Faz quase três anos que há um novo “rei” em Roterdã. O Feyenoord, um dos maiores clubes da Holanda, faz questão de exaltar assim Igor Paixão. Contratado junto ao Coritiba em 2022, o atacante é dono de uma carreira de ascensão meteórica. Aos 24 anos, vive sua melhor temporada, com 14 gols e 13 assistências em 42 jogos. Hoje, às 16h, joga contra o PEC Zwolle, pela 30ª rodada do Campeonato Holandês — seu clube está em terceiro, atrás de Ajax e PSV.
Números e protagonismo em campo à parte, o atacante vive uma realidade bem diferente daquela que se apresentava ao garoto que saiu de Macapá (AP), aos 14 anos, para integrar a base do time paranaense. Paixão piscou e chegou à Holanda. Curitiba lhe preparou apenas para o frio europeu.
— Na primeira temporada, foi difícil. É uma cultura diferente, língua também. Não falava inglês, tive que estudar bastante. Faz muito frio. Tive que me adaptar o mais rápido possível. E eu não deixava de trabalhar para estar bem fisicamente — lembra Igor em entrevista exclusiva ao GLOBO.
Ele acredita que a primeira temporada foi um divisor de águas para o sucesso. Além de ter o apoio do clube e de amigos brasileiros, como o atacante Danilo Pereira, hoje no Rangers (Escócia), ainda conquistou o título holandês em 2022/23. Hoje, ele já consegue usufruir de uma vida caseira na segunda maior cidade do país, atrás da capital Amsterdã.
— A Holanda é muito organizada, um país muito tranquilo, que acolhe bem. Deram todo o suporte para mim e minha família. E é um trampolim, para se destacar e ir para outras ligas — aponta.
— Eu sou muito caseiro. De vez em quando, vou ao Centro, faço churrasco com os amigos latinos, vou às casas deles, jogamos alguma coisa, tomamos mate… — conta — Sempre estar na resenha com os caras é legal, mas não sou muito de sair.
Uma coisa que não perdeu foi o costume de assistir a jogos com o pai, que convive mais regularmente com ele na Europa, assim como a namorada. A mãe cuida da casa da família no Brasil, junto de irmãos, avó e do sobrinho de Igor. Toda essa “turma” torce por ele e assiste aos jogos, às vezes in loco, como acontece na Liga dos Campeões, que ele disputou nas últimas duas temporadas — fez dois gols nesta edição.
Ao olhar para trás, Igor faz questão de destacar o esforço dos pais na jornada:
— Todo mundo sonha alto e comigo não foi diferente. Em Macapá, comecei no futebol de salão com 7 anos, depois fui para o campo, com meus pais sempre me levando para cima e para baixo — recorda-se, para lembrar do momento em que teve dúvidas na carreira, quando foi para o Londrina, em 2020:
— Fui emprestado para jogar a Série C. Foi um baque. O Coritiba me dava tudo. Fiquei um pouco longe da família. Mas foi bom. Me deixou mais maduro. Foi um divisor de águas para chegar até aqui — reflete.
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Feliz no Feyenoord, onde tem contrato até junho de 2029, Igor Paixão convive com duas metas: alçar voos maiores na Europa e ser convocado para a seleção brasileira. Na última data Fifa, figurou na pré-lista do então treinador Dorival Júnior.
— É um sonho estar representando o meu país. Acho que eu estou trabalhando forte. Vou tranquilo, pé no chão, cabeça boa, porque tem muitos bons jogadores na minha posição. Mas, a hora que chegar, eu vou estar preparado para dar o meu melhor na seleção. Que eu possa ser feliz e dar alegria também para a minha família, porque também é um sonho deles — diz.
Com a temporada europeia perto do fim, seu nome aparece cada vez mais em rumores de transferência para ligas de maior expressão. Um dos alvos apontados é o Napoli, da Itália. O autor do gol do título da Copa da Holanda de 2023/24 não quer cravar destino, mas o papo muda quando se fala em um retorno ao futebol brasileiro no futuro:
— Estou focado em fazer o máximo aqui. No final da temporada, quem sabe alçar voos maiores, ou ficar mesmo no Feyenoord. No Brasil, ainda acompanho muito o Coritiba, mas meu sonho é jogar no Flamengo — comenta o atacante.

