Uma estrutura enigmática em forma de pirâmide, localizada no Deserto da Judeia, pode ter sido usada como uma “fortaleza” para arrecadação de impostos há mais de 2 mil anos. A descoberta foi feita por uma equipe de arqueólogos israelenses durante escavações recentes perto de Nahal Zohar, a 20 km ao sul de Massada.
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Inicialmente considerada apenas um túmulo, a estrutura revelou características de um edifício. Construída com enormes blocos de pedra e medindo entre cinco e seis metros de altura, a construção foi datada do período helenístico, quando a região estava sob domínio do Reino Ptolemaico, um império de origem grega com sede em Alexandria, no Egito.
Segundo os pesquisadores, a localização da fortaleza é um indicativo de sua função. A construção foi erguida estrategicamente sobre uma estrada comercial que ligava Edom (atual Jordânia) a Gaza.
— Acreditamos que o edifício servia para proteger a estrada e pode ter sido usado por funcionários ptolemaicos para coletar impostos dos viajantes — afirmou Eitan Klein, um dos diretores da escavação pela Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA), ao jornal The Times of Israel.
Entre os objetos encontrados no local estão fragmentos de papiros escritos em grego, que podem conter registros fiscais da época, além de moedas dos reinos ptolemaico e selêucida. Algumas das moedas datam do reinado de Antíoco IV Epifânio, governante selêucida conhecido por seu papel na revolta dos Macabeus, evento que deu origem à celebração judaica de Hanukkah.
Os arqueólogos também recuperaram vasos de bronze, restos de móveis antigos, ferramentas de madeira e tecidos. Embora saqueadores tenham explorado a estrutura antes dos pesquisadores, o material encontrado ainda pode fornecer informações valiosas sobre seu uso ao longo dos séculos.
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Com o passar do tempo, a fortaleza foi abandonada e, durante o período romano, alguém decidiu reutilizá-la como um túmulo monumental.
— Provavelmente ficaram impressionados com a beleza da localização e da estrutura — disse Klein.
Apesar de o túmulo já ter sido violado antes da escavação oficial, alguns artefatos ligados ao sepultamento ainda puderam ser recuperados.
Embora as escavações tenham revelado detalhes inéditos sobre a fortaleza, algumas questões ainda ficam sem resposta. Não há evidências de que a construção tenha sido utilizada pelos hasmoneus, dinastia judaica que assumiu o controle da região após derrotar os selêucidas. Também não se sabe ao certo o que causou sua destruição — se foi resultado de batalhas, um terremoto ou um incêndio.
A descoberta faz parte de um projeto arqueológico de longo prazo, que busca mapear cavernas e sítios históricos no Deserto da Judeia para evitar saques.
A região é conhecida por suas condições extremas de aridez, que ajudam a preservar materiais orgânicos raros, como papiros, tecidos e até uma cesta de 10 mil anos encontrada na mesma expedição.
