Os alto-falantes anunciam: “Senhoras e senhores, por favor, deem as boas-vindas ao pianista de renome mundial Jean-Yves Thibaudet!”. Logo um rugido irrompe de centenas de pessoas vestidas com suas melhores roupas inspiradas na época da Regência britânica: fraques e vestidos com ombros bufantes, bijuterias e cabelos cacheados. Elas se aglomeram ao redor de um pequeno piano Steinway ao lado de um palco improvisado, cujo fundo parece um outdoor: uma extensão roxa com a imagem de Keira Knightley de touca e o texto “Orgulho e preconceito: vigésimo aniversário.”
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Trata-se de uma enorme festa organizada pela Focus Features para um de seus filmes mais amados, “Orgulho e preconceito”, de Joe Wright, de 2005, baseado no romance homônimo de Jane Austen publicado em 1813.
Dentro do Viennese Ballroom, no Langham Huntington, em Pasadena, fãs do filme se reúnem para a rara oportunidade de poderem ouvir Jean-Yves Thibaudet interpretar a trilha sonora de Dario Marianelli.
Thibaudet, vestido com um figurino desenhado especialmente para a ocasião, senta-se ao piano e começa a tocar “Dawn”, o tema marcante do início do filme, em que uma nota que se repete livremente dá lugar a uma melodia instantaneamente cativante sobre ondas suaves de arpejos. Um silêncio toma conta da sala e as pessoas erguem seus celulares para gravar. Duas amigas se abraçam e choram; uma grava um vídeo enquanto a outra enxuga as lágrimas.
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Thibaudet é um pianista de sucesso: mundialmente famoso, um mestre nas obras de Claude Debussy, Erik Satie e Frédéric Chopin — mas nada do que ele fez provavelmente será tão popular como “Orgulho e preconceito”. Lançada há duas décadas pela Decca, a trilha sonora já acumulou mais de um bilhão de reproduções no streaming.
— Ela simplesmente diz algo que toca as pessoas completamente — diz Thibaudet. — Há muitas trilhas sonoras lindas, e sempre tentamos fazer o nosso melhor, mas de vez em quando você tem algo mágico. Tudo é o ingrediente certo, mas não há uma receita.
A trilha sonora de “Orgulho e preconceito” recebeu uma indicação ao Oscar, mas perdeu para “O segredo de Brokeback Mountain”. Ainda assim, tanto o filme quanto a música perduraram.
Desde o lançamento da trilha sonora, diz Thibaudet, os fãs a mencionaram em quase todas as sessões de autógrafos ou encontros nos bastidores.
— Há pelo menos uma pessoa que dirá: “Este foi meu primeiro álbum” ou “Isso me ajudou a terminar a faculdade” — diz ele. — Nós realmente conquistamos algo especial.
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O pianista afirma já ter ouvido de outras pessoas que muitos fãs tendem a conhecer suas outras gravações graças a “Orgulho e preconceito”. Às vezes, esses fãs estão assistindo a um concerto de música clássica pela primeira vez.
É por isso que ele toca um pouco de Chopin em sua apresentação no Baile do Orgulho e Preconceito em Pasadena. Ninguém parece se importar — e as pessoas aplaudem, seja “Noturno”, do compositor polonês, seja “Dawn”, a peça mais famosa da trilha sonora.
O evento é uma prova da influência do filme sobre seus fãs. Eles se espalham pelo hotel fantasiados, posando para desenhistas, mergulhando bolo de confete em fondue e pescando ostras em uma imponente escultura de gelo de “Orgulho e preconceito”.
Após a apresentação de Thibaudet, as pessoas formam fila para que ele autografe cópias em vinil recém-prensadas da trilha sonora. Seu encontro marcado com os fãs seria por apenas 30 minutos, mas as pessoas continuam chegando, e ele fica por perto, despreocupado, por cerca de uma hora e meia, autografando álbuns e posando para fotos com um sorriso.
— Estou tão tocado pelo impacto que essa trilha sonora tem. Toda vez que vejo alguém me dizendo o quanto a ama ou o quanto significa para ela, eu encaro isso como um elogio muito, muito pessoal — comemora o pianista.

