A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs nesta quarta-feira que o Canadá se tornasse o primeiro “membro associado” da União Europeia (UE), em um título destinado a destacar a crescente proximidade do país da América do Norte com seus aliados transatlânticos, à medida que ambos enfrentam uma deterioração em suas relações com os EUA. A chefe do Executivo europeu também sugeriu a criação de um Conselho Europeu de Segurança, incluindo UE, Canadá, Noruega e Reino Unido, em discurso na presença do primeiro-ministro canadense, Mark Carney.
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— Devemos repensar urgentemente nossas parcerias — declarou Von der Leyen durante um discurso em Estrasburgo, na França, com Carney sentado exatamente à sua esquerda. — Gostaria de trabalhar com você para abrir a porta para que o Canadá seja o primeiro membro associado da UE.
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O status de membro associado não está juridicamente definido pelos tratados da UE. A Alemanha propôs a medida para a Ucrânia e sugeriu que permitiria participar de reuniões e cúpulas europeias, embora sem direito a voto. Apesar dos detalhes escassos e a associação ainda não concretizada, o anúncio foi recebido com uma ovação de pé pelas partes europeias, e Carney e Von der Leyen apertaram as mãos calorosamente no momento do anúncio.
Bruxelas e Ottawa buscam aprofundar alianças, em um momento em que estão sob pressão “amiga” de um dos seus principais aliados históricos, os EUA. O presidente americano, Donald Trump, iniciou uma guerra comercial implacável contra o Canadá, estendeu tarifas a países europeus e reduziu apoio aos aliados da Otan — provocando uma corrida para o rearmamento da UE.
Von der Leyen destacou os laços entre os europeus e os canadenses, apontando que os laços comerciais aumentaram mais de 75% em menos de uma década. A presidente da Comissão Europeia também disse ser “urgente reiventar nossas alianças”, apontando riscos geopolíticos, que argumentou ser comuns ao Canadá.
— Vemos o mundo com os mesmos olhos, da IA à mudança climática, do Ártico à geopolítica — disse a representante de Bruxelas, conclamando os aliados a construírem “um futuro comum”.
Embora a presidente europeia tenha afirmado que a proposta “não é uma parceria contra ninguém”, mas uma medida “em prol de nossa força comum”, os discursos entre os parlamentares europeus — e os aplausos efusivos após a sinalização ao Canadá — demonstram a preocupação com a incerteza sobre a aliança com Washington, tanto quanto com as rivalidades estratégicas fora do Ocidente.
— China, Rússia e EUA viraram as costas para o direito internacional — disse Barry Andrews, membro irlandês do Parlamento Europeu, em um comunicado após o discurso de Von der Leyen. — Precisamos de novos aliados.
Carney proferiu um discurso de grande repercussão no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, este ano, no qual argumentou que a Ordem Mundial surgida da Guerra Fria enfrentava uma “ruptura, não uma transição”, e que “as potências médias precisam agir em conjunto, pois, se não estivermos à mesa, estaremos no cardápio”.
Segurança e defesa
O pronunciamento em Estrasburgo também tratou das preocupações europeias com a defesa do continente diante da guerra na Ucrânia e do avanço de ações da Rússia em direção ao território da Europa.
— As ameaças híbridas enfrentadas pela Europa são cada vez menos híbridas e cada vez menos ameaças — afirmou Von der Leyen, mencionando o incidente com um drone armado no Aeroporto de Leipzig, na Alemanha, como uma “tentativa de ataque”.
A presidente propôs a criação de um Conselho Europeu de Segurança — que reuniria, além dos Estados-membros da UE, Canadá, Noruega e Reino Unido — e de um “Protocolo de Segurança de emergência”, semelhando ao Artigo 4 do Tratado da Otan, que prevê reuniões de crise entre membros da aliança, mas apenas europeu.
— A urgência é ainda maior hoje, dada a natureza e a magnitude dos riscos em jogo. Por isso, apresentaremos nossas ideias para que um Conselho Europeu de Segurança se torne realidade — disse. — Em caso de ativação por parte de um Estado-membro, todos os Estados-membros se reuniriam para coordenar uma resposta europeia, impedir qualquer nova escalada e mitigar as consequências. (Com AFP e NYT)
UE abre caminho para o Canadá se tornar 'membro associado' e propõe criação de Conselho de Segurança Europeu
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs nesta quarta-feira que o Canadá se tornasse o primeiro “membro associado” da União Europeia (UE), em um título destinado a destacar a crescente proximidade do país da América do Norte com seus aliados transatlânticos, à medida que ambos enfrentam uma deterioração em suas relações com […]