O Festival de Cinema de San Sebastián começou nesta sexta-feira (18) com a exibição de uma sombria história de amor, do diretor alemão Fatih Akin, e uma homenagem ao cineasta Werner Herzog, de 84 anos.
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“Geister” abriu a corrida pela Concha de Ouro, o principal prêmio do festival, que será anunciado na cerimônia de encerramento, no próximo dia 26, nesta cidade litorânea no norte da Espanha. Dezessete produções estão na mostra oficial, incluindo “Vicentina pede desculpas”, do diretor brasileiro Gabriel Martins.
Mas o grande momento de ontem foi a entrega do Prêmio Donostia a Herzog, homenagem a uma carreira de seis décadas e a mais de 70 filmes que exploram as obsessões, as situações extremas e as contradições da natureza humana.
— Ao receber um prêmio como este, não quero olhar para trás. Para mim, na segunda-feira tem trabalho (…) Não estou pensando muito em quantos filmes fiz, nem em que tipo de filmes criei. Estou muito concentrado no que tenho que fazer agora — disse em entrevista coletiva o incansável cineasta, que afirmou que o prêmio o deixara orgulhoso.
Amanhã será a vez da homenagem à atriz britânica Naomi Watts, que receberá o outro Prêmio Donostia da 74ª edição do festival.
Brad Pitt, Penélope Cruz, Marion Cotillard, Orlando Bloom, Ricardo Darín, Jeremy Irons, Rami Malek e Diego Luna são alguns dos astros aguardados nos próximos dias no tapete vermelho de San Sebastián.
Amor em sonhos
O filme de Akin, “Geister”, narra a história da jovem Farasha, que morre na mesma noite em que conhece o amor de sua vida, Faris.
Sem aceitar a separação, ela continua a visitá-lo em seus sonhos, onde os dois mantêm um romance tumultuado, até uma última noite em que terão de tomar uma decisão.
Filmado quase inteiramente em preto e branco pelo diretor de “Contra a parede” e “Em pedaços”, “Geister” nasceu de uma ideia que o filho do cineasta apresentou sobre a amizade de um menino e um fantasma, explicou Akin em uma entrevista coletiva.
A história só ganhou forma após a morte de seu pai, há alguns anos, revelou o diretor.
— Não pude ir ao funeral dele na Turquia e tinha um grande desejo de vê-lo e ter uma última conversa, porque ele morreu de maneira muito inesperada, e esperava que aparecesse nos sonhos, mas isso não aconteceu — disse Fatih Akin. — Acho que, com todo esse desejo de vê-lo, enfrentar a morte e ver meus filhos crescerem, todo esse material se juntou e deu origem à história sobre o casal de apaixonados que se encontra em sonhos após a morte.
Festival de San Sebastián começa com homenagem a Werner Herzog e com brasileiro em competição
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