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CASACOR Rio 2026 celebra obra de Sergio Rodrigues em temporada marcada pela história do Centro da cidade

Perto de seu centenário, que será celebrado em 2027, Sergio Rodrigues (1927-2014) ganha homenagem da CASACOR Rio, a mais completa plataforma de arquitetura, design de interiores e paisagismo das Américas, que começa hoje e vai até 8 de novembro. Responsável por ter colocado no mapa o mobiliário nacional, o designer é uma das atrações desta […]

CASACOR Rio 2026 celebra obra de Sergio Rodrigues em temporada marcada pela história do Centro da cidade


Perto de seu centenário, que será celebrado em 2027, Sergio Rodrigues (1927-2014) ganha homenagem da CASACOR Rio, a mais completa plataforma de arquitetura, design de interiores e paisagismo das Américas, que começa hoje e vai até 8 de novembro. Responsável por ter colocado no mapa o mobiliário nacional, o designer é uma das atrações desta temporada do evento, que ocupa um novo endereço, o Edifício Aliança da Bahia, no Centro do Rio de Janeiro. Expostas no sexto andar, peças do mestre do design dialogam com o tema “Mente e Coração”, que orienta a edição deste ano propondo uma reflexão sobre os espaços domésticos, a memória e as relações com a cidade.
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A mostra CASACOR Rio tem 35 anos e é a mais antiga franquia da plataforma CASACOR, marca que pertence à Editora Globo.
— Percorremos toda a carreira premiada de Sergio desde suas primeiras peças e também trazemos novidades — explica o curador da mostra, João Caetano. — A palavra-chave da CASACOR é memória, e o acervo do Sergio tem tudo a ver com o novo endereço da mostra no Centro, que está dentro de um reduto da história da arquitetura modernista.
Intitulada “A forma informal”, a exposição reúne 36 peças criadas por Sergio Rodrigues, que apresentou ao mundo um design genuinamente brasileiro. Com inovações que combinavam formas inusitadas e um conforto próprio para o clima tropical, suas criações trazem referências à arquitetura, à natureza e ao nosso jeito de viver e morar. Nos anos 1950, enquanto outros copiavam a estética europeia, ele projetou um Brasil bossa nova ávido por afirmação.
A mostra traz uma leitura contemporânea do estilo do designer, reunindo exemplares icônicos e reedições mais recentes, menos conhecidas do público. É o caso da cadeira Bule, desenhada em 1991, com traços verticais e um apoio para a cabeça que remete à icônica poltrona Chifruda (1962), também exposta.
Autenticidade
Outras raridades incluem o banco Eleh, uma caixa prismática criada em 1957 para o Palácio dos Arcos, em Brasília; a mesa de jantar Stella, da coleção em homenagem à sua avó materna; e a Mitzi, que contrasta artesanal e indústria, reforçando a ligação de Rodrigues com o modernismo. Há ainda uma reedição única do espelho de parede Azen, ainda não comercializado.
— As peças do Sergio se tornaram icônicas por sua autenticidade: a poltrona Mole não se parece com nada, a poltrona Chifruda é totalmente inusitada, essa perfuração em forma de olho que vemos em algumas peças (como a cadeira Katite ou a mesa de trabalho Adolpho) é outro traço inconfundível dele — lembra Caetano. — Quando viajamos o Brasil, entendemos de onde veio essa inspiração.
Sergio Rodrigues
Marizilda Cruppe
Além das peças, a exposição convida a uma imersão no trabalho do mestre, com concepção das arquitetas Bel Lobo e Mariana Travassos, do escritório Bebo Arquitetos. Os visitantes poderão ver a prancheta original do designer, enquanto escutam histórias de seu trabalho gravadas na voz do próprio Sergio Rodrigues.
Desenhos são projetados em sua prancheta e se ampliam para piso e paredes, complementando a instalação. Para conduzir a exposição dentro do espaço, as arquitetas usaram o sistema SR2, famoso por sua concepção flexível, desenvolvido por Sergio Rodrigues para a padronização de casas modulares.
—A sustentabilidade está presente na simplicidade de manter as características existentes do ambiente sem gerar custos ou desperdícios, além do uso do material pinus, proveniente de florestas renováveis, na construção do único elemento condutor do espaço — diz Bel Lobo.
O fator John Kennedy
A notoriedade mundial de Sergio Rodrigues começou com sua famosa poltrona Mole, vencedora do IV Concurso Internacional do Móvel em Cantù, na Itália, em 1961. Apelidado de “cama de cachorro”, o móvel logo se tornou um item cobiçado quando chegou ao então presidente dos EUA John Kennedy. Com o sucesso, veio uma adaptação da peça, a Moleca, com um sistema fácil de montar e desmontar.
— O transporte naquela época era muito mais difícil, então ele fez a Moleca, um peça totalmente desmontável, que você pode tirar o braço e o encosto. Cabia numa caixa — lembra João Caetano.
Desafio central
Destacando a capacidade de transformação da cidade, a proposta da CASACOR Rio 2026 começa pelo novo endereço. Ícone modernista construído entre 1957 e 1961, o Edifício Aliança da Bahia ganhou restauração e um projeto de retrofit assinado pelo arquiteto Ruy Rezende.
Com diferentes ambientes, a nova edição da CASACOR celebra 35 anos de história em um novo endereço: o icônico Edifício Aliança da Bahia
Divulgação
Tradicionalmente na Zona Sul (apesar de uma eventual ida para o Porto Maravilha em 2017), o evento passa agora a fazer parte da Semana de Arte do Rio e do Reviver Centro, projeto da prefeitura que tem como objetivo atrair novos moradores para a região central, aproveitando a infraestrutura já existente.
— Queríamos comemorar os 35 anos da CASACOR com o desafio de trazer o público para o Centro — diz Patricia Quentel, sócia-diretora da CASACOR RIO. — Escolhemos um prédio que não é residencial, mas o proprietário topou. Pensamos então na criação desse condomínio fictício, que ocupa sete (dos 15) andares do prédio, com inspiração no Copan (de São Paulo). Adoro essa ideia do tudo junto ao mesmo tempo, de ter o estúdio, o loft, o consultório, o ateliê do artista, um café, eu queria fazer algo com essa pegada.
Quem colocou o plano na prática foi o arquiteto Mário Costa Santos. Estúdios, lofts, apartamentos compactos e ambientes de diferentes dimensões se distribuem ao longo dos 48 ambientes, sem perder de vista a história da cidade. Todas as janelas dão vista para o Palácio Capanema, outra referência do modernismo do Centro. Bistrô, bares, cafés e lojas ocupam o térreo com acesso livre para não visitantes.
Ao mesmo tempo, a edição comemorativa de 35 anos olha no retrovisor, destacando diversos profissionais que já participaram da história do evento. Nomes como Jairo de Sender, que participou da primeira edição, no início da década de 1990, aparecem ao lado de expoentes da nova geração como Natalia Lemos, Cadé Marino e Pedro Coimbra.
Entre memórias e mosaicos
No sétimo andar, a exposição “Entre tempos”, com curadoria de Joaquim Marçal, recupera as transformações urbanas e arquitetônicas do Centro do Rio. Organizada pelo projeto Rio Memórias, destaca episódios históricos como a reforma urbana de Pereira Passos e a derrubada do Morro do Castelo. Fotografias apresentam 12 edifícios emblemáticos do entorno, entre eles o Palácio Gustavo Capanema, a sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), o Theatro Municipal e o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Outros artistas homenageados são Paulo Werneck (1907-1987), pintor conhecido por seus mosaicos e painéis de azulejo, e Percival Lafer, de 90 anos, que revolucionou a técnica de reaproveitamento de madeira.
— Este ano pensamos em trazer um conteúdo ligado aos pilares da CASACOR, que são história, cultura, design e a arte popular — diz Patricia Mayer, sócia-diretora da CASACOR RIO. — A mudança para o Centro ganhou uma resposta muito positiva dos participantes, desde os veteranos que participaram da primeira edição até essa turma jovem e antenada, que adora a região.
Serviço
Onde: Edifício Aliança da Bahia (Rua Araújo Porto Alegre 36, Centro). Quando: De hoje a 8 de novembro. Horários: Terça a domingo, das 12h às 20h. Preço: R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia-entrada). Assinante do GLOBO tem desconto.

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Autor

BRCOM