A Aviação de Reconhecimento realiza rastreamento minucioso de dados de inteligência e monitoramento de áreas de interesse. E foi graças a esse setor da Força Aérea Brasileira (FAB) que agentes apreenderam um tipo de “mini-submarino”, frequentemente usado pelo narcotráfico, na região da Ilha de Marajó, no Pará. Para encontrar a embarcação que seria utilizada para transportar cocaína até a Europa, a Força utilizou a aeronave especial R-99.
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Os R-99 realizam monitoramento e reconhecimento avançado, oferecendo dados em tempo real para coordenação e segurança das operações. Equipados com sensores, câmeras e radares avançados, esses aviões são capazes de mapear o solo detalhadamente, identificando desde acampamentos ilegais de garimpeiros até focos de desmatamento e queimadas.
A aeronave também pode encontrar outros aviões voando em baixa altitude a uma distância de até 450 km e conta ainda com um equipamento OIS FLIR AN/AAQ-22 Safire (sensor ótico e infravermelho), que permite detectar fontes de calor como queimadas e equipamentos camuflados em terra.
O uso combinado de imagens ópticas, multiespectrais e infravermelhas permite detectar até mesmo estruturas ocultas pela vegetação, como tendas camufladas em meio à mata. O R-99 também possui um sistema de transmissão e recepção de dados, permitindo o intercâmbio de informações com outros aviões e a base em terra, em tempo real de forma segura.
Cada missão pode durar até cerca de oito horas ininterruptas de voo. A bordo, além dos dois pilotos, seguem normalmente quatro operadores dos sistemas embarcados e outros quatro militares para revezamento das atividades, garantindo a continuidade das operações de monitoramento.
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A ofensiva também contou com o uso de ferramentas avançadas de inteligência artificial, imagens de satélite de alta resolução. Esses recursos permitiram monitorar e mapear movimentações fluviais incomuns na complexa malha hidrográfica da Amazônia.
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Durante a missão de reconhecimento, os R-99 detectaram estruturas navais camufladas entre galpões ribeirinhos, além de padrões logísticos atípicos em rotas estratégicas da região. As informações captadas por sensores instalados nas aeronaves e satélites em órbita da Terra foram compartilhadas com as equipes da Polícia Federal e viabilizaram a mobilização terrestre para interceptar a embarcação.
Segundo a FAB, o isolamento geográfico da Ilha de Marajó, um dos maiores arquipélagos fluviomarinhos do mundo, favorece ações do crime organizado, que investe em soluções logísticas sofisticadas para despistar a fiscalização.
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A operação de sábado foi impulsionada por um episódio recente em águas europeias: em março deste ano, autoridades portuguesas interceptaram uma embarcação similar carregada de cocaína.
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A partir desse caso, o trabalho conjunto entre a FAB e a PF foi intensificado. Equipes passaram a cruzar imagens orbitais e dados eletrônicos gerados por aeronaves brasileiras, o que levou à identificação de rotas fluviais clandestinas, pontos de fabricação artesanal e o provável destino transatlântico das embarcações.
