Considerada uma das melhores novelas da história da teledramaturgia brasileira, “Vale tudo”, de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, exibida em 1988, ganha uma nova versão a partir de segunda-feira (31) na TV Globo. Manuela Dias, a autora do remake, fez mudanças específicas em tramas e caractrísticas de personagens, para torná-los mais condizentes com o momento do mundo e do Brasil.
Veja as principais modificações abaixo
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Além de as protagonistas serem mulheres negras (Taís Araujo como Raquel; Bella Campos como Maria de Fátima), um núcleo do bairro de Vila Isabel, antes Catete, também é composto só por pessoas negras. É a família de Consuelo (agora Belize Pombal), secretária da empresa TCA. Em 1988, interpretada por Rosane Gofman, ela era era irmã de Jarbas, taxista vivido por Stepan Nercessian. Agora, o papel cabe a Leandro Firmino, motorista de aplicativo e marido dela na trama. André e Daniela, os sobrinhos interpretados por Marcello Novaes e Paula Lavigne, são filhos nesta versão. Os atores são Breno Ferreira e Jessica Marques.
Para bom entendedor, meia palavra bastava. Cecília e Laís sempre foram um casal, mas, na novela original, o caráter amoroso da relação ficava implícito. Agora, não. As personagens de Maeve Jinkings e Lorena Lima, respectivamente, não têm nada a esconder. Nem se separam ao longo dos capítulos. Em 1988, para discutir o direito de herança num país onde os relacionamentos LGBTQIAP+ não eram legislados, o autor Gilberto Braga “matou” Cecília (Lala Deheinzelin) e criou uma celeuma em relação aos bens dela, que, por moralmente, deveriam ir para Laís (Cristina Prochaska). Agora, Manuela promete que nenhuma das duas morre.
Um dos braços direito de Raquel na primeira versão era Gildo (Fernando Almeida), a quem os personagens se referiam pelo pejorativo “pivete”. Ele rouba Raquel quando ela está vendendo sanduíche na praia, mas a relação evolui e se transforma numa grande amizade. A equipe do remake mudou o gênero do personagem: agora é Gilda, a atriz Letícia Vieira, estreante em novelas.
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Maria de Fátima de Bella Campos continua uma arrivista, mas,na era das redes sociais, ela quer ser influenciadora e não modelo como a de Gloria Pires. Quem também não é a mesma é a Tomorrow, no passado uma revista de moda, hoje uma agência de conteúdo digital. É para lá, então, que a golpista corre. A empresa continua sendo tocada por Renato (antes Adriano Reys, atualmente João Vicente de Castro), que tem na equipe Solange (foi Lídia Brondi e, agora, é Alice Wegmann), uma diretora de criação com diabetes. A doença crônica não era um assunto na obra original.
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Heleninha (Renata Sorrah), em 1988, era uma alcoólatra. Não é mais. Mas ela ainda é dependente de alcoól. O que muda é que a personagem, agora de Paolla Oliveira, será chamada de alcoolista, termo usado hoje em dia para diminuir a carga pejorativa.
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