Autoridades americanas reuniram-se com representantes dos Houthis, grupo rebelde do Iêmen aliado ao Irã como parte do “Eixo da Resistência”, na Embaixada dos Estados Unidos em Omã, no último domingo, em meio a uma ampla ofensiva da milícia pela costa do Mar Vermelho. No encontro, revelado pela agência Reuters, que ouviu cinco fontes familiarizadas com o assunto, o grupo afirmou que não atacaria navios israelenses, americanos nem quaisquer embarcações comerciais, exceto as pertencentes à Arábia Saudita.
Nesta quarta-feira, inclusive, Riad afirmou ter destruído um drone lançado contra a cidade sagrada de Meca pelos Houthis, que negaram o ataque, mas reivindicaram ter abatido um caça saudita sobre o território iemenita.
Contexto: Conflito no Iêmen deixa 125 mil deslocados enquanto houthis avançam pela costa e atacam a Arábia Saudita, que promete revidar
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Em março do ano passado, o governo do presidente americano, Donald Trump, designou os Houthis como uma “organização terrorista estrangeira”. Mas, desde então, Washington tem negociado com eles, chegando a um cessar-fogo dois meses depois. Durante esse tempo, as forças americanas bombardearam alvos do grupo para interromper uma campanha de ataques a navios no Mar Vermelho.
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Já no último sábado, um dia antes da reunião em Mascate, Trump afirmou que os rebeldes pediram a Washington que não intervenha no conflito iemenita – contato ratificado pelo vice-presidente JD Vance na segunda-feira.
— Tivemos discussões. Os Houthis nos ligaram e não querem lutar contra nós — disse o presidente a jornalistas durante uma visita à Irlanda, na ocasião. — Eles não querem que vamos atrás deles.
Questionado pela Reuters sobre o encontro, um porta-voz do Departamento de Estado americano não confirmou, mas disse que “salvaguardar a liberdade de navegação no Mar Vermelho e impedir a exportação de terrorismo do Oriente Médio eram interesses fundamentais dos EUA”.
Riad acusa os Houthis de atacar Meca
As autoridades sauditas emitiram um alerta aéreo para Meca, o primeiro do tipo para o destino religioso que recebe milhões de peregrinos todos os anos. “A segurança das duas mesquitas sagradas e de seus visitantes constitui uma linha vermelha”, advertiu a Organização de Cooperação Islâmica, liderada pela Arábia Saudita, após “um drone hostil ingressar no espaço aéreo restrito da capital sagrada” do islã.
Peregrinos muçulmanos rezam em torno da Caaba, o santuário mais sagrado do Islã, na Grande Mesquita da cidade sagrada de Meca
FADEL SENNA/AFP
Os Houthis, que intensificaram os ataques contra a Arábia Saudita no início de setembro, negaram a responsabilidade do episódio em Meca. “As acusações são uma mentira batida, já utilizada anteriormente, que já não engana ninguém”, disse Hazm al-Assad, um dos líderes do grupo, no X.
O Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita denunciou um “ataque terrorista covarde”. O secretário-geral da Liga Árabe, Nabil Fahmy, afirmou que “atentar contra a segurança de Meca e contra o caráter sagrado dos lugares santos do islã constitui um fato de extrema gravidade”.
‘Mentira cansativa’: Arábia Saudita acusa houthis de atacar Meca; rebeldes negam
Horas depois, Yahya Saree, um porta-voz dos Houthis, afirmou que o grupo abateu um caça F-15 saudita sobre território iemenita com um míssil de fabricação local. Riad, até o momento, não se pronunciou.
Escalada dos Houthis
Na semana passada, os rebeldes assumiram o controle efetivo de toda a costa do Mar Vermelho no Iêmen, incluindo o porto histórico de Mocha e a ilha de Perim, no estratégico Estreito de Bab el-Mandeb.
Forças de Resistência Nacional do Iêmen disparam lançadores de granadas propelidas por foguete contra combatentes houthis a oeste da cidade de Taiz, no oeste do país
Forças de Resistência Nacional do Iêmen / AFP
Os Houthis, que tomaram a capital do Iêmen em 2014, lutam contra uma coalizão liderada pela Arábia Saudita há mais de uma década. A guerra havia se acalmado sob um cessar-fogo nos últimos anos, mas os combates recomeçaram em julho, quando os houthis declararam um bloqueio à navegação saudita no Mar Vermelho em resposta a um bloqueio saudita aos portos iemenitas.
O Estreito de Bab el-Mandeb, que liga a Europa à Ásia pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez, se tornou crucial para a Arábia Saudita, principal exportador mundial de petróleo, desde que o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, do outro lado da Península Arábica.
Com AFP e New York Times
Fontes revelam que autoridades dos EUA reuniram-se com Houthis, que prometeram poupar navios americanos e israelenses, exceto sauditas
Autoridades americanas reuniram-se com representantes dos Houthis, grupo rebelde do Iêmen aliado ao Irã como parte do “Eixo da Resistência”, na Embaixada dos Estados Unidos em Omã, no último domingo, em meio a uma ampla ofensiva da milícia pela costa do Mar Vermelho. No encontro, revelado pela agência Reuters, que ouviu cinco fontes familiarizadas com […]