Informações recebidas pela polícia revelam que o sucessor de Fhillip da Silva Gregório, o Professor, de 37 anos, que comandava o tráfico de drogas na comunidade da Fazendinha, no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, e morreu neste domingo, deverá ser escolhido por chefes da cúpula da facção criminosa Comando Vermelho(CV). Entre os bandidos que integram o grupo está Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, traficante mais importante da quadrilha, que ainda continua em liberdade.
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Pezão também é o integrante da cúpula do CV que está foragido há mais tempo. Quando 3.500 homens das polícias Civil e Militar, do Exército e da Marinha ocuparam os complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio, em 28 de novembro de 2010, Pezão já estava com a prisão decretada. Mas, ele fugiu dois dias antes da megaoperação, usando provavelmente uma tubulação de esgoto.
Professor exercia um papel importante na facção. Além de comandar o tráfico na Fazendinha, Fhillip da Silva Gregório tinha contatos em outros países da América do Sul e era o responsável por um esquema que abastecia a quadrilha com armas contrabandeadas. Assim, usava o Complexo do Alemão como base, segundo investigações da Polícia Federal (PF), para coordenar a chegada de armamento vindo do Paraguai, Bolívia e Colômbia, com distribuição para outras favelas controladas pelo CV. Em mensagens que integram um inquérito da PF, responsável por dar origem à Operação Dakovo, deflagrada em dezembro de 2023, que levou à denúncia de 28 pessoas por tráfico de 43 mil armas do Paraguai para facções brasileiras, Fhillip era apontado como o principal responsável pelas compras de armamento do CV.
Ultimamente, Fhillip lutava contra o sobrepeso, e segundo informações recebidas pela polícia, vinha tomando medicamentos para emagrecer. Vaidoso, ele já havia se submetido, anteriormente, à lipoaspiração, clareamento dentário e a um implante capilar. Durante uma investigação, agentes chegaram a encontrar fotos em que ele aparece deitado em uma maca fazendo o tratamento estético no couro cabeludo. Os procedimentos teriam ocorrido entre 2020 e 2022.
As horas que antecederam a morte de um dos traficantes mais procurados do Rio foram regadas a uma mistura que incluiu doses de uísque, energético, e antidepressivos. Informações recebidas pela Polícia Civil revelam que Fhillip da Silva Gregório teria estado, entre a noite de sábado e a madrugada de domingo, em um baile realizado em um campo da comunidade. Lá, ingeriu bebida alcoólica, apesar de fazer uso de remédios controlados. Pela manhã, ele teria se deslocado para uma casa em uma área da favela, onde ainda sem dormir, já por volta das 21h, teria cometido suicídio. A morte de Fhillip , na noite de domingo, aconteceu na frente de uma testemunha, uma mulher com quem o traficante mantinha um relacionamento extraconjugal há quatro anos, e com quem tinha uma filha.
Professor foi ferido por um tiro de pistola que atingiu o lado direito do rosto. Ele foi transportado por pessoas não identificadas em um carro branco para a Unidade de Ponto Atendimento de Del Castilho, na Zona Norte do Rio. Em seguida, foi deixado em frente à unidade médica. Os médicos constataram que ele já estava morto.
O traficante tinha 65 passagens pela polícia. Em seu nome constavam pelo menos três mandados de prisão expedidos pela Justiça. Um deles era oriundo da Justiça Federal da Bahia após uma investigação o apontar como elo entre fornecedores sul-americanos e o CV. A apuração revelou movimentação de R$ 1,2 bilhão em três anos pela quadrilha da qual fazia parte.
A última prisão de Professor ocorreu em 2015. Na ocasião, ele foi detido por policiais federais em um sítio de Seropédica, na Baixada Fluminense, com aproximadamente cem quilos de cocaína. Posteriormente condenado a mais de 14 anos de prisão, Fhillip saiu da cadeia, em 2018, após ganhar da Justiça o direito de visita periódica ao lar. No entanto, ele nunca mais retornou ao presídio após deixar a unidade penitenciária em que cumpria pena.

