de cerca de R$ 7 bilhões com a medida. Siri afirmou, porém, que esse corte não será linear, e que avaliaria casos individuais das empresas hoje beneficiadas em um eventual mandato.

Críticas a Ruas e à esquerda que apoia Paes: veja cinco pontos da sabatina de William Siri ao GLOBO, Extra, Valor e CBN

Autor

BRCOM