Policiais turcos prenderam cerca de 150 pessoas que protestavam contra a repressão à comunidade LGBTQIA+ no país nesta terça-feira. Os manifestantes estavam reunidos em frente ao Palácio da Justiça de Caglayan, no lado europeu de Istambul, e foram detidos após se recusarem a deixar o local.
O GLOBO no Mundo: Receba as notícias internacionais direto no seu celular
Quer morar fora? Ferramenta do GLOBO reúne informações sobre custo e qualidade de vida, salários, vistos, oportunidades e características de 36 países
“Viva a luta pela liberdade!”, “Apesar do ódio, viva a vida!” e “Libertem os presos imediatamente!”, gritavam os manifestantes. O grupo também carregava uma faixa com a frase: “Ser LGBTQIA+ e se organizar não é crime”.
— Enquanto tantos crimes graves ficam impunes, o governo agora faz operações contra ativistas LGBTQIA+. Essas pessoas não cometeram nenhum outro crime além de serem quem são e defenderem seus direitos ou os direitos dos outros — disse à AFP Zeynep, uma manifestante de 44 anos que preferiu não revelar o sobrenome.
Initial plugin text
O partido pró-curdo (DEM, na sigla em turco), figura-chave no processo de paz entre Ancara e os combatentes curdos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, na sigla em curdo), condenou as batidas policiais contra pessoas LGBTQIA+.
“A linguagem da paz não pode ser acompanhada de repressão”, escreveu a legenda na rede social X.
Batidas em bares e casas de ativistas
As prisões desta terça-feira ocorrem após uma série de operações contra a comunidade LGBTQIA+ em diferentes partes da Turquia. No domingo, dezenas de pessoas foram presas em bares gays e nas casas de ativistas LGBTQIA+ sob acusações como “obscenidade”, “facilitação da prostituição” e “vínculos financeiros com entidades estrangeiras”.
As autoridades miraram pelo menos 162 pessoas durante a ofensiva do fim de semana. Segundo o ministro da Justiça, Akin Gürlek, as ações envolveram nove organizações e 13 empresas em 15 províncias, incluindo Istambul e Ancara.
Tensão entre Israel e Turquia: Ancara nega envio de tropas à Síria
A organização de direitos LGBTQIA+ Kaos GL afirmou que mais de dez de seus membros foram presos após terem as casas revistadas. A entidade também denunciou o bloqueio de sites e contas em redes sociais. No sábado, as autoridades haviam exigido o encerramento do canal da organização no X e de canais de cerca de outras 15 organizações LGBTQIA+.
A ação faz parte da campanha “Minha família está segura”, que, segundo o governo, tem como objetivo proteger crianças e “valores familiares” tradicionais. A iniciativa ocorre no contexto da chamada “Década da Família”, proclamada pelo presidente Recep Tayyip Erdogan para “proteger nossas crianças, a instituição da família e a ordem social”.
Repressão LGBTQIA+: Turquia bloqueia cruzeiro e diz que passageiros ferem ‘valores morais’
O ministro da Justiça turco prometeu dar continuidade à ofensiva, apesar das preocupações manifestadas, inclusive, pela União Europeia.
Ser LGBTQIA+ não é crime na Turquia, mas a homofobia é generalizada e alcança até mesmo os mais altos escalões do Estado.
(Com AFP)
Turquia prende cerca de 150 pessoas que protestavam contra repressão LGBTQIA+
Policiais turcos prenderam cerca de 150 pessoas que protestavam contra a repressão à comunidade LGBTQIA+ no país nesta terça-feira. Os manifestantes estavam reunidos em frente ao Palácio da Justiça de Caglayan, no lado europeu de Istambul, e foram detidos após se recusarem a deixar o local. O GLOBO no Mundo: Receba as notícias internacionais direto […]