Quase vinte anos após o desaparecimento de Madeleine McCann, o caso está novamente no centro das atenções da mídia e da Justiça. As autoridades de Portugal e da Alemanha retomaram as buscas na região do Algarve, mais especificamente na área ao redor da Barragem do Arade, no município de Lagos, onde a menina britânica de três anos desapareceu em 2007 enquanto passava férias com a família. Nas últimas horas, uma imagem de satélite de dias depois desse episódio veio à tona, levantando novas suspeitas: ela mostra uma tenda misteriosa na área onde Christian Brueckner, o principal suspeito do caso e atualmente detido por outros crimes, estaria acampado.
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O Ministério Público de Braunschweig, na Alemanha, está liderando uma nova fase da investigação e solicitou mandados de busca no município português de Lagos, onde a jovem britânica foi vista pela última vez antes de desaparecer do resort onde passava férias com os pais na Praia da Luz. Na época, Brueckner morava na região, e registros de celular o colocam perto do local do desaparecimento dela naquela noite. Embora nenhuma acusação formal tenha sido apresentada contra ele, as autoridades alemãs acreditam que ele foi o responsável pela morte dela.
Nas buscas mais recentes, os policiais se concentraram em pelo menos cinco fazendas e prédios abandonados onde Brueckner teria acampado. Segundo o jornal britânico The Sun, um radar com capacidade de escanear até 4,5 metros de profundidade foi usado para inspecionar um antigo chalé pertencente ao suspeito. Além disso, imagens de satélite de junho de 2007, poucas semanas após o desaparecimento de Madeleine, foram analisadas. Essas imagens mostram o que parece ser uma tenda branca dentro de uma estrutura de pedra.
A área escolhida para esta nova fase de escavações fica em Atalaia, uma área costeira a apenas 1,6 km do Ocean Club, o resort onde a família McCann estava hospedada. Lá, as equipes vasculharam o terreno em busca de pistas, como restos de roupas ou itens que pudessem fornecer DNA. Embora as esperanças de encontrar o pijama rosa que a menina usava sejam mínimas, as autoridades não descartaram nenhuma pista.
No início dos anos 2000, esta área era popular entre os “campistas selvagens”, muitos deles estrangeiros que montavam suas barracas sem regulamentação ou supervisão. Entre eles, segundo suspeitas da polícia, estava o próprio Brueckner. Um morador local, João Pedro, lembrou em declaração ao Sun que estrangeiros acampavam livremente ali.
“Naquela época, viam-se trailers e barracas por toda parte”, disse ele.
A polícia acredita que esta busca pode ser o “último esforço” antes da libertação de Brueckner. Vale lembrar que o homem de 48 anos cumpre pena de sete anos pelo estupro de uma mulher de 72 anos, também na Praia da Luz, em 2005. No entanto, sua libertação pode ocorrer já em setembro, e as autoridades alemãs temem que ele possa desaparecer novamente.
“Este é realmente um último esforço. Os policiais estão determinados a fazer todo o possível antes da libertação de Brueckner. Eles sabem o que está em jogo”, disse uma fonte policial ao veículo britânico.
