O rato Ronin, caçador de minas terrestres no Camboja, estabeleceu um novo recorde mundial ao farejar mais de 100 artefatos e pedaços de munição não detonadas no país. Assim como o antigo detentor da marca, o “rato herói” Magawa, o roedor foi treinado para a função pela instituição de caridade belga Apopo, que tem sede na Tanzânia e faz esse trabalho desde os anos 1990.
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Ronin e Magawa são ratos gigantes africanos, considerados inteligentes e fáceis de treinar. Embora sejam nomeados “gigantes” e de fato sejam maiores que ratos “parentes”, esses roedores são pequenos e leves o suficiente para caminharem pelas minas sem causar uma detonação. (Magawa, por exemplo, tinha 1,2kg e 70 centímetros de comprimento.)
Os espécimes são orientados a identificar explosivos com seu olfato avançado. Os especialistas condicionam os animais a detectarem o cheiro de produtos químicos comumente usados em minas terrestres e ignorarem metais inofensivos. Para indicar aos humanos a exata localização de compostos explosivos, os roedores arranham a superfície das áreas tidas como perigosas.
Depois de um ano de treinamento, os animais passam por testes, são certificados como HeroRATS (Ratos Heróis) e podem ser alocados em regiões minadas. Eles são capazes de vasculhar uma área comparável à de uma quadra de tênis em 20 minutos, o que um humano levaria de um a quatro dias para fazer com um detector de metais.
Magawa se aposentou da principal função após cinco anos de “carreira” e virou “mentor” de seus sucessores. Um deles, Ronin rastreou 109 minas terrestres e 15 outros resquícios de guerra potencialmente mortais desde o início do trabalho na província de Preah Vihear, no Norte do país, em agosto de 2021, disse a Apopo em um comunicado nesta sexta-feira.
“Suas realizações excepcionais lhe renderam o título do Guinness World Records para a maioria das minas terrestres detectadas por um rato, destacando o papel crítico dos HeroRats na desminagem humanitária”, detalhou a Apopo.
Ronin bateu o recorde anterior, detido pelo “herói roedor” Magawa, que encontrou 71 minas terrestres e 38 UXOs durante seus cinco anos de serviço antes de se aposentar, em 2021. Ronin, de 5 anos, foi nomeado o rato de detecção de minas (MDR) mais bem-sucedido da história da organização. Magawa, que recebeu uma medalha de ouro por heroísmo por limpar minas de cerca de 225 mil metros quadrados de terra — o equivalente a 42 campos de futebol — morreu em 2022. Ronin pode ter dois anos ou mais de trabalho de detecção pela frente, disse a Apopo.
“Ele não é apenas um trunfo, ele é um parceiro e colega valioso”, disse Phanny, tratadora de Ronin, no comunicado.
O Camboja continua cheio de minas, munição descartada e outras armas de décadas de guerra que começou na década de 1960. Os mais de 30 anos de guerra civil terminaram em 1998 e tornaram o país um dos mais fortemente minados do mundo. Mortes pela explosão de minas e munição não detonada ainda são comuns, com cerca de 20 mil mortes desde 1979, e o dobro desse número de feridos.
Duas crianças cambojanas foram mortas em fevereiro quando uma granada propelida por foguete, que se acreditava estar enterrada desde a guerra civil do país, explodiu perto de suas casas na província de Siem Reap, no Noroeste do país.
O Camboja tinha como objetivo ficar livre de minas até 2025, mas o governo adiou o prazo em cinco anos devido a desafios de financiamento e à descoberta de novos campos de minas terrestres ao longo da fronteira com a Tailândia.

