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Mulher dos EUA descobre ser barriga de aluguel de bilionário chinês que teria mais de 100 filhos

Uma imigrante sem documentos de Honduras que vive na Califórnia descobriu apenas depois do parto que o bebê que havia gerado por meio de barriga de aluguel era destinado ao bilionário chinês Xu Bo, apontado como pai de mais de 100 crianças nascidas por barriga de aluguel nos Estados Unidos. Uma ex-companheira afirma que ele […]

Mulher dos EUA descobre ser barriga de aluguel de bilionário chinês que teria mais de 100 filhos


Uma imigrante sem documentos de Honduras que vive na Califórnia descobriu apenas depois do parto que o bebê que havia gerado por meio de barriga de aluguel era destinado ao bilionário chinês Xu Bo, apontado como pai de mais de 100 crianças nascidas por barriga de aluguel nos Estados Unidos. Uma ex-companheira afirma que ele teria até 300 filhos. Xu, porém, contesta os números e declarou que tem a guarda de 12 crianças nascidas dessa forma nos EUA.
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Andrea, como é identificada pela CBS News para preservar sua identidade, encontrou a agência Creating Your Dreams Surrogacy após ver um anúncio no Instagram que prometia uma remuneração substancial. Antes de assinar o contrato, pediu uma chamada de vídeo com o casal que desejava ter filhos. Segundo ela, a conversa a convenceu a aceitar a gravidez, em uma tentativa de sustentar as duas filhas.
Em outubro de 2024, porém, após o nascimento, um casal de idosos que Andrea nunca havia visto chegou ao hospital para buscar o bebê.
— Quando o bebê nasceu e eles chegaram ao hospital, era um casal completamente diferente — relatou à CBS News, neste domingo (13).
Preocupada com sua situação migratória e com valores que ainda teria a receber, Andrea entregou a criança e afirma ter recebido cerca de US$ 40 mil. Ela nunca mais viu o bebê ou o casal.
Falta de fiscalização
O caso faz parte de uma investigação de um ano da CBS News, baseada em entrevistas com mães de aluguel e na análise de centenas de contratos e documentos judiciais. Segundo a reportagem, mulheres podem ser contratadas sem saber que os mesmos futuros pais recorreram simultaneamente a outras barrigas de aluguel. Não há uma agência federal responsável por monitorar esses nascimentos.
Os Estados Unidos são o único país desenvolvido onde a barriga de aluguel comercial é legal. A Califórnia se tornou um dos principais centros desse mercado, inclusive para estrangeiros. Segundo o advogado Dean Masserman, o estado tem leis consideradas favoráveis e está geograficamente próximo da China e de Taiwan.
A advogada Melissa Brisman afirmou à CBS News que não existem leis que limitem o número de barrigas de aluguel que um mesmo casal ou futuro pai pode contratar. Na maioria dos estados, segundo ela, também não é obrigatória uma verificação de antecedentes dos pais que recorrem ao procedimento.
O caso de Andrea é um dos relatos reunidos pela CBS News sobre mulheres que só conheceram os futuros pais no momento do parto ou sequer chegaram a conhecê-los. Em outro episódio, 17 barrigas de aluguel entrevistadas disseram não saber que estavam ajudando um casal de Arcadia, na Califórnia, a formar uma família que chegou a ter pelo menos 25 crianças por meio do procedimento.
No caso de Xu Bo, uma barriga de aluguel identificada pela CBS como Judy disse ter perguntado repetidamente à agência quem era o futuro pai e quantas mulheres haviam sido contratadas. Ela afirma ter sido informada de que eram quase duas dezenas.
— São muitas crianças ao mesmo tempo — disse Judy.
Documentos obtidos pela CBS News identificaram Xu como o pai pretendido. Ele não respondeu aos pedidos de comentário da emissora. Após uma reportagem do Wall Street Journal, em dezembro de 2025, Xu contestou os números sobre seus filhos. Recentemente, publicou nas redes sociais uma imagem de mais de cem crianças pequenas sentadas em fileiras e afirmou, em chinês, defender a ideia de que ter mais filhos traz mais bênçãos.
A investigação da CBS também apontou que a legislação americana foi estruturada principalmente para proteger os direitos dos pais que contratam as barrigas de aluguel, enquanto as regras de fiscalização e proteção das gestantes permanecem limitadas.
Em 2025, Andrea voltou a ser barriga de aluguel e deu à luz gêmeos por cesariana. Dessa vez, afirmou ter mantido contato com os futuros pais durante toda a gravidez e recebido US$ 68 mil. Ela havia concordado em falar diante das câmeras sobre os problemas que identificava no setor, mas cancelou a entrevista minutos antes.
“Não posso. Estou com muito medo”, escreveu à CBS News

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Autor

BRCOM