Amorosa, vaidosa, abençoada. Essas são algumas das primeiras palavras que vêm à mente de Daniele Machado ao falar da filha Fernanda Vitória Cavalcante Alves, de 17 anos. A adolescente morreu após ser atropelada por um carro oficial do Governo do Rio, que trafegava em uma faixa exclusiva do BRT, na manhã de terça-feira. O acidente foi na Rua Cândido Benício, em Campinho, na Zona Norte do Rio.
— Posso falar que ganhei na loteria por ela ser uma filha abençoada e muito carinhosa. Agora nunca mais vou poder abraçá-la. Não vou mais poder fazer carinho nela. Meu mundo caiu. Estou à base de calmante e tomando remédio para ver se minha pressão abaixa — desabafa Daniele.
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Daniele contou que a filha tirava notas boas e era muito querida na escola. Estudante do 2° ano do Ensino Médio, Fernanda Vitória sonhava em ingressar na universidade.
— Fernanda nunca me deu trabalho em nada. Na escola, ela sempre tirava notas boas. O sonho dela era fazer a faculdade de Design de Moda para ser estilista, criar roupas. Ela é minha única filha menina. Sempre foi uma criança muito vaidosa, que adorava se arrumar. Vou guardar tudo que é dela: os cremes, as maquiagens. O sonho da minha filha acabou.
O velório de Fernanda acontecerá na quinta-feira, por volta das 12h, no Cemitério de São Francisco Xavier, no Caju. O sepultamento está marcado para as 14h.
— Tenho mais três filhos, um adolescente e outros dois menores. Mas para ser sincera, não tenho força nenhuma. Tanto que não vou levá-los ao enterro dela. Eu não teria cabeça para ajudá-los. Só quero meu momento de mãe com ela, fazer um carinho e me despedir — frisa Daniele.

Carro que atropelou e matou adolescente foi flagrado em calha exclusiva do BRT
Imagens obtidas pelo GLOBO mostram o carro passando pela estação Pinto Teles, em Jacarepaguá, na Zona Oeste, na calha exclusiva do BRT, momentos antes do acidente. No vídeo, é possível ver que o trânsito está congestionado, e o motorista corta o engarrafamento pela faixa proibida para carros. Após a colisão, o veículo para poucos metros à frente da vítima, já sem vida.
Segundo a Secretaria de Cultura afirmou, nesta quarta-feira, o motorista Marco André Vargas, que dirigia o automóvel responsável por atropelar a jovem, estava sozinho no carro a serviço da pasta. O acidente foi na Rua Cândido Benício, em Campinho, na Zona Norte do Rio, na manhã desta terça-feira.
O carro oficial era da Secretaria de Estado de Casa Civil e estava cedido para a pasta de Cultura. O automóvel não tinha autorização para circular na faixa de uso exclusivo dos articulados do corredor Transcarioca. Segundo o governo do estado, o motorista já prestou depoimento e vai responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. O caso é investigado pela 28ª DP (Campinho).
Já a Mobi-Rio informou que o carro oficial trafegava indevidamente na faixa exclusiva, infração considerada gravíssima. Segundo o Artigo 29 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), os veículos destinados a socorro de incêndio e salvamento, os de polícia, os de fiscalização e operação de trânsito e as ambulâncias, além de prioridade no trânsito, gozam de livre circulação, estacionamento e parada, quando em serviço de urgência, de policiamento ostensivo ou de preservação da ordem pública.
*Estagiário sob supervisão de Leila Youssef
