—Propus aos meus colegas que deixássemos a coalizão governista, o que implicitamente leva à minha renúncia ao cargo de primeiro-ministro — disse Ciolacu, em entrevista coletiva. — Vimos como os romenos votaram ontem (domingo), o que significa que a coalizão governista não tem legitimidade, pelo menos não em sua forma atual.
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Com a decisão, o presidente interino, Ilie Bolojan — o líder anterior, Klaus Iohannis, renunciou em fevereiro para evitar um processo de impeachment — deverá indicar um novo primeiro-ministro, que por sua vez precisará do apoio do parlamento para assumir.
A renúncia de Ciolacu, no posto desde junho de 2023 e alinhado a Bruxelas, foi mais um capítulo das turbulências políticas que abalam a Romênia desde a primeira tentativa de eleger um presidente, em novembro do ano passado.
Na ocasião, Calin Georgescu, um político pró-Kremlin de extrema direita, foi o mais votado no primeiro turno, mas a eleição foi anulada pelo Tribunal Constitucional, que viu indícios de interferência russa — os juízes citaram como evidências uma série de ciberataques e vídeos publicados em massa no TikTok, aparentemente de maneira coordenada e ilegal.
Georgescu foi impedido de concorrer na nova eleição, e em seu lugar foi indicado George Simion, que recebeu 40,9% dos votos no domingo. Admirador declarado do presidente dos EUA, Donald Trump, Simion é apontado como um eurocético, contrário ao envio de ajuda militar à Ucrânia e que fez elogios ao líder russo, Vladimir Putin. Durante a campanha, ele levou Georgescu ao palanque, e chamou a decisão do Tribunal Constitucional de “tentativa de golpe de Estado”.
No segundo turno, ele terá como rival o prefeito de Bucareste, Nicusor Dan, que recebeu 20,99%% dos votos e concorreu com uma plataforma independente de centro, focada no combate à corrupção e no estreitamento dos laços com Bruxelas. Ainda não se sabe se o candidato apoiado pelos governistas, Crin Antonescu, que ficou em terceiro com 20,07%, se juntará à campanha de Dan, e nesta segunda-feira ele tentou se distanciar de ambos.
— Não fiz parte da coalizão. Apresentei um programa, algumas ideias, e algumas pessoas votaram em mim. Peço a elas que decidam por si mesmas qual dos candidatos remanescentes está mais alinhado com as ideias que propus. Incentivo todos que votaram em mim hoje a comparecerem às urnas — afirmou.
A participação foi de 9,57 milhões de pessoas, cerca de 53% dos eleitores habilitados, segundo dados das autoridades eleitorais. Segundo pesquisas preliminares, Simion é favorito para vencer também no segundo turno, marcado para o dia 18 de maio.
Apesar do sistema parlamentarista, o presidente da Romênia tem funções cruciais em temas de defesa e política externa. Ele é o chefe das Forças Armadas, lidera o conselho que, dentre outras funções, decide sobre a concessão de ajuda militar, e representa o governo em reuniões internacionais. O posto ainda lhe concede considerável influência sobre a diplomacia local.
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Diante deste cenário, a vitória da extrema direita poderia, na visão de alguns líderes europeus, trazer riscos à segurança do continente e ao apoio ocidental dado à Ucrânia desde o início da invasão russa, em 2022. O país é, ao lado da Polônia, crucial para a defesa do flanco oriental da Otan, a principal aliança militar do Ocidente, liderada pelos EUA, e é uma das principais rotas para o envio de armas à Ucrânia — Simion, apesar de críticas à guerra, se diz contra o apoio a Kiev no atual formato. Cerca de 70% dos grãos exportados pela Ucrânia passam pelas águas territoriais romenas no Mar Negro, e a Marinha da Romênia realiza operações navais e aéreas nesta região.
