Esta semana foi de chuva e as previsões meteorológicas indicam que os dias acinzentados e com nuvens carregadas continuam pelo final de semana. Mas nem o cenário nublado e o aguaceiro conseguem desanimar quem veio ao Rio de Janeiro curtir o Rock in Rio, que tem apresentações musicais de sexta até domingo, e turistar pela cidade.
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Ana Carolina Freitas, de 23 anos, trouxe de Lages, sua cidade natal, em Santa Catarina, capas mais resistentes. Ela e suas amigas, inclusive, usavam a roupa contra a chuva para sentar no chão sem se molhar. Entretanto, com o intuito de não estragar a maquiagem, que, segundo a jovem, precisava durar até o fim dos shows, de madrugada, Ana decidiu investir em um guarda-chuva na fila, mesmo sabendo que teria que jogar o objeto no lixo para entrar no festival, já que o item é proibido.
— Comecei a me arrumar para vir às 3h da manhã, cheguei aqui ainda de madrugada. No início da manhã, começou a chover muito e, para proteger meu look, decidi comprar um guarda-chuva aqui na fila. Foi R$ 50, achei caro, mas seria mais caro ainda perder a maquiagem que fiz pegando chuva — afirma a jovem.
Vestindo capa de chuva, Ana Letícia foi preparada para o show do Stray Kids no Rock in Rio
Amanda Rosa
— A chuva jamais me impediria de aproveitar o festival. Mesmo se chover durante os shows, a gente vai se divertir bastante. Não importa se está chuva ou sol, eu sei que hoje vai ser muito legal — afirmou Ana Letícia, estudante de 24 anos, que veio de Brasília para assistir ao grupo coreano Stray Kids.
Apesar de a boyband se apresentar apenas às 0h05 da virada para hoje, a jovem chegou às 8h da manhã de sexta nos portões do Parque Rita Lee, onde acontece o Rock in Rio, e se juntou a uma fila quilométrica de fãs de K-pop, que se formava no local desde a noite de quinta-feira. A professora Rochelle Lopes, de 36 anos, foi uma das fãs que inauguraram essa espera. Gaúcha, ela veio do Rio Grande do Sul e estava desde as 22h30 da véspera do festival guardando lugar na entrada do evento, e virou a madrugada na chuva.
— Foi difícil passar a noite aqui. Eu não estava esperando a chuva, mas estou muito empolgada para o show. Tenho muita vontade de conseguir ficar na grade (do palco), então vale a pena. Trouxe até capa para me proteger da chuva e vi que aqui tem um pessoal vendendo — conta a educadora.
Chuva como negócio
Davi Oliveira aproveita o tempo instável para vender capas de chuva na banca em que trabalha
Amanda Rosa
O vendedor Davi Oliveira é uma dessas pessoas que Rochelle avistou comercializando capas de chuva. Ele trabalha há um ano em uma banca de jornal que fica em frente à Cidade do Rock e, como viu que a previsão do tempo era de chuva para o final de semana, decidiu investir na vestimenta para potencializar as suas vendas.
— Está chovendo direto e a gente decidiu colocar capas para vender. E está sendo um bom negócio; já cheguei a lucrar R$ 2 mil em um dia de venda. Estou vendendo cada uma por R$ 40 e o povo está comprando sem nem perguntar o preço; só não querem ficar na chuva — disse o comerciante.
Viviane da Silva é ambulante e investe em capas de chuva como produto para comercializar em grandes eventos
Amanda Rosa
Viviane da Silva, de 38 anos, trabalha como vendedora ambulante e também aproveitou as nuvens cheias para vender itens de proteção contra a chuva. Ela não tinha um local de vendas fixo como o Davi, mas aproveitou a longa fila no entorno do Parque Rita Lee para andar anunciando as capas. Como a procura era grande, ela aproveitou para ditar preços lucrativos: R$ 20 nas proteções de plástico fino e R$ 50 por cada vestimenta grossa contra o aguaceiro.
— Vi a previsão de chuva na televisão e me preparei para vir vender capa de chuva. Eu já estou acostumada a vender em grandes shows e eventos e sei que, quando o tempo fecha, a galera sempre compra capas. E eu estou vendendo bastante — relatou Silva.
Capas e guarda-chuvas superfaturados
A sorte dos vendedores, entretanto, foi vista como azar dos fãs pegos desprevenidos pelo mau tempo. A supervisora de faturamento Angela Gomes, de 38 anos, veio da capital de São Paulo até o Rio para trazer a filha de 12 anos ao dia do K-pop no Rock in Rio. Elas trouxeram capas de chuva de casa, mas a vestimenta da dupla era de um plástico muito fino e podia rasgar com facilidade. Com o incidente, as duas acabaram comprando novas capas, que consideraram superfaturadas, na porta do evento.
— Esta semana vi que ia chover e comprei uma capa de chuva de R$ 6, mas, quando fui abrir aqui na fila, vi que a qualidade dela era muito ruim, poderia rasgar e nos deixar na chuva. Então, decidi comprar outra capa, mas acabei pagando mais que o quádruplo; dei R$ 50 em cada uma. Os preços aqui estão exorbitantes — conta Angela, que comprou um material de um cambista na fila para entrar no evento.
Angela Gomes saiu da capital de São Paulo para trazer a filha de 12 anos ao dia do K-pop do Rock in Rio
Amanda Rosa
Cristo encoberto e busca pelo Sol no Pão de Açúcar
Antes de se programar para o show do Stray Kids, a internacionalista, que veio de Lages, no interior de Santa Catarina, para conhecer o Rio pela primeira vez, decidiu visitar os pontos turísticos da cidade, mas teve a experiência frustrada pelo tempo nublado.
— Eu e minhas amigas pegamos chuva no Cristo (Redentor). Chegamos lá bem cedo na quinta-feira, deu para ver um pouco do Cristo por uns 20 minutos, mas, logo, caiu uma chuva e já não dava para ver mais nada. Tivemos que descer (do Corcovado) — disse Ana.
O manauara Thiago Frazão não deixou o tempo nublado o impedisse de visitar pontos turísticos do Rio com a mãe e uma amiga, que vieram do Amazonas para tuirstar com ele
Amanda Rosa
Foi com medo dessa chuva que o estudante Thiago Frazão, de 27 anos, esperou o temporal que assolou a cidade na manhã de sexta passar para visitar outro ponto turístico famoso do Rio, o Pão de Açúcar, localizado na Urca, na Zona Sul do Rio.
— A gente trouxe sorte porque de tarde o tempo abriu, então vamos conseguir aproveitar bem o Pão de Açúcar hoje — afirmou o homem que veio de Manaus, no Amazonas, para turistar com a mãe e uma amiga.
No fim, deu até praia
No bairro vizinho, considerado o mais ilustre do Rio, depois da chuva, chegou até a abrir o sol. E deu praia para Daniel Johansen e Camila Johansen, casal de empresários. Vieram de Suzano, no interior de São Paulo, para aproveitar o fim de semana em solo carioca com os filhos.
— Agora saiu um sol para ajudar a gente. Mas a chuva não vai me atrapalhar em nada; não vou deixar de sair se estiver chovendo. Vamos tentar levar as crianças aos pontos turísticos — disse Camila, que, depois da praia, ainda levou sua filha pré-adolescente para o K-pop do Rock in Rio.
Daniel Johansen, Camila Johansen e a filha do casal aproveitam o Sol tímido na Praia de Copacabana
Amanda Rosa
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, a passagem de uma frente fria deixa o tempo mais instável neste sábado e, assim como ontem, pode haver pancadas de chuva, com temperaturas que oscilam entre 20°C e 30°C. Já no domingo, o tempo permanece encoberto, com previsão de chuva fraca e isolada ao longo do dia e possibilidade de pancadas de chuva entre a tarde e a noite. As temperaturas variam entre 19°C e 21°C.
Tudo pelo look: para proteger maquiagem no Rock in Rio, catarinense compra guarda-chuva por R$ 50 para jogar fora na hora do show
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