Nem todo mundo ama sua cidade natal como o ator Wagner Moura. “Salvador é meu lugar favorito, minha cidade predileta. Sou mais feliz lá do que em qualquer outro lugar. Amo tanto a cidade que dei o nome de Salvador a um dos meus filhos”, contou.
Moura, de 50 anos, já era um dos principais atores do Brasil quando ganhou fama internacional por sua interpretação do chefão do tráfico Pablo Escobar na série “Narcos”, da Netflix, e foi indicado ao Oscar no ano passado por seu papel em “O Agente Secreto”. Seu filme mais recente, o thriller “A Última Casa”, da Netflix, estreou no começo de agosto.
Hoje, ele mora em Los Angeles, mas também tem uma casa em Salvador. Já trabalhou no mundo inteiro, mas tenta passar o máximo de tempo possível em seu país e na cidade em que nasceu.
“A diversidade de Salvador criou uma cultura profundamente original. Não conheço nenhum lugar no mundo onde as pessoas tenham a autoestima que se vê lá”
Moura teve dificuldade em reduzir seus lugares favoritos a apenas cinco. Destinos como a Feira de São Joaquim — mercado ao ar livre que funciona todos os dias, repleto de temperos locais, ervas medicinais, produtos agrícolas e frutos do mar, sem falar na música, no artesanato e na cultura local — continuam sendo muito especiais para ele. “Uma vez, levei o Pedro Almodóvar lá. Foi maravilhoso vê-lo encantado com as cores e a cultura”, relembrou.
Mas a magia dessa cidade de cerca de dois milhões e meio de habitantes, a capital do estado da Bahia, vai muito além de seus mercados.
“A beleza da cidade, a cultura, o clima, o carnaval, o calor das pessoas, os artistas incríveis que vêm da Bahia”, afirmou, citando nomes como o escritor Jorge Amado, o cineasta Glauber Rocha e os músicos Dorival Caymmi, João Gilberto, Caetano Veloso e Gilberto Gil. “É o único lugar no mundo onde me sinto em casa de verdade.”
1. Praia do Porto da Barr
Pôr do sol na praia do Porto da Barra, em Salvador
Gabriela Portilho/The New York Times
“Minha praia favorita no mundo. A água é quente e calma”, disse Moura. Ele recomenda nadar até os barcos de pesca e olhar para trás, em direção à praia. A ausência de correnteza a torna ideal para famílias e crianças pequenas. Situada em um ponto próximo à entrada da Baía de Todos os Santos, fica voltada para o oeste, em direção à baía, e não para o Oceano Atlântico, o que faz com que o crepúsculo seja especial ali. “As pessoas chegam a aplaudir o pôr do sol no Porto.”
2. Fundação Casa de Jorge Amado
Piscina na Casa de Jorge Amado, em Salvador
Gabriela Portilho/The New York Times
Jorge Amado e a escritora Zélia Gatai moraram nessa mansão colonial, pintada de azul-celeste, no bairro do Rio Vermelho. “Os livros de Jorge Amado definiram nossa compreensão do que é a Bahia”, Moura observou. Chamou a casa de “um memorial com os pertences pessoais deles, móveis e fotos de todas as pessoas que Jorge e Zélia receberam lá”, como Jean-Paul Sartre e Pablo Neruda, além de moradores comuns de Salvador.
3. Concha Acústica do Teatro Castro Alves
Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador
Gabriela Portilho/The New York Times
Moura mencionou ter assistido a alguns dos melhores shows da vida dele nesse anfiteatro. “Vi espetáculos na Concha que foram tão lindos que redefiniram minha confiança no poder e na importância da arte”, acrescentou. Seu primeiro show no local, aos 15 anos, foi da banda de heavy metal Sepultura, e desde então já viu muitos outros músicos se apresentarem ali, incluindo Caetano Veloso.
4. Nossa Senhora do Pilar e Santa Luzia
Fonte na igreja de Nossa Senhora do Pilar e Santa Luzia, em Salvador
Gabriela Portilho/The New York Times
“Salvador tem algumas das igrejas mais bonitas do Brasil. Dizem que existe uma para cada dia do ano lá”, disse Moura, citando vários templos, incluindo a Igreja do Bonfim, com sua festa tradicional em que os fiéis do candomblé, religião afro-brasileira, lavam as escadarias. “Tem tanta beleza e esperança no sincretismo de Salvador, especialmente nestes tempos de intolerância religiosa.” Mas, entre as igrejas, sua favorita é a de Nossa Senhora do Pilar e Santa Luzia. “Sou devoto de Santa Luzia, protetora dos olhos. Todo ano vou à igreja pedir a bênção dela.”
5. Dona Mariquita
Arroz de hauçá no restaurante Dona Mariquita, em Salvador
Gabriela Portilho/The New York Times
Segundo o ator, os ótimos restaurantes de Salvador não recebem o reconhecimento que merecem. O Origem e o Manga, por exemplo, “deveriam ter estrelas do ‘Michelin’, mas o guia só enxerga os restaurantes do Rio e de São Paulo”. Na opinião de Moura, existe um restaurante em Salvador que se destaca dos demais. É o Dona Mariquita, que pertence à chef Leila Carreiro, estabelecimento especializado em comida afro-brasileira caseira, onde você pode comer o tradicional arroz de hauçá ou um delicioso acarajé, o bolinho de feijão, “com uma cerveja gelada na hora do almoço”. O trabalho de pesquisa culinária que Leila faz para criar seus pratos “é diferente de tudo que já vi”.
Os cinco lugares favoritos de Wagner Moura em Salvador
Nem todo mundo ama sua cidade natal como o ator Wagner Moura. “Salvador é meu lugar favorito, minha cidade predileta. Sou mais feliz lá do que em qualquer outro lugar. Amo tanto a cidade que dei o nome de Salvador a um dos meus filhos”, contou. Moura, de 50 anos, já era um dos principais […]