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O veto de Trump à Palestina na ONU

Este texto é da newsletter diária do Guga Chacra, com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. Pelo segundo ano seguido, os Estados Unidos impedirão o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, de discursar na ONU durante a Assembleia Geral. Tampouco outros representantes palestinos poderão viajar a Nova York. Provavelmente, o presidente palestino […]

O veto de Trump à Palestina na ONU


Este texto é da newsletter diária do Guga Chacra, com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever.
Pelo segundo ano seguido, os Estados Unidos impedirão o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, de discursar na ONU durante a Assembleia Geral. Tampouco outros representantes palestinos poderão viajar a Nova York. Provavelmente, o presidente palestino discursará por vídeo. Já as autoridades iranianas poderão estar presentes, apesar de os norte-americanos estarem em guerra contra o Irã.
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Inimigos – Na verdade, os EUA não podem impedir chefes de Estado ou de governo de países membros de participarem da Assembleia Geral. Todos podem permanecer em Nova York durante a Assembleia Geral dentro de uma circunferência com um raio de 40 quilômetros a partir do Columbus Circle em Manhattan. Desta forma, a autoridade inimiga pode circular pela cidade e acessar os aeroportos sem problemas. Entre inimigos dos EUA que já estiveram na ONU, estão Fidel Castro, Hugo Chávez, Muamar Kadafi e Mahmoud Ahmadinejad.
Membro observador – O Irã é uma nação membro da ONU e, portanto, os EUA não podem impedir a viagem de seus líderes a Nova York durante a Assembleia Geral. A Palestina, por sua vez, tem o status de país não membro observador. Pode participar e observar discussões na ONU, mas não votar em resoluções. Para se tornar integrante com todos os direitos das Nações Unidas, precisaria ser aprovada pelo Conselho de Segurança, onde os EUA usam seu poder de veto para impedir o acesso palestino. Ainda assim, 150 dos 193 países membros da ONU reconhecem o Estado da Palestina, incluindo o Brasil.
Argumento frágil – O argumento dos EUA para impedir a entrada de membro da Autoridade Palestina é frágil. O Departamento de Estado argumenta que a organização palestina mina as perspectivas de paz. Na verdade, Abbas e a Autoridade Palestina seguem firmes na defesa de dois Estados e reconhecem o direito de Israel existir nas fronteiras pré-1967 há cerca de 35 anos. Ao longo de diferentes administrações norte-americanas, tentaram negociar a paz com Israel. O atual governo extremista de Benjamin Netanyahu, no entanto, não reconhece o direito a uma Palestina independente, diferentemente de governos israelenses anteriores. Tampouco está disposto a negociar com os palestinos.
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Administração – A Autoridade Palestina, em teoria, governa e é responsável pela segurança de cerca de 20% da Cisjordânia, conhecida como área A, incluindo as principais cidades como Ramallah, Nablus e Belém. Manteria ainda a administração de outros 20%, chamada de área B, onde a segurança está nas mãos de Israel. Os outros 60%, denominados área C, estão sob controle de Israel. Na prática, o governo e as forças israelenses fazem o que bem entendem em todo o território.
Gaza – No Plano de Gaza de Donald Trump para encerrar o conflito entre Israel e o Hamas, a Autoridade Palestina não foi incluída, embora haja envolvimento de alguns representantes tecnocratas palestinos. A Autoridade Palestina é dominada pelo Fatah, historicamente adversário político do Hamas, que os expulsou de Gaza cerca de duas décadas atrás.

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Autor

BRCOM