Um ato de espontâneo, de total solidariedade, viralizou esta semana nas redes sociais. Num vídeo gravado na UPA da Cidade de Deus, um socorrista do Samu descalça as botas e tira as próprias meias para botá-las nos pés de um paciente que estava com frio, deitado numa maca à espera de atendimento. As imagens emocionaram os internautas e foram replicadas em uma série de perfis e meios de comunicação, para surpresa do herói em questão, o condutor socorrista Márcio “Cojak” Luiz Gomes da Silva:
— A Samu Rio está aí para salvar e ajudar não importa quem. Não esperava essa repercussão toda. Fiz isso porque gosto de ajudar as pessoas — diz Cojak.
De acordo com ele, a equipe já se sensibilizou ao chegar à casa do paciente, que vive em condições precárias, na casa de uma irmã de criação, em uma área carente. Antes mesmo de ser levado à UPA, o rapaz foi contemplado com outro gesto de empatia da equipe.
— Quando nós o conduzimos para a ambulância, ele vomitou muito no caminho. Meu enfermeiro pegou um papel que nós usamos para forrar a maca e limpou o pé dele — relembra o condutor.
Socorrista do Samu conta por que deu suas meias a paciente
Já na UPA, ao perceber que o rapaz tremia de frio, Cojak fez o que pôde para fazê-lo se sentir melhor: cedeu-lhe suas meias. Além de ser filmado, o gesto já naquele momento gerou uma aprovação comovida.
— Uma senhora falou: “Meu Deus, não existe humano assim” — conta Cojak.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) integra a Política Nacional de Atenção às Urgências do Ministério da Saúde e está disponível 24 horas por dia, podendo ser acionado pelo telefone 192 por qualquer cidadão em caso de emergência. As chamadas são atendidas por uma Central de Regulação, que avalia a gravidade da situação e envia a equipe adequada para o local. Se necessário, o paciente é transportado para uma unidade de saúde.
As ambulâncias são divididas em duas categorias: Unidade de Suporte Básico (USB), composta por um condutor socorrista e um técnico ou auxiliar de enfermagem, e a Unidade de Suporte Avançado (USA), formada por um condutor socorrista, enfermeiro e médico, que atende os casos mais graves e tem equipamentos semelhantes aos de uma UTI móvel, como desfibrilador para ocorrências de parada cardiorrespiratória.

