O show de Lady Gaga no Rio, no início do mês, foi de números grandiosos. Inclusive no custo da produção. O espetáculo foi o segundo do evento “Todo Mundo no Rio”, custou cerca de R$ 92 milhões. Documentos obtidos pelo GLOBO mostram que o fretamento de três aeronaves para trazer a cantora, equipe e equipamentos custaram R$ 24,5 milhões — quase o mesmo valor pago de subvenção este ano pela prefeitura do Rio as escolas de samba do Grupo Especial (R$ 25,8 milhões). A apresentação da cantora nas areias de Copacabana contou com patrocínio público: tanto a prefeitura do Rio quanto o governo do estado investiram R$ 15 milhões cada.
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Uma das premissas da produtora do show em conseguir a verba de patrocínio público é detalhar como pretende gastar esse dinheiro. Após a apresentação, ela ainda tem um prazo para comprovar, com notas fiscais, todos esses custos. A BonusTrack, que produziu a apresentação de Lady Gaga, informou à prefeitura que gastaria os R$ 15 milhões da verba do município para pagar parte do fretamento dos aviões que trouxeram a cantora, sua equipe e equipamentos para o show.
O trajeto de ida e volta de três Boeings 747-400F saiu por R$ 24,5 milhões. O preço inclui custos operacionais como combustível, tripulação, tempo de voo, pousos, taxas de navegação e pernoites.
Com o valor do governo do Rio, a produtora informou que iria usar para pagar 59 itens da infraestrutura do show, como o palco (R$937 mil), iluminação (R$ 648 mil) e pisos para areia da praia (R$ 1,1 milhão). O maior gasto, de R$ 1,5 milhão, foi para o pagamento de serviços do Copacabana Palace, hotel em que a cantora e sua equipe se hospedaram. A previsão inicial era usar esse montante para o aluguel de quartos, salões para ensaios, buffet e bar, taxa de rolha e outros serviços gerais do hotel.
Foi detalhado ainda que a previsão era servir 1.520 refeições (almoço e jantar) durante cinco dias. No pós-show foram esperados 192 pessoas pelo buffet. Ainda na alimentação foi previsto a contratação de estações de açaí, smoothies e cafés especiais. Ainda saiu desta verba o pagamento de R$ 400 mil para logística terrestre, que contava com ônibus, vans, motoristas e aluguel de carros.
Deste valor também saiu parte da estrutura para a segurança. Foi previsto o pagamento de R$ 141,7 mil para 1,6 mil controladores de acesso para o dia do show, 30 torres para a Polícia Militar e R$ 350 mil em grades.
Os agentes da cantora exigiram contratualmente a aprovação de diversos detalhes da logística no Rio, como o transporte da diva pop na cidade — que deveria ser feito em “primeira classe” e “disponível em todos os momentos durante a estadia da artista na cidade”. Toda publicidade também necessitava de aprovação prévia da equipe americana.
Embora o contrato com a cantora deixasse claro que ela não estaria disponível para qualquer serviço adicional, como aparições, encontro com fãs ou entrevistas, ela se comprometeu que o show em Copacabana seria o único no país entre a assinatura do contrato até a apresentação.
