A maior pesquisa sobre consumo de mídia no mundo, a Digital News Report, coloca O GLOBO em uma posição de destaque em 2025. No ano em que completa 100 anos, o jornal aparece como o mais popular entre os entrevistados, com 22% deles lendo a publicação ao menos uma vez por semana, além de ser considerado o mais confiável da categoria. O alcance é superior ao dos principais concorrentes, a “Folha de S.Paulo” (10%) e “O Estado de São Paulo” (8%). A liderança é mantida no on-line, com O GLOBO sendo lido por 22%.
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O levantamento entrevistou 97 mil pessoas (2 mil delas no Brasil) neste ano e é produzido pelo Instituto Reuters de Estudos em Jornalismo, ligado à Universidade de Oxford (Reino Unido). Feito anualmente desde 2012 em 40 países, o Digital News Report é a maior referência para analistas do setor acompanharem as tendências no consumo de notícias.
A pesquisa tem se dedicado também a entender a confiança do público nos jornais e no jornalismo. Em 2025, O GLOBO aparece à frente dos concorrentes também nessa análise, considerado confiável por 54% dos entrevistados, à frente de “Estadão” (53%) e “Folha” (52%).
As três publicações têm um grau de respeitabilidade acima da média do setor, que está em 42% na média do país. O jornalismo como um todo tinha perdido confiança no período de 2015 em diante, fenômeno em parte atribuído à ampliação do ambiente de desinformação nas redes sociais, mas essa queda se estancou nos últimos três anos no Brasil, em um patamar acima da média global de 40%.
— O público consumidor de notícias permanece, em sua maioria, cético em relação às notícias que encontra nas redes sociais e através de aplicativos de IA. Isso, em parte, por conta de preocupações em relação à confiabilidade desse conteúdo — afirma Rodrigo Carro, jornalista e analista do setor de mídia, um ex-fellow do Instituto Reuters e responsável pela análise do Brasil no Digital News Report. — Essas dúvidas podem oferecer oportunidades aos ‘publishers’, já que o público diz que ainda procura veículos de notícias consolidados para verificar se as informações procedem.
Os brasileiros são os latino-americanos que mais confiam nas notícias, segundo a pesquisa. O país da região que menos confia no jornalismo é a Argentina, com dez pontos percentuais abaixo do Brasil, 32%. Em outros continentes, os países que mais nutrem a confiança nas notícias são a Finlândia (67%), a Nigéria (68%) e a Tailândia (55%).
Um dado preocupante é que uma boa parte do público ainda diz ter dificuldade de discernir o que é real e o que é falso nas notícias em circulação. Essa porcentagem é de 67% das pessoas no Brasil, abaixo da Nigéria (84%), África do Sul (73%) e Estados Unidos (73%).
Os autores do relatório destacam que a mídia brasileira ainda vive um ciclo de transformação no ambiente de notícias, sobretudo na frente audiovisual, com os serviços de streaming tentando avançar sobre o domínio da TV aberta.
O GLOBO também se sai bem quando é levado em conta o cenário de mídia brasileiro. O jornal fica na quarta posição geral, tanto na categoria que reúne mídia tradicional (TV, rádio e jornais) quanto na mídia online. Na primeira, fica atrás apenas da TV Globo, que é consumida semanalmente por 41% dos entrevistados, da Record (31%) e do SBT (23%). No segundo grupo, só é superado pelo g1/Globo News online, que lidera com 32%, pelo UOL (30%) e pela globo.com (27%).
O relatório mostrou que a parcela de pessoas entrevistadas que pagam por notícia de alguma forma está em 17% neste ano no Brasil. Há uma grande circulação de notícias compartilhadas via internet, sendo que 33% das pessoas declararam compartilhar matérias em redes sociais. As três plataformas mais usadas para consumo de notícia foram Youtube (37%), Instagram (37%) e WhatsApp (36%).
Entre os veículos tradicionais presentes na internet, a principal novidade foi o impacto das ferramentas novas de inteligência artificial na maneira com que as pessoas se mantêm informadas. Cerca de 9% dos entrevistados declaram usar chatbots de IA para procurar por notícias.
O GLOBO foi destacado pela publicação como um dos veículos que está conseguindo catalisar a revolução da IA de forma positiva, usando-a de maneira criativa para produzir jornalismo.
“O jornal O GLOBO, por exemplo, publicou uma série de reportagens baseadas em 600 mil discursos feitos na Câmara e no Senado entre 2001 e 2024”, conta o Digital News Report. “Mais de 255 milhões de palavras e expressões foram avaliadas durante quatro meses usando ferramentas de IA”. A série “Com a Palavra” foi lançada em agosto do ano passado.
A pesquisa mostrou que, apesar do avanço da popularidade da inteligência artificial entre quem consome notícia, o público ainda deposita confiança especial em conteúdo que tem curadoria humana.
“Em um mundo cada vez mais povoado por conteúdo sintético e desinformação, todas as gerações ainda valorizam marcas confiáveis com histórico de precisão, mesmo que não as utilizem com tanta frequência quanto antes”, afirmam os autores da pesquisa.
