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Trégua nas tarifas camufla um outro lado da guerra comercial entre EUA e China; entenda

BRCOM by BRCOM
junho 4, 2025
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Navio de carga no Porto de Yangshan, em Xangai: as economias dos EUA e da China continuam profundamente integradas, com centenas de bilhões de dólares em comércio cruzando o Pacífico a cada ano — Foto: The New York Times

O conflito comercial entre Estados Unidos e China está rapidamente se transformando em uma disputa sobre cadeias globais de suprimentos, à medida que as duas nações limitam o compartilhamento de tecnologias críticas — com consequências duradouras para dezenas de indústrias.

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Na semana passada, os Estados Unidos suspenderam algumas vendas para a China de componentes e softwares usados em motores a jato e semicondutores, em resposta a uma repressão de Pequim sobre a exportação de minerais utilizados em grandes setores da manufatura. Nos últimos dias, ambos os lados se acusaram mutuamente de agir de má-fé.

Essa guerra das cadeias de suprimentos, que se soma às tarifas que os dois países vêm impondo sobre as importações um do outro, alarmou empresas que afirmam não conseguir fabricar seus produtos sem componentes vindos de ambos os países. E tem deixado autoridades em Washington cada vez mais nervosas com outros pontos de estrangulamento onde a China poderia pressionar os EUA — como no setor farmacêutico ou no transporte marítimo.

— As guerras de cadeias de suprimentos, sobre as quais especulávamos há anos, agora estão acontecendo — disse Liza Tobin, ex-assessora de segurança nacional da Casa Branca e atual diretora-gerente da Garnaut Global, uma consultoria de riscos.

Nas últimas semanas, a indústria aeronáutica emergiu como tanto uma arma quanto uma vítima nesse embate.

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A tecnologia de motores a jato que impulsiona os aviões, assim como os sistemas de navegação que os controlam, vêm majoritariamente dos Estados Unidos, desenvolvidos por empresas como a General Electric. Na tentativa da China de construir uma concorrente viável à Boeing, por exemplo, foi necessário obter tecnologia de motores da GE Aerospace.

Mas um motor a jato também não pode ser fabricado sem a China. Minerais processados naquele país são essenciais para revestimentos especiais e componentes que ajudam o motor a funcionar suavemente em altas temperaturas, entre outras aplicações.

Pequim restringiu a exportação desses minerais — conhecidos como terras raras — em abril, depois que o presidente Donald Trump começou a impor altas tarifas sobre importações chinesas.

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A medida ameaçou encerrar o que restou da manufatura avançada nos Estados Unidos — incluindo o trabalho realizado por muitos contratantes da área de defesa. Em maio, a Ford fechou temporariamente uma fábrica em Chicago depois que um de seus fornecedores ficou sem os ímãs necessários para montar os carros.

Os Estados Unidos responderam com suas próprias restrições tecnológicas. Na semana passada, autoridades americanas suspenderam algumas licenças que permitiam a empresas americanas exportar tecnologia aeronáutica para a China, além de outras relacionadas à biotecnologia e semicondutores, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Ao mesmo tempo, autoridades dos departamentos de Defesa e do Interior e do Conselho de Segurança Nacional estão acelerando os esforços para encontrar mais fontes domésticas de terras raras, incluindo a possibilidade de financiamento governamental para novas minas e instalações de processamento, segundo fontes.

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Mas quaisquer esforços desse tipo podem levar anos para se concretizarem. Em média, os Estados Unidos levam 29 anos para desenvolver uma única mina, de acordo com estatísticas da S&P.

O governo Trump também está avaliando novas medidas. Tem considerado incluir grandes fabricantes chineses de chips, bem como unidades de gigantes chinesas de tecnologia como Alibaba, Tencent e Baidu, em uma chamada “lista de resstrições”, que os proíbe de fazer comércio com os Estados Unidos, segundo fontes próximas às discussões.

A batalha pela cadeia de suprimentos vem sendo travada há anos. E ambos os países vêm tentando se proteger contra o controle de bens estratégicos pelo outro, diversificando suas próprias fontes de abastecimento.

Após Trump impor tarifas à China durante seu primeiro mandato, muitas empresas americanas estabeleceram fábricas em países fora da China, incluindo Vietnã e México. Xi Jinping, o líder chinês, passou a buscar uma menor dependência do país em relação a fontes estrangeiras de energia e tecnologia, investindo pesadamente em fábricas de semicondutores, painéis solares e veículos elétricos.

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Mesmo assim, as economias continuam profundamente integradas — uma realidade difícil de contornar, já que centenas de bilhões de dólares em comércio cruzam o Pacífico todos os anos. Embora os dois países estejam decididos a reduzir suas dependências mútuas por motivos de segurança nacional, fazer isso será caro e doloroso.

Desde 2022, por exemplo, os Estados Unidos vêm expandindo gradualmente um sistema global para regular os semicondutores avançados e impedir que essa tecnologia chegue à China. As regras visam restringir o acesso chinês à inteligência artificial e à computação avançada necessárias para reforçar suas capacidades militares. No entanto, elas enfrentam forte resistência de uma indústria que vê a China como uma importante fonte de receita.

Os Estados Unidos estenderam esses controles de exportação ao redor do mundo, chegando a proibir empresas de outros países de venderem produtos à China caso usem peças, tecnologia ou software americanos em sua fabricação. Embora alguns governos estrangeiros tenham reagido negativamente a essas regras, muitos acabaram se alinhando.

Navio de carga no Porto de Yangshan, em Xangai: as economias dos EUA e da China continuam profundamente integradas, com centenas de bilhões de dólares em comércio cruzando o Pacífico a cada ano — Foto: The New York Times

Esse sistema se baseia na ideia de que os Estados Unidos devem ser a única potência global cujas regras os demais países devem seguir. Mas, para a China, os minerais de terras raras são uma forma de desafiar essa afirmação de domínio dos americanos.

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Pequim estabeleceu um sistema de licenciamento que lhe permite monitorar e aprovar as vendas de terras raras — e de ímãs feitos a partir delas — para empresas em todo o mundo. Quando Trump aumentou as tarifas sobre a China para 145% em abril, Pequim respondeu mirando nos embarques de terras raras, inclusive suspendendo muitos deles.

Em maio, autoridades americanas e chinesas organizaram uma reunião em Genebra para tentar aliviar as tensões comerciais. O governo Trump tinha vários motivos para buscar uma trégua. Empresas vinham alertando sobre o risco de prateleiras vazias nas lojas ainda este ano devido à queda nas importações da China, e os mercados de ações e títulos estavam emitindo sinais de alerta.

Mas foram as restrições chinesas às terras raras que pareceram exercer maior pressão sobre os Estados Unidos para alcançar uma resolução.

Os negociadores concordaram, em Genebra, em reduzir as tarifas. Como parte do acordo, a China afirmou que “suspenderia ou removeria as contramedidas não tarifárias adotadas contra os Estados Unidos desde abril”, segundo um comunicado conjunto.

Autoridades americanas dizem que os embarques chineses ainda não voltaram aos níveis anteriores. Durante uma entrevista à CNBC na sexta-feira, Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, afirmou que os chineses estavam “protelando o cumprimento do acordo” e que os americanos “ainda não viram o fluxo de alguns desses minerais críticos como deveriam”.

Trump foi mais direto. Em uma postagem no Truth Social na sexta-feira, ele escreveu que a China “VIOLOU TOTALMENTE SEU ACORDO CONOSCO”, acrescentando: “Adeus para o cara bonzinho!”

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Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, negou a acusação durante uma coletiva na terça-feira, dizendo que a China “implementou com seriedade” o consenso alcançado em Genebra. Autoridades chinesas afirmam que foram os Estados Unidos que quebraram o acordo, inclusive ao emitirem um comunicado dizendo que o uso de chips fabricados pela Huawei, a empresa de tecnologia chinesa, em qualquer lugar do mundo, violava a lei americana.

— Os EUA, sem qualquer base factual, difamaram e acusaram a China, impuseram controles de exportação sobre chips, suspenderam as vendas de softwares de design de chips para a China e anunciaram o cancelamento de vistos de estudantes chineses — medidas extremas que prejudicam seriamente o Consenso de Genebra e os direitos e interesses legítimos da China— disse Lin.

Enquanto algumas montadoras e fabricantes de eletrônicos dos EUA receberam recentemente licenças da China para embarques de minerais, a incerteza e o acúmulo contínuo de pedidos ainda estão deixando as empresas apreensivas. A China também parecia estar dando preferência a empresas europeias em detrimento das americanas.

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  • Tensões também nas relações diplomáticas
      • Trégua nas tarifas camufla um outro lado da guerra comercial entre EUA e China; entenda

Tensões também nas relações diplomáticas

As tensões estão transbordando para outros aspectos das relações diplomáticas entre os Estados Unidos e a China. O governo Trump também propôs planos para “revogar agressivamente” vistos de estudantes chineses, incluindo aqueles com vínculos com o Partido Comunista.

Não está claro como as tensões podem ser amenizadas. Karoline Leavitt, secretária de imprensa da Casa Branca, disse na segunda-feira que Trump e Xi provavelmente conversariam por telefone ainda nesta semana. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que não tinha “nenhuma informação a oferecer” sobre essa ligação.

Daniel H. Rosen, cofundador do Rhodium Group, uma empresa de pesquisa, disse que Pequim reconheceu, anos atrás, que as terras raras seriam centrais para tecnologias avançadas e subsidiou a expansão dessas reservas. Os Estados Unidos, segundo ele, “subestimaram gravemente” a demanda por esses materiais.

A China extrai 70% das terras raras do mundo, mas realiza o processamento químico de 90% delas. O país também fabrica mais de 80% das baterias do mundo, mais de 70% dos carros elétricos e cerca da metade do aço, ferro e alumínio global, segundo dados da Agência Internacional de Energia.

Garantir um fornecimento alternativo exigiria, provavelmente, que os Estados Unidos investissem centenas de bilhões de dólares, afirmou Rosen, além de cooperação com parceiros globais dispostos a construir cadeias de suprimento fora da China.

— Vai ser caro. Temos um longo caminho pela frente — acrescentou Rosen.

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