Na quarta-feira (28), o ator Juliano Cazarré passou por uma cirurgia para a reconstrução do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo após sofrer uma lesão praticando jiu-jitsu. A lesão é muito comum entre praticantes de esportes como futebol, basquete e vôlei, mas também pode atingir os não praticantes de atividades físicas, por exemplo, devido a quedas.
“Obesidade, fraqueza muscular, sobrecarga de treinos, idade avançada, hipermobilidade articular, joelho valgo (para dentro) e lesões prévias do LCA são alguns dos fatores que podem favorecer a ocorrência desse tipo de trauma”, fala Marcos Cortelazo, ortopedista especialista em joelho e traumatologia esportiva do hospital Albert Einstein e da Rede D’Or, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).
Apesar de esse tipo de lesão ser mais comum em atletas devido a movimentos bruscos de rotação ou desaceleração do joelho, qualquer pessoa que realiza movimentos bruscos, repetitivos, pulos ou giros que possam transmitir uma energia excessiva à articulação do joelho, também pode estar sujeita a essa lesão, especialmente se houver torção do joelho com o pé fixo no chão. Mesmo menos frequente, o risco existe sim”, explica Fernando Jorge, médico ortopedista, especialista em cirurgias do Joelho e cirurgias do Quadril (HSL-RP). O tratamento cirúrgico exige cuidados delicados, para evitar recidivas. “A adesão ao tratamento e a paciência do paciente para viver todo o processo pós-operatório são fundamentais para uma recuperação segura e eficaz e retorno 100% a suas atividades prévias à lesão”, afirma.
O ligamento cruzado anterior (LCA) é responsável por estabilizar a articulação do joelho, principalmente em momentos de aceleração e desaceleração ou em movimentos de giro, segundo Marcos Cortelazo. “O mecanismo do trauma geralmente envolve a movimentação do joelho para dentro ao mesmo tempo em que a tíbia é rotacionada para fora e o pé está preso ao chão”, explica o médico. É comum que, após a lesão, o paciente precise ser carregado e use muletas. A lesão do ligamento cruzado anterior é geralmente acompanhada de um estalo seguido por uma dor súbita no joelho.
“Após o momento do trauma, o paciente pode notar inchaço e sentir redução da mobilidade e instabilidade da região, com a sensação de joelho frouxo e falhando”. Ele também alerta que a intensidade dos sintomas pode variar de acordo com a gravidade da lesão, com algumas pessoas conseguindo realizar atividades normalmente, enquanto outras sentem dores mesmo com o menor dos movimentos. “Na dúvida, o mais importante é sempre buscar auxílio médico ao suspeitar de uma possível lesão do LCA, tanto para confirmar o diagnóstico quanto para verificar a ocorrência de outras lesões comumente associadas, como lesões do menisco e das cartilagens”.
Geralmente, o tratamento cirúrgico é o mais adequado. “A cirurgia só não é indicada para pacientes idosos, sem lesões associadas, que não realizam atividade física e com a estabilidade do joelho preservada. Caso contrário, a cirurgia é recomendada para reconstruir o ligamento rompido, já que possui baixa capacidade de cicatrização por si só”, pontua Marcos. A cirurgia, garante, é pouco invasiva, por ser realizada por videoartroscopia, e utiliza enxertos de tecidos, como tendões, retirados do próprio paciente para reconstrução do LCA. “Mas tão importante quanto a cirurgia é o processo de reabilitação pós-operatória, que, se realizada de maneira inadequada, pode comprometer o sucesso do tratamento. Esse processo envolve, principalmente, sessões de fisioterapia, com foco, inicialmente, na recuperação dos movimentos e, depois, no fortalecimento do ligamento”.
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“A recuperação varia, mas geralmente leva de 7 a 9 meses para retomar atividades cotidianas com segurança. Caminhar sem muletas é possível em 2 a 4 semanas, dependendo da evolução individual e da reabilitação. No entanto, atividades que exigem maior estabilidade do joelho devem ser evitadas até a completa recuperação e reabilitação”, completa Fernando.
A boa notícia, segundo o médico, é que, hoje, com os avanços nas técnicas de cirurgia e reabilitação, grande parte dos pacientes consegue retornar à prática esportiva ou atividades diárias no mesmo nível de intensidade e performance, o que não acontecia antes, quando muitas carreiras eram encerradas por esse tipo de lesão. “Para isso, é fundamental que o tratamento seja adequado e o retorno seja gradual, de acordo com a velocidade de reabilitação do paciente e sempre com liberação do médico. É importante que esse processo não seja apressado, pois retornar precocemente a alguma atividade esportiva ou que possa colocar o joelho em risco pode aumentar significativamente o risco de novas lesões no joelho”, comenta Marcos Cortelazo.
Ainda de acordo com Fernando Jorge, para uma recuperação tranquila, é fundamental que o paciente siga rigorosamente o programa de fisioterapia para recuperar a mobilidade, marcha adequada e força muscular. “Também orientamos que ele evite sobrecarregar peso no joelho operado nas primeiras semanas. O uso de muletas e órtese conforme orientação médica também é indicado. Para reduzir o inchaço após a cirurgia, aplicar gelo e elevar a perna pode ajudar. É fundamental que o paciente tome os medicamentos prescritos para controle da dor e inflamação e retorne às atividades físicas apenas com liberação médica, para evitar recidivas ou sequelas”, finaliza o Dr. Fernando Jorge.

