Antes mesmo do atual fenômeno El Niño ganhar ainda mais potência neste ano, 2026 já bateu recordes, com destaque para as temperaturas elevadas, em terra e mar. A Europa ultrapassou marcas Históricas nos termômetros, e viu parte da população sofrer, fosse pelo efeito das ondas de calor como dos incêndios que arrasaram áreas verdes. Neste semana, novos índices soam como um alerta sobre as condições do planeta.
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Antes de ‘super El Niño’: Agosto foi o mês mais quente já registrado em todo o mundo, segundo monitor climático europeu
Nesta quinta-feira (10), a superfície do oceano registrou 100 dias de temperaturas recordes, segundo alerta publicado em conjunto por cientistas do serviço climático europeu Copernicus. Esses especialistas também destacaram que o trimestre junho–agosto de 2026 foi o mais quente da história da Terra já registrado.
As mudanças climáticas combinadas aos efeitos do El Niño contribuiu para o calor intenso no mês passado, levando países do Hemisfério Norte, como os Estados Unidos, a enfrentarem seu verão mais quente. Em agosto, a temperatura média mundial foi de 16,96 °C, o que tecnicamente representa um aumento de 0,01 °C em relação ao recorde global histórico estabelecido em julho de 2023.
— Os seres humanos não vivenciam temperaturas tão altas quanto as de hoje há, possivelmente, pelo menos 100 mil anos — afirmou Samantha Burgess, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), órgão que supervisiona o Copernicus.
Os efeitos do aumento das temperaturas chegam a todos os ambientes, podendo ser prejudicial à vida natural e selvagem.
— Um oceano permanentemente aquecido altera profundamente seu próprio funcionamento. O excesso de calor desregula a circulação das correntes marinhas, diminui a capacidade de absorção de carbono pelo oceano, reduz a oferta de oxigênio e nutrientes e sufoca os ecossistemas. Como esse calor acumulado não desaparece, ele se torna um motor contínuo da crise climática. Na prática, o impacto chega diretamente à vida das pessoas por meio da perda da biodiversidade, da insegurança alimentar e do desencadeamento de eventos climáticos extremos, aprofundando a vulnerabilidade de quem já vive na linha de frente do desastre climático — destaca a porta-voz de Oceanos do Greenpeace Brasil, Bruna Canal.
Cientistas do Copernicus ainda observaram que as temperaturas da superfície do mar também atingiram um recorde diário global e igualaram o calor recorde para o mês de agosto, estendendo uma sequência de três meses de temperaturas sem precedentes nos oceanos do mundo. Mais de 90% do excesso de calor retido pelas emissões de gases de efeito estufa foi absorvido pelos oceanos, com um custo severo para a vida marinha, os recifes e as comunidades costeiras.
As temperaturas de agosto bateram recordes em bacias como o Atlântico, o Mediterrâneo e o Pacífico tropical, onde o fenômeno El Niño mais intenso da era moderna está ganhando força rapidamente. Esses episódios são caracterizados por águas do Pacífico excepcionalmente quentes, que aumentam a probabilidade de eventos climáticos extremos a milhares de quilômetros de distância, desde inundações no Peru a secas na África ou incêndios florestais na Austrália.
O El Niño, que é a fase mais quente de um ciclo climático natural, normalmente causa um aumento temporário nas temperaturas globais, que já estão elevadas devido ao aquecimento global de longo prazo.
— Estamos vendo um efeito combinado de um super El Niño despejando calor no mar superaquecido. A água do mar mais quente, por sua vez, evapora mais rápido e transfere calor contínuo para a atmosfera, alterando correntes marinhas e gerando danos graves aos ecossistemas aquáticos. Este cenário caótico cria um ambiente propício para mais eventos extremos climáticos globais nos próximos meses, incluindo o Brasil — observa Bruna Canal.
(Com informações da AFP.)
Mês mais quente já registrado no mundo e 100 dias de temperaturas recordes na superfície do oceano
Antes mesmo do atual fenômeno El Niño ganhar ainda mais potência neste ano, 2026 já bateu recordes, com destaque para as temperaturas elevadas, em terra e mar. A Europa ultrapassou marcas Históricas nos termômetros, e viu parte da população sofrer, fosse pelo efeito das ondas de calor como dos incêndios que arrasaram áreas verdes. Neste […]