A Eletrobras acaba de inaugurar, em sua sede no Centro do Rio, seu primeiro centro de monitoramento de ativos e clima. Dividido em duas salas, o espaço vai acompanhar, em tempo real, as previsões meteorológicas e as condições físicas dos cerca de 90 mil sistemas da empresa pelo país, como os equipamentos das linhas de transmissão, subestações de energia e usinas hidrelétricas.
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O GLOBO visitou o novo centro, cujo objetivo é reduzir os riscos de danos nas instalações em meio a fenômenos naturais potencializados pelas mudanças climáticas para, dessa forma, evitar interrupções no fornecimento de energia no país. A companhia, que foi privatizada em 2022, investiu R$ 30 milhões nas instalações do novo centro de monitoramento.
Nas duas salas, diversos painéis eletrônicos captam uma ampla gama de informações nos mais variados ativos da Eletrobras, desde a usina de Tucuruí, no Rio Tocantins, a um transformador no Rio Grande do Norte ou uma linha de transmissão em Porto Velho (RO).
Além do monitoramento dos ativos, há o acompanhamento das previsões climáticas, com a geração de boletins ao longo do dia e projeções para os próximos dias, incluindo intensidade da chuva, incidência de raios, velocidade do vento e temperatura com base no deslocamento das massas de ar.
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Nos painéis das salas, ainda é possível monitorar o crescimento da vegetação em instalações da empresa e acompanhar a a evolução de queimadas com câmeras capazes de diferenciar até o tipo de fumaça.
Juliano Dantas, vice-presidente de Inovação, P&D, Digital e TI da Eletrobras, explica que a intenção é gerar alertas o mais cedo possível, aumentando as chances de ações de mitigação dos riscos.
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— O centro é um espaço de integração e funciona como mais uma camada para apoiar as equipes de campo. Ele agiliza a resposta a incidentes, disponibilizando dados e informações estratégicas de forma imediata. Agora, a ideia é usar IA para ajudar nas previsões, consolidando todos os dados coletados simultaneamente — afirma Dantas.
A companhia firmou parcerias com gigantes mundiais da tecnologia, como a big tech Nvidia, para concretizar uma unidade de monitoramento inédita no país. A partir dessas duas salas, a Eletrobras é capaz de detectar a intensidade dos ventos e seu impacto em linhas de transmissão, por exemplo. O monitoramento em tempo real do clima, 24 horas por dia, conta com um sistema de conexão formado por 80 constelações de satélites.
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A iniciativa inclui ainda o desenvolvimento de um “gêmeo digital” de instalações, permitindo que funcionários no Rio acessem remotamente subestações e áreas de acesso restrito por meio de soluções de realidade virtual. Para isso, a Eletrobras pretende ampliar a instalação de sensores em suas estruturas. Atualmente, há mais de 252 sistemas desse tipo em funcionamento.
— A ideia do centro é avaliar o risco sistêmico nos ativos com base no desempenho ao longo do tempo, considerando fatores como temperatura e vibração, além de acompanhar as descargas elétricas. Dessa forma, conseguimos mapear e definir os investimentos, que seguirão um critério técnico — afirma Antônio Varejão Godoy, vice-presidente de Operações e Segurança da companhia.
Em um segundo momento, a Eletrobras pretende ampliar o uso de inteligência artificial (IA) para fazer previsões mais precisas. Para ter maior velocidade de resposta, a empresa também abriu uma concorrência para adquirir equipamentos e implantar um data center próprio para a operação, capaz de processar dados em alta velocidade para produzir as análises, sem a necessidade de usar um servidor externo.
— Vamos utilizar inteligência artificial para fazer previsões, mas, para isso, precisamos desses dados, captados por sensores conectados em 5G e Wi-Fi. O investimento em tecnologia é a aposta do Conselho de Administração da empresa — complementa Godoy.
O investimento no projeto foi feito após o processo de privatização da companhia, realizada no governo de Jair Bolsonaro com um aumento de capital que diluiu a participação da União e acabou com o controle estatal, e que teve recentemente o seu capítulo final.
No mês passado, a Eletrobras e a União concluíram um acordo feito no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a participação do governo federal no Conselho de Administração após a privatização da companhia. Pelo acordo, a União poderá indicar três dos dez integrantes do Conselho de Administração e um dos cinco representantes do Conselho Fiscal da empresa.

