As investigações da Polícia Civil do Rio sobre a movimentação financeira de R$ 6 bilhões em apenas um ano pelo Comando Vermelho começaram após emissões de alerta de instituições financeiras, com agências concentradas nas zonas Sul e Oeste da cidade. Integrantes da facção chegavam a depositar valores entre R$ 150 mil a R$ 750 mil, em notas de R$ 5, R$ 10 e R$ 20, ao menos três vezes por semana, explica Jefferson Ferreira, delegado responsável pelo caso.
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Parte dessa movimentação tinha como intermediário o banco digital 4TBank, suspeito de ter sido desenvolvido pela facção paulista Primeiro Comando da Capital, o PCC. Segundo Ferreira, titular da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), a “fintech” tinha como sócia uma jovem de 24 anos, cunhada de um dos chefes dessa organização criminosa.
As investigações começaram há sete meses e permitiram o bloqueio patrimonial dos envolvidos:
— Diante disso, passamos a monitorar e conseguimos apreender R$ 152 mil no momento em que estavam sendo depositados por um indivíduo. Dando continuidade às investigações, confirmamos que essa pessoa tinha vínculo com o tráfico de drogas — afirmou o delegado.
Durante o avanço das investigações, foi constatado que todos os depositantes estavam ligados a comunidades controladas pelo Comando Vermelho. O dinheiro tinha como destino uma empresa de fachada em São Paulo, chamada Ónix Perfumeria.
— Identificamos, ao longo da investigação, que cerca de R$ 200 milhões foram depositados nessa empresa. Ela, no entanto, não existe de fato. Foi configurada como uma empresa de fachada após mandados de busca e apreensão. A suposta sócia está, inclusive, cadastrada em programas de auxílio emergencial por condição de miserabilidade — explicou Ferreira.
Polícia faz operação contra braço financeiro de CV e PCC que movimentou R$ 6 bilhões
A Polícia Civil do Rio deflagrou, nesta quinta-feira, mais uma fase da Operação Contenção que mira o núcleo financeiro do Comando Vermelho (CV), que movimentou aproximadamente R$ 6 bilhões em um ano. O montante representa o maior pedido de bloqueio patrimonial da história da corporação que diz, ainda, que essa é a maior ação já realizada contra a facção criminosa. Agentes cumpriram 46 mandados de busca e apreensão, tanto na capital fluminense quanto em municípios do Estado de São Paulo.
De acordo com as investigações, o núcleo financeiro do CV tem ramificações em SP, com ligação direta com o Primeiro Comando da Capital (PCC). O grupo atuava no esquema de lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas. Para isso, eles criaram um banco digital e dispunham de fintechs, intermediadoras de pagamentos ilegais, empresas de fachada e plataformas contábeis, tudo sem autorização do Banco Central.
A ação desta quinta é realizada pela Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), do Departamento-Geral de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR-LD) e da Polícia Civil de São Paulo.
