O Bar Bukowski, tradicional reduto roqueiro na Zona Sul do Rio, pode virar patrimônio histórico, cultural e imaterial do Estado do Rio de Janeiro. É o que propõe um projeto de lei de autoria da deputada Célia Jordão (PL) que recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) na manhã desta quarta-feira (7). Agora, o texto segue para análise em outras comissões, antes de ser levado à votação em plenário.
O projeto de lei 4.157 foi apresentado em setembro de 2024. No texto, Célia Jordão justifica a homenagem afirmando que o bar é “o bar de rock mais antigo da cidade e várias vezes foi tema de matérias em veículos nacionais e internacionais”, lembrando ainda que ele já foi tema de livro e documentário e citando iniciativas como apoio a bandas autorais, cessão gratuita de seus salões para ensaio de peças teatrais, empréstimo de livros, isenção de pagamento de entrada para professores da rede pública e desfile de carnaval roqueiro. “O argumento usado sempre foi o mesmo: a arte redime a humanidade”, diz Célia no texto.
Com nome inspirado no escritor beat Charles Bukowski, o bar nasceu de uma iniciativa do jornalista e produtor cultural Leandro Souto. Fundado em 1997, ocupou dois outros endereços antes de se instalar em uma casa do século XIX tombada, na Rua Álvaro Ramos, em Botafogo, e rapidamente se transformou em um dos principais refúgios da cena underground do Rio. Segundo o site oficial, o bar é “feito por roqueiros, para roqueiros”. Por seus palcos e salões escuros, já passaram estrelas internacionais como Keith Richards, dos Rolling Stones, e Marky Ramone, da banda punk Ramones.
A proposta da deputada Célia Jordão busca o reconhecimento do Bukowski como patrimônio imaterial — o que não implica tombamento físico da propriedade, mas sim o reconhecimento de seu valor simbólico e cultural. Como prevê a Constituição Federal, o patrimônio cultural brasileiro inclui bens de natureza imaterial que expressam a identidade e a memória dos diversos grupos que compõem a sociedade. A relatoria do projeto, sob responsabilidade do deputado Rodrigo Amorim (PL), considerou a proposta juridicamente viável, sugerindo apenas uma emenda técnica para deixar claro que o reconhecimento não acarreta ônus ou restrição ao imóvel.
Se a homenagem for aprovada em plenário, o bar se juntará a uma seleta lista de bens culturais reconhecidos no estado, como a Feira de São Cristóvão, a Roda de Samba da Pedra do Sal e o Jongo da Serrinha. O projeto de lei foi recebido com leveza na CCJ, por ter sido apresentado por uma deputada de perfil conservador, mas Célia Jordão fez questão de salientar que, inclusive, é frequentadora do Bukowski.
