Por trás da voz que atravessa gerações, Wanessa Camargo comemora 25 anos de carreira olhando para sua trajetória com mais segurança, autoconhecimento e, principalmente, leveza. A cantora lança um projeto especial para celebrar esse marco, revisitando os próprios sucessos em versões repaginadas, alinhadas às linguagens atuais e às novas gerações.
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— Cada projeto parece ser sempre o primeiro, porque é diferente, é novo. A gente muda, a vida muda, e a minha arte reflete isso. A Wanessa de 17 anos enxergava o mundo de um jeito. Hoje, me sinto mais calma, mais segura, mais empática e com muito mais clareza — diz ao GLOBO.
O ponto de partida desse novo momento veio, curiosamente, de casa. Foi ouvindo os próprios filhos que Wanessa foi apresentada à estética dos remixes BTG (versões aceleradas, muito populares nas redes sociais), que fazem parte desse projeto.
— Te confesso que eu nem sabia o que era, falava até errado. Quem me despertou para isso foi o Flávio Saturnino, que está comigo nesse projeto. E foram meus filhos que realmente me mostraram. No começo eu não entendia nada, mas achei genial — conta. — É uma maneira de falar com quem já conhece minhas músicas, trazendo nostalgia, e, ao mesmo tempo, apresentar esse trabalho para uma nova geração, que consome música de outra forma — acrescenta.
Ao regravar suas músicas, Wanessa também se deparou com outra versão de si mesma, mais madura, inclusive vocalmente.
— Uma coisa é cantar a música no show, outra é gravar de novo, oficialmente. Percebi como minha voz mudou, como não faço mais alguns trejeitos, como minha interpretação é diferente. Isso tem a ver com técnica, sim, mas também com tudo que vivi. Foi um processo muito divertido e enriquecedor — revela.
Se o amor pela música e pelo palco continua intacto, a forma de lidar com a carreira e com as pressões mudou bastante.
— A minha necessidade de agradar aos outros ficou para trás. Isso vem mudando muito na minha vida. Hoje não preciso mais provar nada para ninguém, só preciso fazer meu trabalho e ser feliz. Aprendi que o que faz as coisas darem certo é trabalhar, tentar, recomeçar, ter coragem e muito amor pelo que se faz — afirma.
Essa mentalidade, ela reconhece, também vem da própria família — e do avô Francisco Camargo, a quem dedica simbolicamente esse projeto, lançado no dia de seu aniversário.
— A minha família é o meu chão, a minha base. Honro muito meus avós, meus bisavós e, claro, meu avô Francisco, que está tão presente em mim. Foi muito especial perceber que uma das datas possíveis para lançar esse projeto caía no dia dele. Foi um sinal — conta, emocionada.
Ao longo da carreira, Wanessa aprendeu a olhar de forma diferente para a própria história e o sobrenome que carrega.
— Sempre tive muito orgulho do meu pai. No começo, eu achava que precisava carregar esse peso, essa bagagem. Com o tempo, entendi que é bobeira. Se tenho o privilégio de ter um pai como ele, por que não usar isso positivamente? Hoje digo: ‘Pai, me manda uma letra sua, vamos compor juntos’. Antes eu tinha muito medo de que isso parecesse algo forçado. Agora, vejo que é simplesmente a nossa história — pontua.
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Fora dos palcos, Wanessa também se dedica a projetos sociais, como o recém-lançado “Elas Movem”, que oferece mentoria para mulheres que buscam autonomia financeira e profissional.
— É um projeto lindo, com outras 12 mulheres incríveis. A ideia é levar informação, oportunidade e apoio para quem não tem acesso. Esse propósito me move muito — ressalta.
Nos planos futuros, os desejos vão além da música: fazer a caminhada de Santiago, dar a volta ao mundo com os filhos, mergulhar no teatro e até no cinema. Mas o foco principal segue claro:
— Manter a cabeça no lugar, criar meus filhos com paz, muita saúde e, claro, continuar fazendo música com amor.

