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Exército de Israel avalia ação legal contra ‘NAZA’ e investiga vazamento de informações sigilosas usadas no filme

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel, tenente-general Eyal Zamir, determinou nesta segunda-feira que sejam avaliadas medidas legais contra o documentário “NAZA” e os envolvidos na sua produção, além de ordenar, separadamente, uma investigação sobre o vazamento de informações sigilosas utilizadas na obra. A decisão ocorre após o filme — que acusa o […]

Exército de Israel avalia ação legal contra ‘NAZA’ e investiga vazamento de informações sigilosas usadas no filme


O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel, tenente-general Eyal Zamir, determinou nesta segunda-feira que sejam avaliadas medidas legais contra o documentário “NAZA” e os envolvidos na sua produção, além de ordenar, separadamente, uma investigação sobre o vazamento de informações sigilosas utilizadas na obra. A decisão ocorre após o filme — que acusa o Exército israelense de usar inteligência artificial (IA) para selecionar alvos em Gaza, provocar a morte de civis e até interceptar comunicações de integrantes do Hamas com familiares — provocar uma onda de reações de autoridades israelenses. Em paralelo, as Forças Armadas pediram acesso à íntegra do documentário aos diretores Yuval Abraham e Rachel Szor, alegando que precisam analisar o conteúdo completo para responder às acusações com base em evidências.
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“NAZA”, produzido pelo jornal britânico Guardian e dirigido pelos dois cineastas israelenses, reúne depoimentos anônimos de 24 ex-integrantes das Forças Armadas e dos serviços de inteligência de Israel. Segundo os relatos apresentados no filme, sistemas de IA teriam sido empregados para identificar e atacar integrantes do Hamas em Gaza, inclusive membros de baixa patente. As fontes também afirmam que alguns ataques atingiram as casas dos alvos, matando familiares e outros civis que não teriam relação com o grupo.
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Em um dos depoimentos, uma fonte afirma que teria sido autorizada a matar 500 pessoas classificadas pelo sistema como “NAZA” para eliminar um único integrante do Hamas. O termo que dá nome ao documentário seria uma sigla usada pela inteligência israelense para indicar a quantidade de civis que se espera que morram em determinado ataque aéreo.
Inicialmente, as Forças Armadas de Israel afirmaram que “rejeitam categoricamente” as alegações do filme e questionaram o uso de depoimentos anônimos. Posteriormente, porém, disseram que as acusações deveriam receber uma resposta detalhada e baseada em evidências, ressaltando que ainda não assistiram ao documentário completo.
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O porta-voz militar Effie Defrin afirmou que o Exército israelense é “uma força baseada em valores, que atua de acordo com o direito internacional e com valores e padrões profissionais vinculantes”. Segundo ele, os depoimentos de soldados israelenses sobre ataques em Gaza exibidos no trailer são “distorcidos, falsificados e desconectados da realidade no terreno”.
‘Distorção deliberada da realidade’
Segundo o jornal Times of Israel, após uma reunião com altos comandantes militares, Zamir instruiu o procurador-geral militar, major-general Itai Ofir, a avaliar “possíveis medidas legais relacionadas ao filme e aos envolvidos nele”, citando a divulgação do que classificou como alegações falsas contra soldados israelenses e possíveis riscos à segurança deles e do Estado.
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O chefe do Estado-Maior também determinou a criação de uma equipe multidisciplinar, liderada pela Diretoria de Planejamento, para formular medidas de resposta às acusações contra o Exército e seus soldados, inclusive com a participação de especialistas israelenses e estrangeiros.
Cena do documentário ‘NAZA’, que trata dos sistemas por trás do assassinato em massa e calculado de civis palestinos em Gaza por parte de Israel
Reprodução / NAZA
De acordo com Zamir, o documentário não seria uma tentativa de investigar os fatos, mas uma produção baseada em “distorção deliberada da realidade” e “acusações falsas e graves” contra militares israelenses. Ele afirmou ainda que o filme busca apresentar as Forças Armadas de Israel como uma instituição que age deliberadamente de maneira ilegal.
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“Não permitiremos que soldados das Forças Armadas de Israel sejam transformados em alvos por meio de mentiras e libelos de sangue”, afirmou Zamir em comunicado, acrescentando que o Exército usará ferramentas jurídicas, de comando e de diplomacia pública para responder às acusações.
Pressão sobre os diretores
A reação militar ocorre um dia depois de o ministro da Cultura de Israel, Miki Zohar, pedir que a cidadania israelense de Abraham e Szor seja revogada. Nesta segunda-feira, Zohar também solicitou uma investigação para identificar as fontes anônimas ouvidas no documentário e descobrir como os materiais utilizados na produção foram obtidos.
A jornalista e diretora Rachel Szor e o jornalista e cineasta israelense Yuval Abraham comparecem ao tapete vermelho para a exibição de “Naza”, apresentado em competição no 83º Festival Internacional de Cinema de Veneza, em 10 de setembro de 2026
TIZIANA FABI / AFP
Segundo uma mensagem publicada pelo ministro no X, ele procurou o Ministério do Interior para discutir a possibilidade de retirar a cidadania dos cineastas, acusando-os de “falhar com seu dever de lealdade ao Estado” e de “colaborar com o inimigo”. Zohar também questionou se as atividades que levaram à coleta e à publicação dos materiais poderiam ter ajudado o inimigo durante a guerra.
No domingo, o ministro havia acusado os diretores de estarem dispostos a “prejudicar sua pátria para receber aplausos de antissemitas de todo o mundo” e afirmou que agiria para revogar sua cidadania por “traição ao Estado”.
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A retirada da cidadania é legalmente possível em Israel, embora seja uma medida rara. Em 2022, a Suprema Corte confirmou que o Estado pode retirar a nacionalidade de pessoas que não tenham demonstrado lealdade, inclusive em casos de espionagem ou traição. A legislação foi ampliada em 2023 para incluir pessoas condenadas por terrorismo.
Outros integrantes do governo israelense também atacaram os cineastas. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, afirmou que eles são uma “vergonha” para Israel e disse acreditar que o Hamas os receberia “de braços abertos”. O ex-ministro da Defesa Avigdor Lieberman chamou Abraham e Szor de “odiadores de Israel”, enquanto o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett classificou o documentário como um “horrível libelo de sangue contra nossos filhos e filhas”.
Documentário divide opiniões
“NAZA” recebeu no sábado o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cinema de Veneza, depois de uma ovação de 25 minutos — a mais longa da história do festival. Abraham e Szor também foram os diretores de “No Other Land”, documentário que ganhou o Oscar em 2025 e aborda a violência de colonos israelenses contra palestinos na Cisjordânia ocupada.
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A casa da família de Abraham foi alvo de uma multidão de extrema direita após a estreia mundial, em 2024, de “No Other Land”. Em entrevista ao Guardian, Abraham afirmou que ele e Szor “estão assumindo riscos em um sistema que nos privilegia”, em referência à condição de judeus israelenses.
— Para tantos palestinos, não é uma multidão de direita que está indo até sua casa: são escavadeiras e armas financiadas pelos EUA — disse. — Imagine se um jornalista palestino em Gaza tentasse fazer o que fizemos e ligasse para altos funcionários israelenses. Não há comparação. Eles provavelmente seriam assassinados.
A repercussão de “NAZA”, no entanto, dividiu opiniões em Israel. O ex-parlamentar Yousef Jabareen, presidente do partido de esquerda Hadash, parabenizou os diretores pelo prêmio e agradeceu por levarem “esses crimes horríveis e a realidade brutal em Gaza” a milhões de pessoas.
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Já Anat Saragusti, responsável pela área de liberdade de imprensa da União dos Jornalistas de Israel, afirmou que o público israelense não recebeu uma cobertura adequada, em hebraico, sobre o que ocorreu em Gaza durante a guerra. Segundo ela, a imprensa do país mostrou pouco das vítimas civis palestinas, das crianças mortas e da destruição.
Em editorial, o jornal Haaretz também defendeu que os israelenses confrontem o que classificou como a realidade das ações de Israel em Gaza. Para o veículo, o filme tenta levar o público israelense a encarar questionamentos sobre a forma como a guerra vem sendo conduzida.
(Com AFP)

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BRCOM