No primeiro fim de semana sob as novas regras da orla carioca, quiosques, barracas e ambulantes enfrentaram fiscalização limitada, ajustes e incertezas com a entrada em vigor do decreto do prefeito Eduardo Paes. Em Copacabana, Ipanema e Arpoador, houve flagrantes de ciclomotores circulando nos calçadões, música em barraca, carrinho de milho na areia, além de garrafas de vidro. Multas foram aplicadas, algumas bandeiras sumiram da paisagem, e trabalhadores correram para adaptar suas tendas e abandonar as garrafas, agora proibidas. Em alguns casos, fiscais demonstraram confusão sobre o que estava ou não permitido.
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A reportagem percorreu trechos de Copacabana, Ipanema e Arpoador e constatou que, embora algumas multas tenham sido aplicadas, a fiscalização foi pontual. Patinetes e bicicletas elétricas ainda circulavam. Segundo a Secretaria de Ordem Pública e a Guarda Municipal, mais de cem itens de ambulantes irregulares foram apreendidos — como garrafas de vidro, carrinhos e roupas. Também foram recolhidos seis bikes elétricas e quadriciclos estacionados no calçadão. Vinte e cinco ciclistas foram orientados. Barracas receberam 26 multas por ausência de preços visíveis e atuação de “puxadores”. Nenhum quiosque foi autuado por perturbação sonora
Ambulantes sem licença continuavam na areia. A venezuelana Maudrin Alexandra, que vende açaí numa carrocinha, teme novas apreensões e diz que foge sempre que a fiscalização aparece.
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Nos quiosques, a música ao vivo foi liberada das 12h às 22h, com volume controlado, e o uso de garrafas de vidro é permitido, desde que não saiam do espaço. Vanessa Emanuela, gerente do Lost in Rio, em Ipanema, disse que o som já era moderado. No Botequim Carioca, em Copacabana, o uso de decibelímetro é rotina. Para a gerente Priscila Alves, o recuo da prefeitura foi necessário:
— Sem música, a orla perde a alma.
O decreto também determina padronização visual nas barracas — nome sobre fundo branco, letras pretas, 40 centímetros de altura por três metros de largura. Parte dos barraqueiros já começou a se adequar. Marcos Antônio, do “Da Bahia Rio”, em Copacabana, trocou o letreiro e passou a servir drinques em garrafas PET.
— O cliente vai ter que acreditar na gente — disse ele, referindo-se a alguma desconfiança relacionada à marca ou à procedência da bebida.
Vinicius Saad, da Barraca do Russo, em Ipanema, relata que foi multado mesmo após ter ouvido orientações contraditórias. Henrique Guimarães, da Menor e Willy, também em Ipanema, já aboliu o vidro e adotou galões coloridos, apesar de reconhecer perda de qualidade em bebidas como espumante e gim. Uma barraqueira com ponto antigo em Copacabana contou que chegou a passar mal com as novas exigências, mas se tranquilizou após a liberação dos nomes nas faixas:
— Barraca tem que ser alegre. E garrafa chama o turista”.
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O engenheiro Raul Paiva, de 68 anos, teve sua bicicleta elétrica apreendida enquanto jogava vôlei no Posto 8.
— Me orientaram a deixar no canteiro central, mas já roubaram minha bateria lá. Aqui eu cuidava dela. Cumpriram a norma, mas e meu prejuízo? — questiona.
