Um policial civil foi preso, neste domingo, após atirar durante um protesto que moradores do Morro Santo Amaro, no Catete, na Zona Sul do Rio, faziam na Rua Pedro Américo pela morte de Herus Guimarães Mendes, de 23 anos, em uma operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope), na noite da última sexta-feira, durante uma festa junina na comunidade. Baleado no abdômen, o rapaz não resistiu. Outras cinco pessoas foram feridas durante a ação. Nenhuma das vítimas tinha anotações criminais.
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A Corregedoria-Geral de Polícia Civil (CGPOL) informou, por meio de nota, que o agente estava de folga e foi preso em flagrante por disparo de arma de fogo. De acordo o o órgão, um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) foi instaurado para apurar a conduta do policial. “A Polícia Civil reforça que não compactua com quaisquer desvios de conduta, cometimento de crimes ou de abuso de autoridade praticados por seus servidores”, afirmou a corporação.
Após o resultado trágico da operação no Santo Amaro, o governador Cláudio Castro afastou os comandantes do Bope, coronel Aristheu Lopes, e do Comando de Operações Especiais (COE), coronel André Luiz de Souza Batista, e mais outros 12 policiais que participaram da incursão.
As armas usadas pelos agentes foram apreendidas para análise. A Polícia Civil fez uma perícia na comunidade ainda no sábado para saber de onde partiram os tiros que atingiram as vítimas. Os agentes usaram um scanner 3D, que faz o levantamento de locais de crimes e consegue captar detalhes que podem passar despercebidos a olho nu.
O Ministério Público do Rio começou a fazer uma perícia independente para revelar o que aconteceu. “A instituição reafirma o compromisso de exercer o controle externo da atividade policial, a apuração dos fatos e a responsabilização de quem de direito”, ressaltou o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira. Em nota, o Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado do Rio afirmou que o episódio foi “triste e inaceitável”.
De acordo com a Secretaria de Polícia Militar, agentes foram ao Santo Amaro numa operação emergencial para verificar informações sobre um possível ataque de facções rivais. A favela é vizinha ao quartel do Bope e sempre foi conhecida por ser um lugar sem tráfico ostensivo. A corporação informou que os agentes foram recebidos à bala e que, num primeiro momento, não revidaram o ataque. No entanto, ao se aproximarem de outro ponto, aconteceu o confronto, que terminou com a morte de Herus. A vítima chegou a ser levada para o Hospital Glória D’Or, mas não sobreviveu.

