BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result
No Result
View All Result
BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result

Técnica identifica por DNA mães que abandonaram recém-nascidos encontrados mortos nos EUA

BRCOM by BRCOM
junho 4, 2025
in News
0
Técnica de DNA identifica mães que abandonaram recém-nascidos encontrados mortos nos EUA — Foto: The New York Times

Era setembro de 2004 quando um fazendeiro do Texas, nos Estados Unidos, notou que três urubus circulavam perto de uma estrada na divisa de sua propriedade. Ao se aproximar do local, viu o corpo nu de um bebê deitado no mato, ao lado de uma cerca de arame farpado. Na época, Wayne Springer era investigador do Departamento de Polícia do Condado de Medina e foi um dos agentes chamados ao local. O bebê era uma menina recém-nascida, ainda com o cordão umbilical preso ao corpo.

  • ‘Sonhando com a Lua’, China envia nova equipe de astronautas para sua estação espacial
  • Mudança de rota: Asteroide que ameaçava atingir a Terra agora pode abrir cratera na Lua

Springer bateu de porta em porta na região, em busca de testemunhas. Coletou amostras de saliva de dezenas de pessoas, na esperança de encontrar uma correspondência de DNA. Rastreou trabalhadores de um parque de diversões que estavam na cidade para a Feira do Condado de Medina. No aniversário da morte da bebê, ele vigiou o cemitério, caso alguém aparecesse no túmulo dela.

Então, um dia, em 2023, seu telefone começou a tocar sem parar. Ex-colegas do departamento ligavam para dizer que uma mulher de 45 anos, identificada como Maricela Frausto, havia sido identificada como a mãe da bebê.

Maricela, mãe de dois filhos e dona de um restaurante em Hondo, também no Texas, com a família, foi identificada por meio de uma técnica relativamente nova chamada genealogia genética forense. Usando dados de DNA de milhares de doadores voluntários, investigadores constroem árvores genealógicas para relacionar amostras de DNA encontradas em cenas de crime.

Maricela foi presa e acusada de assassinato.

Por anos, investigadores ficaram perplexos com casos de recém-nascidos abandonados e aparentemente deixados para morrer. Eles são chamados de “Baby Doe”: bebês não identificados cujos restos mortais foram encontrados em áreas arborizadas, latas de lixo ou valetas à beira da estrada. Esses casos sempre foram difíceis de solucionar.

Técnica de DNA identifica mães que abandonaram recém-nascidos encontrados mortos nos EUA — Foto: The New York Times

Isso mudou por volta de 2019, quando a polícia passou a usar grandes bancos de dados públicos de DNA — criados para genealogistas amadores rastrearem suas origens — como recurso para resolver esses crimes. Desde então, investigadores usaram a técnica para identificar quase 40 mulheres como mães de recém-nascidos encontrados mortos nos Estados Unidos, a maioria deles décadas atrás.

— No passado, esses casos eram improváveis de serem resolvidos, e agora é muito provável que sejam, e isso por causa da genealogia genética investigativa — explica Christi Guerrini, professora de ética médica da Universidade Baylor.

Para os policiais, essas identificações ajudam a encerrar casos que ficaram anos sem solução. Mas, para as mulheres identificadas — muitas das quais se casaram, construíram carreiras e tiveram outros filhos — a nova tecnologia trouxe à tona tragédias escondidas e virou suas vidas de cabeça para baixo.

Pelo menos duas mulheres, entre as dezenas de casos revisados pelo New York Times, tiraram a própria vida após serem abordadas por investigadores com provas de DNA. Outras foram condenadas a anos de prisão.

As circunstâncias que podem ter levado uma mulher a abandonar seu recém-nascido há tantos anos podem ser muito mais complexas do que uma simples correspondência genética pode revelar, segundo defensores dos direitos civis, médicos e advogados de defesa. Eles dizem que essa nova técnica está levantando questões para as quais o sistema judiciário ainda não está preparado.

Algumas das mulheres identificadas nesses casos dizem que não sabiam que estavam grávidas até entrarem em trabalho de parto. Algumas disseram à polícia que o bebê nasceu morto. Determinar a verdade pode ser extremamente difícil.

No caso de Maricela — que insistiu nunca ter ouvido sua bebê chorar ou respirar —, o médico legista concluiu que a bebê nasceu viva com base em um teste pulmonar amplamente criticado como pouco confiável.

“Essas mulheres estão sendo colocadas no mesmo grupo de outros tipos de casos criminais, como se todos fossem iguais”, disse Diana Barnes, psicoterapeuta especializada em saúde reprodutiva feminina. “E o que eu diria é: não, definitivamente não são.”

Conteúdo:

Toggle
  • Avanços em casos arquivados
      • Técnica identifica por DNA mães que abandonaram recém-nascidos encontrados mortos nos EUA

Avanços em casos arquivados

No passado, policiais que trabalhavam em casos de Baby Doe contavam com o Codis, um banco de dados nacional de DNA gerenciado pelo FBI — que geralmente contém amostras apenas de pessoas acusadas de crimes. Mães de recém-nascidos abandonados, em sua maioria, não têm histórico criminal, portanto dificilmente aparecem no sistema.

A genealogia genética agora permite encontrá-las mesmo assim.

O avanço veio em 2018, quando a polícia usou a técnica e os bancos de dados públicos de DNA para identificar um assassino em série conhecido como Golden State Killer. Menos de um ano depois, a polícia de Sioux Falls, Dakota do Sul, anunciou que havia usado genealogia genética num caso de Baby Doe, ligando uma mulher chamada Theresa Bentaas à morte de seu filho recém-nascido em 1981.

Bentaas foi acusada de assassinato e acabou fazendo um acordo de confissão chamado Alford plea — em que o réu afirma sua inocência, mas reconhece que há provas suficientes para uma condenação.

O juiz concluiu que o bebê havia vivido apenas por um curto período após o parto solitário. Bentaas passou cerca de três meses na prisão.

Maricela tinha 25 anos em setembro de 2004, morava em Hondo e era casada com um homem mais velho após crescer em um lar abusivo. Segundo relatos posteriores dados a seus advogados e a um investigador da defesa, ela não sabia que estava grávida.

Certo dia, ao ir ao banheiro, desmaiou, contou aos advogados. Ao acordar com dores, percebeu que estava em trabalho de parto. Deu à luz, mas nunca ouviu o bebê emitir um som. Confusa e abalada, limpou-se e colocou o bebê num armário, segundo a defesa. Dois dias depois, deixou o corpo ao lado da estrada, onde foi encontrado pelo fazendeiro.

Após ser presa quase vinte anos depois, ela foi categórica com sua equipe jurídica: não matou sua filha.

Mas, desde o início, os investigadores tratavam o caso como homicídio: o médico legista havia concluído que o bebê nasceu vivo. A conclusão foi baseada em um teste — hoje amplamente desacreditado, mas ainda utilizado — no qual os pulmões do bebê são colocados na água; se flutuam, presume-se que o bebê respirou.

Quando a genealogia genética passou a ser usada pela polícia, Springer já havia deixado o cargo, mas outros detetives continuaram o caso. Em outubro de 2022, em parceria com a empresa privada de genealogia forense Identifinders International, os detetives enviaram o perfil genético da bebê a dois bancos de dados públicos.

Após a análise confirmar que Maricela era a mãe, ela foi presa e acusada de homicídio qualificado em 20 de novembro de 2023.

Maricela insistiu que não havia matado a filha.

Anthony Welch, um dos defensores públicos que a representou, disse que havia fortes indícios de que o bebê nasceu morto — o que isentaria Maricela da acusação de homicídio. Além disso, o prazo para acusá-la por ocultação de cadáver já havia expirado.

Também pesava o histórico de vida de Maricela desde 2004: ela criou dois filhos, manteve um negócio bem-sucedido e nunca teve problemas com a lei.

Esse foi um dos fatores que levou Christian Neumann, promotor assistente encarregado do caso, a questionar se fazia sentido levar Maricela a julgamento por assassinato.

Ele mesmo tinha dúvidas sobre as provas forenses. Sabia que havia argumentos razoáveis de que a bebê nascera morta e não tinha uma resposta clara sobre como ela havia morrido — algo essencial num caso de homicídio.

Neumann decidiu oferecer a Maricela um acordo: ela se declararia culpada por homicídio culposo, com pena de 18 anos de prisão. Ela poderá solicitar liberdade condicional no final deste ano.

Pareceu a solução mais justa, disse ele.

— A limitação da genealogia genética forense é que ela resolve a questão da identidade ou parentesco — afirmou: — Mas não necessariamente resolve o crime.

Técnica identifica por DNA mães que abandonaram recém-nascidos encontrados mortos nos EUA

Previous Post

Solteiros e filhos de Leonardo: quem são os herdeiros do sertanejo que terminaram a relação em 2025

Next Post

Arqueóloga Niède Guidon morre aos 92 anos

Next Post
Arqueóloga Niède Guidon morre aos 92 anos

Arqueóloga Niède Guidon morre aos 92 anos

  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.

No Result
View All Result
  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.