A prefeitura do Rio anunciou, na quarta-feira (27), detalhes de como será a mudança na operação de ônibus na cidade depois de acordo firmado com os atuais quatro consórcios (Intersul, Internorte, Transcarioca e Santa Cruz) e o Ministério Público no fim de abril — inicialmente, o contrato iria até 2030, mas foi adiantado, e eles serão substituídos à medida em que novas licitações sejam concluídas, até o segundo semestre de 2028.
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— Como os contratos estão terminando e essas empresas têm histórico de pouquíssimo compromisso com o usuário, o cliente final, a tendência é, cada vez mais, investirem menos. Estamos falando de um sistema que está aí há 60, 70 anos, operando com pouca institucionalidade, de forma irregular— criticou o prefeito Eduardo Paes. — A partir do ano que vem, nós já vamos ver áreas da cidade sendo completamente transformadas com transporte digno, decente.
A cidade será dividida em 31 áreas, com as três primeiras (que incluem Campo Grande e Santa Cruz, na Zona Oeste) sendo licitadas no segundo semestre. A previsão é que as novas operadoras assumam o serviço em abril de 2026.
Para a escolha desses pontos foi levado em consideração o Índice de Qualidade do Transporte (IQT), que considera a Zona Oeste a pior área. Já a operadora mais ineficiente é a Transportes Paranapuan, que atua na Ilha do Governador, na Zona Norte, região contemplada na segunda fase de licitações.
— Nesse ranking por empresa, de fato, a empresa que opera na Ilha do Governador está com a pior nota no IQT. Mas, quando a gente faz essa nota do IQT pelas áreas, percebe que há outras mais prioritárias — explicou o subsecretário de Transportes e Operação, Guilherme Braga Alves, ao justificar o início pela Zona Oeste.
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Serão, ao todo, cinco fases, com a última prevista para ocorrer entre setembro de 2027 e agosto de 2028, justamente quando acaba o contrato com os atuais operadores. A cidade será dividida em 22 lotes estruturais — como são chamados os pacotes com linhas longas, que ligam diferentes bairros — e outros nove lotes locais, que contemplam linhas que fazem percursos concentrados num bairro só.
A primeira delas englobará um lote estrutural em Campo Grande e outros dois locais, concentrados em Campo Grande e Santa Cruz. A previsão é que o edital seja publicado em julho, e a licitação realizada em outubro. Atualmente 199 ônibus circulam por essas áreas; de acordo com a prefeitura, serão 680 coletivos novos quando entrarem os operadores.
A cidade tem, atualmente, 4.085 ônibus licenciados, com idade média de 6,7 anos. Com a licitação, os operadores só poderão usar ônibus novos, equipados com ar-condicionado — a estimativa é que a frota chegue a 5 mil veículos, o que representa um aumento de mais de 20%. A maioria deverá ser do modelo piso baixo (que não depende de elevadores para o acesso de cadeirantes), com motor traseiro.
O investimento será todo feito pelos novos operadores. A secretária Maína Celidonio ressaltou que não pode impedir que operadores atuais participem da concorrência, por conta da Lei de Licitações. Mas o município pode cobrar requisito de qualificação dos postulantes à licitação, como comprovação de “saúde financeira” para conseguir adquirir uma nova frota de ônibus, com cada veículo custando mais de R$ 1 milhão.
— Esse tipo de requerimento já afasta as piores empresas, as empresas que estão em recuperação judicial, que não têm crédito na praça — disse Maína, ao mencionar que 15 empresas encerraram suas atividades nos últimos anos, enquanto outras 11 entraram em recuperação judicial.
A prefeitura afirmou que a “rede atual básica” de linhas será mantida, mas novos serviços podem ser criados. De acordo com a secretária de Transportes, a proposta da prefeitura é recuperar o sistema de ônibus, mas sem encampá-lo, como foi feito com o BRT:
— Claro que a Mobi-Rio pode, eventualmente, atuar aqui, ali, em área que a gente considere estratégica, mas a ideia é uma concessão para o privado, em novos moldes, um novo contrato.
Em nota, o RioÔnibus, consórcio que representa as empresas de ônibus da capital, informou que “os consórcios continuarão operando de acordo com o que foi definido no acordo judicial recém-firmado com a prefeitura e seguindo as determinações da SMTR”.

