A paridade de gênero em nível global ainda está a mais de uma vida de distância para as mulheres, embora a diferença em relação aos homens seja agora menor do que nunca, segundo o Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês).
Mesmo com alta do emprego: No Brasil, mulheres ganham 21,3% menos que homens
Estudo aponta: Mulheres trabalham 10 horas a mais que homens por semana, mas ganham um terço da renda deles
A organização sediada em Genebra divulgou nesta quarta-feira seu relatório anual sobre o tema. O estudo concluiu que, no ritmo atual de progresso, ainda serão necessários 120 anos para alcançar a igualdade plena. Trata-se de uma melhora significativa em relação aos 170 anos estimados há uma década, mas isso ainda significa que é improvável que alguém vivo hoje chegue a experimentar essa realidade.
O relatório do WEF combina índices de participação e empoderamento político, participação econômica e oportunidades, saúde e sobrevivência e nível educacional para avaliar as disparidades de gênero em todo o mundo.
A disparidade geral entre os gêneros nas 145 economias analisadas diminuiu para 69,4%, o melhor resultado registrado ao longo das duas décadas de existência desses relatórios.
— A paridade de gênero é possível de alcançar — economias de todos os níveis de renda registraram avanços, portanto a barreira não é a falta de recursos — afirmou Saadia Zahidi, diretora-gerente do Fórum Econômico Mundial (WEF). — Para acelerar esse processo, governos e empregadores precisam aprender com as políticas que funcionam e implementá-las mais rapidamente.
O país que queremos: O abono salarial deve ser mantido?
A categoria que mais avançou nos últimos 20 anos é o empoderamento político — embora a paridade nessa área ainda esteja a quase dois séculos de distância. Atualmente, há uma ministra para cada 4,3 ministros homens, ante uma proporção de uma mulher para cada 8,1 homens em 2006.
Nos parlamentos, a proporção passou de uma mulher para cada 5,6 homens para uma mulher para cada três homens, aproximadamente.
A política também é a dimensão que apresenta os sinais mais claros de retrocesso, com uma pontuação inferior à registrada em 2016. O número de mulheres chefes de Estado atingiu seu pico em 2022, o maior nível em meio século, e desde então voltou a cair.
As mulheres avançaram em outros cargos de liderança. Entre os principais executivos das empresas, elas ocupam 19% dos cargos de CEO e cerca de um quarto das posições de diretoras financeiras (CFO) e diretoras de operações (COO).
Avanço minado: Seis em cada dez mulheres acham que igualdade de gênero no setor ‘tech’ regrediu, diz estudo
Ainda assim, as mulheres continuam particularmente sub-representadas nos cargos corporativos mais poderosos. Elas ocupam menos de um quinto das posições que normalmente conduzem aos principais cargos executivos, enquanto predominam em funções como diretora de recursos humanos (CHRO) e diretora de pessoas (CPO).
E, no campo da inteligência artificial, as mulheres continuam sendo minoria em todos os níveis. Menos de uma em cada cinco engenheiras de IA é mulher, e elas estão mais concentradas em funções de anotação de dados, que muitas vezes são menos bem remuneradas do que os cargos de engenharia.
— O progresso em direção à paridade de gênero na liderança estagnou pelo quarto ano consecutivo — afirmou Sue Duke, diretora-gerente para EMEA e América Latina e chefe de políticas públicas globais e Economic Graph do LinkedIn. —Com base na trajetória atual, as meninas que nascem hoje não verão uma representação igualitária nos cargos de liderança ao longo de suas vidas. E a questão é ainda mais acentuada para as mulheres que trabalham em funções relacionadas à IA.
Em termos geográficos, a Europa lidera na redução da disparidade geral de gênero, seguida pela América do Norte, enquanto o Oriente Médio e o Norte da África ficam atrás. Essa última região começou mais tarde, mas vem intensificando de forma constante seus esforços e se tornando a região do mundo que mais implementa reformas nesta década.
Violência contra a mulher cresce e afeta empresas: Afastamentos subiram 313% em 4 anos
A Islândia liderou o ranking do relatório pelo 17º ano consecutivo, com 93% da disparidade de gênero eliminada. O país continua sendo o único a ter reduzido mais de 90% de sua desigualdade de gênero.
Sue Duke, do LinkedIn, destacou que, em períodos de desaceleração econômica, normalmente ocorre um retrocesso na conquista de cargos de liderança pelas mulheres.
— Sempre que há um impacto negativo, tendemos a voltar aos velhos padrões.Durante anos consecutivos, o papel das mulheres na liderança não apenas estagnou, mas também retrocedeu — afirmou.
Igualdade de gênero levará 120 anos, mesmo com redução da disparidade, diz Fórum Econômico Mundial
A paridade de gênero em nível global ainda está a mais de uma vida de distância para as mulheres, embora a diferença em relação aos homens seja agora menor do que nunca, segundo o Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês). Mesmo com alta do emprego: No Brasil, mulheres ganham 21,3% menos que homens […]