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como nasce um boteco carioca

BRCOM by BRCOM
março 30, 2025
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Bar da Frente chega a Copacabana, na Zona Sul — Foto: Guito Moreto / Agência O Globo

O Bar da Frente, fundado há 15 anos por Mariana e Valéria Rezende, ganhou este nome porque sucedeu — na loja pequenina que ocupa na Praça da Bandeira — o Aconchego Carioca, quando o estabelecimento de Katia Barbosa foi transferido para um imóvel mais amplo do outro lado da Rua Barão de Iguatemi. Comandadas por mulheres, as duas casas contribuíram para fazer da região um polo gastronômico e enriqueceram a tradição carioca dos comes e bebes. Vamos ficar apenas em dois exemplos da primeira lista, a dos comes: o “da Frente” inventou o porquinho de quimono, deliciosa porção de harumakis sequinhos, recheados de costela suína e requeijão de ervas, acompanhada de molho agridoce; e o Aconchego deu ao mundo a receita definitiva do bolinho de feijoada. Mariana, que perdeu a mãe, Valéria, em 2018, começa a escrever nova história ao lado do amigo Julio Ferretti. Eles acabam de inaugurar uma unidade do Bar da Frente em Copacabana, Zona Sul do Rio.

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Bar da Frente chega a Copacabana, na Zona Sul — Foto: Guito Moreto / Agência O Globo

O ponto, na Rua Almirante Gonçalves 29, fica quase em frente a outro clássico boteco carioca, o Bip Bip. Já abrigou um restaurante de comida a quilo e estava desocupado quando, há sete meses, ela enxergou ali uma oportunidade. O GLOBO acompanhou a implantação do bar de Copacabana desde o dia 17 de janeiro, quando por ali só eram servidos poeira e desafios. Com as necessárias intervenções físicas, Mariana e Julio trataram de agilizar o cadastro na prefeitura: foram atrás das licenças e de alvarás como, por exemplo, o do Corpo de Bombeiros. O novo empreendimento soma-se aos 283 bares que se espalham por Copacabana.

— A legalização ocorreu sem preocupações. Aquela coisa normal. A automatização dos procedimentos ajuda bastante hoje em dia — reconhece ela.

Para abrir um negócio desse tipo, é preciso providenciar o registro na Junta Comercial, inscrever o CNPJ na Receita Federal, registrar o estabelecimento na Secretaria da Fazenda e entrar na prefeitura para obter o alvará de funcionamento. No Rio, o procedimento é via o Portal Carioca Digital. Após a análise da documentação, é agendada uma vistoria para avaliar condições sanitárias, segurança e adequação do imóvel às normas estabelecidas.

À burocracia inicial, somam-se os imprevistos: um vazamento de gás, identificado a tempo pela equipe que trabalhou no local, assustou os sócios. Depois, eles perceberam que a saída do exaustor ficava no interior da loja. No mês seguinte, já com a obra iniciada, foi identificado um entupimento no bueiro em frente ao bar, corrigido rapidamente pela prefeitura. Já dá para entender por que Mariana buscou a parceria com o amigo Julio, que comandou a Wursteria, bar na Tijuca.

— Não tive como abrir outro bar sozinha. E a gente se complementa. Ele entende bastante de obra, eu da negociação com os fornecedores; ele é bem calmo; e ter que entregar a mesma qualidade da unidade da Praça da Bandeira me deixa nervosa — admite a comerciante, vencedora de prêmios como o Comida di Buteco, para o famoso Porquinho de Quimono, que foi parar até no programa “Mais você” de Ana Maria Braga.

Resolvida a papelada, a etapa seguinte foi mais saborosa: uma peregrinação por 17 bares que, na opinião de Mariana e Julio, servem os melhores chopes da capital. Ainda havia dúvidas no ar: usariam balcão frigorífico ou chopeira a gelo?

— Fomos ao Bracarense, à Adega… E nem só para encher a cara. Foi para ver como cada dono opera, qual equipamento usa. No Bar da Frente da Praça da Bandeira, a gente só serve cerveja de garrafa. No de Copa, vai ter chope porque há espaço para armazenar barril. Também pesa o fato de estarmos perto da praia — explica Mariana, que, além de tocar o outro bar sozinha, é advogada e mãe de Cícero, de 8 anos.

O primeiro eleito para a prova foi o Real Chopp, no mesmo bairro. Lá, certificaram-se de que a escolha seria a da chopeira a gelo e colheram as dicas do veterano dono, seu Hermínio, que está à frente do bar desde 1973.

— O que seu Hermínio tem de chope eu tenho de vida! — brinca a “aprendiz”.

O carnaval vinha chegando e a obra evoluiu mais rápido do que o esperado. Enquanto os sócios iam com a farinha, os empreiteiros chegavam com o bolo pronto. Isso já fazia Mari e Julio preverem que a abertura poderia ser antecipada: em vez de abril, fim de março.

Passados o planejamento e a execução, aproximavam-se as fases mais temidas, a da montagem e a da operação.

— No dia 21 de fevereiro, finalizamos a execução. A montagem é a fase de chegada dos equipamento e vai se misturando com a operação. Aí vêm decisões de cardápio, de equipe, de treinamento, começa a solução dos problemas — observa Mariana.

O cozinheiro foi o primeiro a ser escalado, com boas referências. Depois, uma enxurrada de currículos chegou.

— Decidimos que outras 12 pessoas iriam compor a equipe — lembra Julio. — O bar vai funcionar de segunda a segunda, e o pessoal vai trabalhar na escala 5×2. O cardápio vai ser parecido com o da Praça da Bandeira. Mas aqui, pelo fluxo de turistas, vamos ter também em inglês e em espanhol e, no futuro, colocar mais opções de comida vegetariana. O que funcionar aqui, ela deve levar para lá.

O entra e sai na loja reformada chamou a atenção e logo moradores locais foram apurar informações sobre programação musical e os horários de fechamento.

— No fim de semana, o bar vai até meia-noite, 1h da manhã no máximo. No dia a dia, das 11h às 23h. Já estamos até no grupo de WhatsApp da vizinhança — avisa Julio.

Não muito longe dali, na Praça da Bandeira, onde o Bar da Frente nasceu, já rola certa ciumeira.

— Lá um vizinho desceu para lavar a calçada, lavou as nossas paredes e disse: “Duvido que em Copacabana vai ter isso” — diverte-se Mariana, agora à frente de dois bares.

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