BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result
No Result
View All Result
BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result

Cinebiografia mostra Maria Schneider humilhada e violentada nos bastidores de ‘O último tango em Paris’

BRCOM by BRCOM
março 27, 2025
in News
0
Jack Nicholson e Maria Schneider em 'Profissão: Repórter' (1975) — Foto: Reprodução

Numa entrevista para um programa de televisão francês, em 1983, a atriz Maria Schneider foi questionada se ela se importava que fosse exibido um trecho de “O último tango em Paris”, filme que ela havia feito 11 anos antes. “Não”, ela responde, suplicante. “Prefiro que não.”

Dirigido por Bernardo Bertolucci, o filme retrata o relacionamento sexual acalorado entre uma jovem francesa, Jeanne (Schneider), e um expatriado americano mais velho, Paul (Marlon Brando). O filme acabaria se tornando mais infame do que famoso por uma cena em que Paul força Jeanne a uma relação sexual, com a ajuda de um tanto de manteiga.

Essa cena assombraria Schneider pelo resto da vida. A atriz morreu aos 58 anos, em 2011. Numa entrevista de 2007, ela disse que a cena aconteceu sem aviso: “Eu me senti humilhada e, para ser honesta, de certa forma estuprada, tanto por Marlon quanto por Bertolucci.”

É fácil perceber como isso representou um problema moral e ético para a diretora Jessica Palud, cujo novo filme, “Meu nome é Maria” chega aos cinemas nesta quinta-feira (27), com Anamaria Vartolomei no papel de Schneider e Matt Dillon como Brando.

— Esse era o grande ponto de interrogação quando começamos a escrever nosso filme: reencenamos a cena ou não? — diz Palud em uma entrevista em vídeo da França. — Todo mundo com quem conversei que conhecia Maria mencionou o trauma causado por aquela cena, então eu simplesmente não podia ignorar.

“Meu nome é Maria” começa com Schneider observando seu pai, o famoso ator francês Daniel Gélin (Yvan Attal) em um set. Ela é fascinada pelo mundo do cinema, e imediatamente ficamos conscientes da importância de quem está vendo e quem está sendo visto. Um tempo depois, quando Maria, aos 19 anos, é escalada para “O último tango em Paris” e se torna o centro das atenções, Palud sentiu que era importante manter o foco no olhar da mulher.

— Eu não queria reproduzir a câmera de Bertolucci, não é um remake de ‘Tango’, então tentei mudar o ponto de vista da cena e fazê-lo da perspectiva dela — explica a diretora. — Então vemos Maria observando a equipe, e a equipe a observando. Seu ‘não’ e suas lágrimas são reais, ela não está mais atuando. Vemos toda a equipe apenas esperando o diretor dizer ‘corta’.

Palud começou a carreira aos 19 anos, como estagiária em “Sonhadores”, de Bertolucci, há cerca de duas décadas. Para o novo filme, ela conseguiu o roteiro original de “Tango” nos arquivos da Cinémathèque Française. Assim, pôde ver por si mesma que a cena notória não estava nele, confirmando a versão de Schneider. Naturalmente, o trabalho prosseguiu de forma muito diferente nas filmagens de “Meu nome é Maria”, que envolveu um coordenador de intimidade, mas a filmagem ainda foi angustiante para Vartolomei.

— Eu não conseguia parar de chorar naquele dia. Acho que internalizei completamente a raiva de Maria, a violência daquela cena — disse a atriz em um bate-papo por vídeo. — Às vezes você diz a si mesma: ‘Vamos lá, você estaria tentando lutar contra ele.’ Mas você não consegue, é um homem duas vezes maior e a violência é tanta que você se sente completamente sozinha. Foi quando eu entendi de onde vinha a tristeza de Maria: solidão.

Dillon, contatado por telefone, foi aberto em sua admiração por Brando, que significava muito para ele como ator, e diz que gostou de “Tango” como filme. Mas também reconhece que algo ali deu muito errado.

— Tendo começado a atuar muito jovem, sou muito sensível à questão da exploração — disse Dillon. — Então eu tinha esses sentimentos estranhos e paradoxais.

O episódio “Tango” é uma parte relativamente pequena de “Meu nome é Maria”, mas é claramente essencial, assim como no livro que inspirou o filme, “My cousin Maria Schneider”. Nele, a jornalista Vanessa Schneider oferece uma visão íntima de um membro mais velho da família que ela via regularmente enquanto crescia. O livro, delicada e afetuosamente, traça um arco trágico da infância de Maria Schneider com um pai que só começou a se conectar quando ela era adolescente, através de suas tentativas de se livrar de “Tango”, sua queda no vício em heroína e seus esforços para se encontrar como atriz e mulher.

— Ela sofreu com o que aconteceu no set e depois com o que aconteceu quando o filme foi lançado — diz Vanessa Schneider via vídeo da França. — Para espectadores puritanos, ela era uma mulher fácil que fazia pornografia. Era brutal para ela, especialmente porque não estava em sua natureza — ela era bem modesta, reservada e bastante conservadora em certos aspectos.

Conteúdo:

Toggle
  • Filme favorito com Jack Nicholson
  • Mais filmes sobre a atriz
      • Cinebiografia mostra Maria Schneider humilhada e violentada nos bastidores de ‘O último tango em Paris’

Filme favorito com Jack Nicholson

Depois de “Tango”, Schneider recusou a maioria dos roteiros que envolviam nudez, disse sua prima.

— Isso criou uma reputação de alguém com quem era difícil trabalhar — acrescenta Vanessa Schneider. — Então as drogas entraram em cena e ela ganhou essa reputação na indústria de alguém que não era confiável.

O favorito de Schneider entre seus filmes era o drama de Michelangelo Antonioni “Profissão: Repórter” (1975), no qual ela trabalhou ao lado de outra estrela americana, Jack Nicholson. Sempre que uma entrevista a direcionava para “Tango”, Maria Schneider frequentemente se oferecia para falar sobre “Profissão: Repórter”. Ela conseguiu principalmente papéis coadjuvantes, mais notavelmente no drama “O sexo oculto” (1979), pelo qual foi indicada ao César. Ao longo das décadas, uma certa mística se desenvolveu em torno da atriz.

Jack Nicholson e Maria Schneider em ‘Profissão: Repórter’ (1975) — Foto: Reprodução

— É uma combinação de coisas — diz Vanessa Schneider. — “Tango” foi “incrivelmente bem-sucedido em todo o mundo. Gerações inteiras assistiram. Maria também tinha uma personalidade forte, era carismática e teve impacto em muitas pessoas. Eles podem não ter visto muitos de seus filmes, mas para uma geração, ela foi emblemática graças à sua aparência, sua voz, a maneira como ela se expressava — você poderia dizer que ela estava fora da norma.

A reputação de Schneider também foi restaurada graças à redescoberta da franqueza com que ela discutiu as manipulações e violações que a produção cinematográfica pode envolver. Isso muito antes do #MeToo e de casos como o processo nos tribunais franceses do diretor Christophe Ruggia, que foi condenado em fevereiro por agredir sexualmente a atriz Adèle Haenel, que era menor de idade na época.

Comentando sobre a reação ao seu filme, Palud diz: “Muitos entrevistadores na França estavam me dizendo: ‘É selvagem, parece algo que você ouviria em 2024.'” Mas, ela observa, “a maioria das palavras no filme são de Maria. É o que ela disse nas décadas de 1970 e 1980.”

Mais filmes sobre a atriz

Isso pode explicar por que Schneider parece estar no zeitgeist. A diretora Elisabeth Subrin fez um curta vencedor do César, “Maria Schneider, 1983” (2022), no qual três atrizes reencenam a entrevista de TV daquele ano. No ano passado, grupos feministas e indivíduos pediram à Cinemateca para fornecer contexto em torno de uma exibição planejada de “Tango”, que acabou sendo cancelada. E, em janeiro, o show solo parisiense “Alone Like Maria” traçou paralelos entre a experiência de sua estrela, Marilou Aussilloux, e a de Schneider.

O filme de Palud não cobre a infância de Schneider ou seus anos de doença.

— Eu queria terminar com uma imagem forte — explicou a diretora. — Com Maria olhando para a câmera, dizendo que ela está nos ouvindo (“Je vous écoute”) e, com efeito, nos encorajando a falar.

Havia algo “quase político” na cena, acrescenta Palud.

— Meu filme é como um relatório, sem adornos: o que fazemos com isso?

Cinebiografia mostra Maria Schneider humilhada e violentada nos bastidores de ‘O último tango em Paris’

Previous Post

Endividamento volta a subir em São Paulo no mês de março

Next Post

Relatório aponta violação de direitos em comunidades terapêuticas

Next Post
Relatório aponta violação de direitos em comunidades terapêuticas

Relatório aponta violação de direitos em comunidades terapêuticas

  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.

No Result
View All Result
  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.