Criado em 2014 com a proposta de homenagear a cultura do samba e do subúrbio, o Espaço Cultural Arlindo Cruz, em Realengo, na Zona Oeste do Rio, vem sendo alvo constante de violência, com diversos episódios de invasão e furto. O último foi na madrugada de sexta-feira (6), quando foram levadas esquadrias de alumínio de duas janelas do local. De acordo com a ONG Subúrbio Carioca, que administra o centro, nenhuma peça do artista foi subtraída, já que o acervo, composto de cerca de cem figurinos, já havia sido retirado pela família do artista.
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— O espaço faz divisão com a linha férrea, onde ficam vários usuários de drogas. As invasões são recorrentes e costumam acontecer de madrugada. Os criminosos pulam o muro e furtam. Outra vez, levaram também as portas dos banheiros. Nós tomamos as providências cabíveis, como instalação de gradeamento, cerca, reforço das portas e alarmes, mas não adianta. Diante disso, em comum acordo com a gestão, a mulher do Arlindo, Babi Cruz, resolveu retirar o acervo do local por questão de segurança. Mesmo que a sala onde eram mantidas as peças fosse bem trancada e escondida, acreditamos que essa foi a melhor decisão para preservar o acervo — explica Carla Martins, secretária da ONG Subúrbio Carioca.
Com um palco de 60 metros quadrados, dois camarins com banheiros e capacidade para 400 pessoas, o espaço, na Rua Marechal Joaquim Inácio, foi projetado para receber shows musicais e espetáculos de teatro e dança. A inauguração, em 5 de maio de 2014, teve participação de Arlindo Cruz, que hoje enfrenta as sequelas de um AVC sofrido em 2017. Durante um ano, o equipamento funcionou regularmente, de segunda a domingo, com o acervo do cantor e compositor sendo exposto em programações especiais. Agora, no entanto, funciona apenas às terças e quintas, com aulas de zumba pela manhã e de dança de salão à noite. E ainda sedia eventos ocasionais.
— Funcionamos um ano com subsídio da prefeitura e atividades diárias. Depois desse um ano, por limitação de orçamento, passamos a abrir para oficinas e eventos pontuais, de projetos nossos ou quando algum produtor ou artista local quer fazer uso do espaço. Para manter um espaço daquele, precisamos ter verba regular, porque as atividades são gratuitas. E hoje mantemos o equipamento com recursos próprios.
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O espaço foi então cedido pela prefeitura à ONG em substituição ao antigo Centro Cultural Jorge Ben Jor, que foi demolido em 2011 para a construção de um viaduto sobre a linha férrea, próximo à praça Campo de Marte.
— Escolhemos Arlindo Cruz para dar nome ao espaço pela proximidade dele com o samba e o subúrbio. Achamos que seria uma homenagem justa e merecida. Diante dos episódios de violência agora, nosso sentimento é de tristeza, pois não medimos esforços para manter o equipamento em funcionamento para atender à comunidade dignamente e dando oportunidade para os produtores locais. Também lamentamos pela insegurança que não é peculiar do bairro, mas de todo o Estado — observa Carla.
A Polícia Militar afirma que o 14°BPM (Bangu), responsável pelo policiamento na região, não foi acionado para o episódio de furto na sexta-feira. Diz ainda que combate roubos e furtos na área com emprego de viaturas e patrulhas com motos.
