Cidade que sempre se destacou pelo espírito inovador, o Rio de Janeiro tem avançado no uso de tecnologias para melhorar o dia a dia da população. Recursos de última geração que reúnem monitoramento e análise de dados, conectividade, inteligência artificial (IA), imagens em tempo real e soluções antecipadas colocam o Rio entre as principais cidades inteligentes da América Latina.
O Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio) e a Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia em Apoio à Segurança Pública (CIVITAS), da Prefeitura do Rio, são exemplos da inovação aplicada em áreas estratégicas para garantir bem-estar, segurança, inclusão, mobilidade e prevenção de riscos nos grandes centros urbanos.
As duas iniciativas contam com um parque tecnológico formado por mais de 4 mil câmeras espalhadas por todas as regiões da cidade e 1.500 radares da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio), além de canais diretos de comunicação da população com o poder público, como a central 1746, e o Disque-Denúncia, que, depois do aporte anual da Prefeitura do Rio de R$ 7 milhões, voltou a funcionar ininterruptamente.
— O Rio de Janeiro está se consolidando como Capital da Inovação da América Latina — resume o vice-prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, que destaca também os avanços na área da educação, com a Faculdade da Matemática, o IMPA Tech, em parceria com o Governo Federal, e os Ginásios Educacionais Tecnológicos (GETs) em tempo integral.
O COR e a CIVITAS têm sido fundamentais em áreas diversas. A CIVITAS faz a identificação de padrões de crimes e o cerco eletrônico da cidade. Já o COR ajuda com acidentes, trânsito e na localização de áreas sujeitas a inundações e deslizamentos.
Enquanto o COR tem se aprimorado ao longo de 14 anos de funcionamento, a CIVITAS, lançada em junho do ano passado, está voltada para o combate aos crimes característicos das grandes metrópoles, em apoio às forças de segurança.
Entre os mais recentes avanços do COR, um dos maiores centros de operações urbanos do mundo, está o novo radar meteorológico da Prefeitura do Rio, adquirido na Finlândia, que auxilia o Sistema Alerta Rio com um monitoramento que permite previsão até três horas antes da chuva.
Por meio do aplicativo COR.Rio, o cidadão também pode acompanhar as imagens do radar em tempo real. Outra inovação, o Protocolo do Calor estabelece cinco estágios de calor e permite emissão de alertas e ações públicas para os casos de altas temperaturas.
Em 2025, as inovações estão voltadas para uso de inteligência artificial em processos internos do COR e nas câmeras, o que permitirá a contagem de veículos por período de tempo e identificação de movimentação atípica em uma região específica. A IA está sendo testada em mais de cem câmeras em vias e túneis da cidade.
Uma nova parceria com a empresa 7Lan vai integrar dados por meio de IA e contribuir com a operação da cidade, uma solução que amplia a capacidade de resposta, análise e comunicação da cidade do Rio de Janeiro em tempo real.
— O município avança com esse tipo de parceria. O COR-Rio tem um acordo com a agência espacial americana, a NASA, que desenvolveu um sistema exclusivo que prevê o nível de escorregamento em cada maciço da cidade. Também consolidou convênios com empresas como Google, Amazon, Waze, Eletromidia, Grupo Coruja, Onbus. Cada parceria proporciona ferramentas específicas que auxiliam na operação da cidade e permitem que o Centro de Operações disponibilize informações relevantes para o cidadão — destaca Cavaliere.
A CIVITAS usa o DataLake Municipal para consolidar dados operacionais e estratégicos em tempo real e, dessa forma, auxiliar a segurança, como explica o vice-prefeito:
— A tecnologia, 100% desenvolvida pela própria Prefeitura do Rio, permite buscas por placas específicas, identificação de possíveis clonagens, análise de passagens conjuntas de veículos por diferentes radares, tudo em questão de segundos.
A CIVITAS vem contribuindo significativamente com as autoridades de segurança na investigação de crimes, com inteligência e de forma sistemática. Para aumentar a efetividade do trabalho de segurança da Prefeitura do Rio, a central será expandida. Funcionará em uma sala de controle maior e terá mais agentes para analisar os dados.
A escuta da população também tem se aprimorado. O aplicativo Mulher.Rio orienta vítimas de violência aos serviços públicos mais adequados e atendimento humanizado. Além disso, recursos de IA têm sido usados para situações de desordem urbana, vandalismo e violência.
No fim de abril, o prefeito Eduardo Paes anunciou mais uma ação que reforçará o Rio como referência em inovação tecnológica: o projeto Rio AI City transformará a cidade no maior hub de data centers da América Latina e um dos dez maiores do mundo.
— Queremos impulsionar no Rio a revolução da inteligência artificial e garantir que ela sirva ao bem público. Vamos construir um campus de IA de última geração no Parque Olímpico, com 1,8 Gigawatts até 2027 e 3 Gigawatts até 2032, totalmente alimentado por energia limpa e com abastecimento de água ilimitado. — afirma o prefeito Eduardo Paes.
A experiência do Rio como referência em cidade inteligente foi levada a Xangai, durante o Summit Valor Brazil China 2025, promovido pela Editora Globo e pelo Valor Econômico, em parceria com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e a Caixin Media.
Entre os temas dos debates estavam as cidades inteligentes como oportunidades de negócios. Estudo da consultoria Technavio estima que o mercado de cidades inteligentes crescerá US$ 332,5 bilhões entre 2024 e 2029, a uma taxa de mais de 20% ao ano.
Já a Research and Markets estima que o mercado global de smart cities movimente US$ 2,51 trilhões. A crescente urbanização do planeta indica que os números serão ainda mais grandiosos no futuro. As áreas urbanas concentram 55% dos 8 bilhões de habitantes do planeta, e esse percentual alcançará 68% até 2050. No Brasil, 87% da população reside em áreas urbanas.
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