A parte de baixo do Elevado Presidente João Goulart, conhecido como o “Minhocão”, no Centro de São Paulo, começou a ser equipada com floreiras e um bolsão para táxis neste fim de semana. A obra da prefeitura, na Avenida Amaral Gurgel (a via térrea que acompanha o elevado), será feita entre as ruas Santa Isabel e Jaguaribe, um trecho de cerca de 300 metros.
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Em abril, a prefeitura fez um bolsão de estacionamento sob a via, em período no qual o vice-prefeito Mello Araújo (PL) estava no comando da cidade. Tratada como “teste”, a medida não deve ser expandida para outros pontos. O prefeito Ricardo Nunes (MDB), por sua vez, estudava há tempos implementar jardins no local, especialmente após ver estruturas semelhantes em viagem à China, conforme apurado pelo GLOBO.
A primeira etapa da obra deve durar 30 dias e incluirá a construção de floreiras e trepadeiras nos pilares nos quatro quarteirões entre as ruas Cunha Horta e Jaguaribe, o que aumentaria a permeabilidade do solo. A ciclovia que existe no local será mantida, segundo a gestão municipal. Já o bolsão de táxi ficará entre as ruas Santa Isabel e Jaguaribe, mas a prefeitura ainda não definiu o tamanho e nem quantos veículos poderão usar o local.
O futuro do Minhocão, um polêmico elevado que corta bairros do Centro e faz parte da Ligação Leste-Oeste, é incerto. A gestão Ricardo Nunes estuda a possibilidade de demolir a estrutura, uma possibilidade discutida há décadas na cidade. Para viabilizar isso, Nunes pretende estender a Avenida Marquês de São Vicente, na Barra Funda, até a avenida Salim Farah Maluf, na Zona Leste. A demolição não é uma certeza, e a ideia é fazer uma consulta pública para definir o destino do elevado.
Atualmente, o local é usado para o tráfego de veículos durante o dia e, à noite e aos fins de semana, é aberto para a circulação de pedestres e ciclistas. Na parte debaixo, é comum a concentração de pessoas em situação de rua, que montam suas barracas sob o viaduto. Entretanto, nas últimas semanas, com a dispersão da Cracolândia, agentes da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana (GCM) têm feito abordagens constantes e impedido aglomerações na área.
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Renato Anelli, professor de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, afirma que o Minhocão cria “uma série de malefícios para a cidade” e defende sua demolição. Mas afirma que é necessário pensar de forma mais completa sobre o tema, já que se trata de uma via com bastante tráfego, que passa por vários bairros e ainda aponta que é importante que uma intervenção na parte de cima do viaduto também inclua melhorias na parte de baixo.
— Vamos remover o Minhocão até onde? Como fica a ligação Leste-Oeste para o lado Leste a partir do Centro? Qual seria a extensão da remoção? Porque se você interrompe uma parte, precisa pensar o que se faz com o resto do sistema. Mas esse assunto nunca avançou e a gente fica numa oposição que é demolir ou não, faz estacionamento ou não, é uma visão estreita porque a gente deveria estar pensando na escala da cidade. Não é um problema da Amaral Gurgel, é um problema da estrutura urbana — aponta.

