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uso e comércio irregulares em debate

BRCOM by BRCOM
junho 5, 2025
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O painel “Manipulados e patentes: fronteiras legais e éticas” contou com Rosana Mastellaro, Felipe Alves e Clayton Luiz Dornelles Macedo — Foto: Eduardo Uzal

A semaglutida e a tirzepatida, medicamentos desenvolvidos para o tratamento de obesidade e diabetes tipo 2, revolucionaram a medicina. A indicação deles, sob orientação de especialistas e baseada em evidências, é endossada por entidades como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Contudo, o Brasil tem assistido a uma banalização do uso sem controle e acompanhamento médico, além de manipulação irregular de seus ativos, comércio clandestino, falsificações e disseminação de informações falsas.

Realizado em 27 de maio e transmitido via YouTube, Facebook e Instagram do GLOBO, o evento “Entre a ciência e os atalhos — Uma nova era dos cuidados com a obesidade, diabetes e fitness” discutiu esse cenário. Promovido pela SBEM, em parceria com a Editora Globo, o debate com especialistas, representantes de entidades e da sociedade civil teve mediação de Luis Fernando Correia, médico e comentarista da Rádio CBN.

— Quando nos alimentamos, liberamos sinais à saciedade para aumentar a produção da insulina e, consequentemente, metabolizar o que comemos, inibindo um hormônio chamado glucagon, que é hiplerglicemiante. Os dois medicamentos reproduzem esse efeito. Com isso, controla-se glicemia e peso — detalhou Amelio de Godoy Matos, endocrinologista e professor, referindo-se aos fármacos mais conhecidos pelos seus nomes comerciais Ozempic/Wegovy (semaglutida) e Mounjauro (tirzepatida).

Destacando que a obesidade é uma doença crônica, especialistas falaram dos efeitos colaterais dos remédios.

— O mais comum é a sensação de enjoo, alguns chegam a vomitar. Mas também pode haver interferência no funcionamento do intestino. O médico vai orientar o paciente a como lidar com os sintomas — explicou o endocrinologista Rodrigo Moreira.

Ruy Lira, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, acrescentou que as medicações abriram portas para tratamentos em especialidades como cardiologia e hepatologia:

— É importante que especialidades tenham esclarecimento adequado para tratar as doenças, que os médicos tenham vivência para indicar o fármaco.

No painel “Manipulados e patentes: fronteiras legais e éticas”, ressaltou-se a necessidade de regulamentar a importação dos insumos, que vem sendo feita em larga e indiscriminada escala. Enquanto quem produz ou importa os medicamentos no Brasil passa por controle rigoroso de qualidade, quem importa ativos para manipulação não sofre o mesmo.

— Uma forma de mitigar esse uso é uma fiscalização efetiva desde o início, rastrear o insumo. Um segundo ponto é fiscalizar a publicidade. Vemos abuso na promoção por clínicas — defendeu Felipe Alves, diretor de Jurídico, Compliance e Propriedade Intelectual da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma).

O painel “Manipulados e patentes: fronteiras legais e éticas” contou com Rosana Mastellaro, Felipe Alves e Clayton Luiz Dornelles Macedo — Foto: Eduardo Uzal

Para Rosana Mastellaro, diretora no Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), a necessidade de intervenção das autoridades é urgente:

— Quando temos uma importação quatro vezes maior por terceiros em relação às indústrias do setor, isso deveria acionar um mecanismo de inteligência.

Clayton Luiz Dornelles Macedo, médico do esporte, endocrinologista e diretor da SBEM, reforçou, pedindo medidas mais duras:

— Eu conclamo as entidades, a imprensa, que continuem essa discussão. Que esse cenário seja questionado junto à Anvisa, ao Procon, e, principalmente, à Justiça. O Ministério Público precisa direcionar seu olhar para isso.

O terceiro painel focou ao impacto comércio irregular. No centro do debate, episódios de médicos como protagonistas na oferta dos medicamentos ilegalmente.

— Fica muito claro que é preciso mudar a lei. Se a punição não for severa, rígida, pecuniária, não vai ter solução. Me envergonha dizer que há médicos envolvidos com esse esquema — afirmou Fábio Moura, endocrinologista e diretor da SBEM.

Dirceu Raposo de Mello, ex-diretor-presidente da Anvisa e doutor em Ciências Farmacêuticas, reiterou:

— Fizeram disso um negócio. E temos o problema do corporativismo médico. O Brasil é um dos únicos países em que o médico pode prescrever o que quiser (sob o argumento da autonomia médica).

Dirceu Raposo de Mello, Theo Ruprecht e Fábio Moura debateram o tema “A indústria do risco e da ilegalidade: manipulação, contrabando e falsificação — Foto: Eduardo Uzal
Dirceu Raposo de Mello, Theo Ruprecht e Fábio Moura debateram o tema “A indústria do risco e da ilegalidade: manipulação, contrabando e falsificação — Foto: Eduardo Uzal

Os protagonistas dessas vendas irregulares se concentram em uma atuação baseada em ostentação via redes sociais, com ponderou Theo Ruprecht, jornalista do podcast Ciência Suja:

— Eles têm cursos voltados ao produto, advogados, influência política e muitos seguidores. Precisamos discutir formação médica, regulação de redes sociais, punição e avaliação de conselhos médicos. A capacidade da medicina, hoje, não é medida pela qualidade da formação, mas pelo carrão que o profissional ostenta.

No painel “Informações versus fakemeds: o papel da mídia e dos influenciadores na saúde”, Paulo Miranda, ex-presidente da SBEM, afirmou:

— Mídias sociais são um ambiente de comércio. As pessoas podem comercializar produtos, serviços, e as pessoas que acessam as redes devem estar alertadas disso. Karen De Marca, presidente eleita da SBEM, destacou como o desafio da comunicação passou a fazer parte das consultas:

— Temos que pensar em como vamos chegar mais perto da população, os canais, a linguagem que vamos utilizar e falar mais sobre “fakemeds”. Quando um influenciador fala, o leigo se convence plenamente. Hoje eu fico no consultório tentando convencer por que meu tratamento está certo, outro não.

Karen De Marca, Igor Eckert, Paulo Miranda e Marcelo Steiner no painel “Informação versus fakemeds: o papel da mídia e dos influenciadores na saúde” — Foto: Eduardo Uzal
Karen De Marca, Igor Eckert, Paulo Miranda e Marcelo Steiner no painel “Informação versus fakemeds: o papel da mídia e dos influenciadores na saúde” — Foto: Eduardo Uzal

Marcelo Steiner, ginecologista e representante da Febrasgo, acrescentou:

— Precisamos trabalhar, especificamente, na comunicação com o leigo.

Igor Eckert, nutricionista, pesquisador e influencer, concluiu:

— O profissional tem que ter a habilidade de comunicação, saber lidar com o paciente e suas crenças, medos e anseios.

As entidades envolvidas esperam que as ações sugeridas no painel sejam implementadas pelos órgãos responsáveis.

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